Levantamento divulgado pela Polícia Civil aponta um aumento bastante expressivo das apreensões de drogas realizadas em Bauru neste ano. Para se ter uma ideia, somente nos últimos sete meses, a quantidade de entorpecente retirada do mercado na cidade renderia mais de R$ 44,4 milhões no “varejo”. No mesmo período de 2015, o valor foi pouco menos de R$ 4,2 milhões.
A maconha aprendida quase quadruplicou: saltou de 586,693 quilos, entre janeiro e julho (até o dia 22) de 2015, para mais de duas toneladas (2.182,650) no mesmo período deste ano. Já o número de apreensões de cocaína aumentou cinco vezes: de 23,632 para 132,458 quilos.
A disparada nas apreensões que mais chama a atenção, entretanto, é a do crack, cuja discrepância nos números beira o surreal: foram pouco mais de 2 quilos aprendidos no primeiro semestre do ano passado, contra 634,402 quilos do início de 2016 até a semana passada.
A diferença exorbitante é resultado da apreensão de 615 quilos da droga em rodovia de Bauru, no mês de maio. A ocorrência do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) representa quase que o “peso da balança” de todo entorpecente apreendido na cidade neste ano e gerou prejuízo de R$ 25,8 milhões à traficância.
“Foi mais um duro golpe ao tráfico. A polícia tem fechado cada vez mais o cerco ao comércio de venda de drogas, com o intuito de causar danos financeiros irreparáveis aos traficantes. É assim que temos combatido este tipo de crime”, destaca o delegado da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecente (Dise), Luiz Augusto Puccinelli.
Ele ressalta que a estatística compreende as apreensões feitas tanto pelas polícias Civil e Militar quanto pelo Policiamento Rodoviário, nas rodovias que cortam a cidade, nos bairros e até em áreas rurais. Para o delegado, houve aumento no consumo de drogas e, consequentemente, nos flagrantes. “É a chamada lei da oferta e da procura. Mais usuários, mais traficantes, o que requer mais empenho das autoridades no combate ao tráfico”, reitera.
Pucinnelli atribui a atual realidade à “banalização do crime”. “As campanhas de combate às drogas já não surtem mais efeito e as leis são muito brandas, ou seja, o traficante fica pouco tempo preso”, aponta.
Rota internacional
Outra explicação para a “explosão” de apreensões de drogas se deve ao fato de Bauru ser considerada a rota internacional do tráfico. “No entanto, nem todo entorpecente que foi aprendido ficaria em Bauru. Boa parte abasteceria outras regiões do Estado ou do Brasil”, pondera o delegado. “As ações nas fronteiras precisam ser intensificadas”, opina.
Embora teorize que o destino da maior parte da droga apreendida nas rodovias de Bauru fosse outras regiões, Puccineli acredita que o cerco aos traficantes tem funcionado. Ele destaca que, somente neste ano, ao menos cinco quadrilhas foram desmantelas na cidade. “O foco das investigações são nos chefes dos grupos. Quem está mandando a droga para cá, por exemplo”.
‘ATACADO X VAREJO’
Segundo o delegado, as estimativas de valores das apreensões no “varejo” dependem de cada droga. O quilo da maconha, diz ele, está avaliado em R$ 1,5 mil no “atacado”, mas rende três vezes mais na venda final. Isso quer dizer que, somente neste ano, o prejuízo dos traficantes ficou em torno de R$ 9,8 milhões, enquanto em 2015, de R$ 2,6 milhões.
Os parâmetros de cálculos são os mesmos para contabilizar os demais entorpecentes. De acordo com a avaliação de Puccinelli, foram tirados de circulação mais de R$ 7,9 milhões de cocaína em 2016 e R$ 1,4 milhões no ano passado. Já o crack renderia R$ 26,6 milhões neste ano à traficância e, em 2015, mais de R$ 109 mil.
Roubos
Conforme o JC noticiou, uma série de roubos registrados em apenas 24 horas, entre os dias 17 e 18 de maio, pode ter relação com as apreensões de toneladas de drogas em Bauru. Ao todo, neste período, foram pelo menos nove assaltos, número quase cinco vezes maior do que a média diária contabilizada normalmente pela Polícia Civil.
“A descapitalização do traficante implica de forma direta e indireta em uma tendência de aumento de outros crimes. Cresce o furto e roubos do noia (usuário de entorpecentes) para pagar a droga que aumentou na ‘boca’, por conta da oferta e da procura, e do microtraficante, que precisa se capitalizar para pagar o traficante”, afirmou, à época, o delegado coordenador do Centro de Inteligência da Seccional de Bauru, Kleber Granja.
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