| Samantha Ciuffa |
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| Integrantes da seleção húngara masculina durante treino, nessa terça (2), na Arena da ABDA: meta é recuperar hegemonia da modalidade |
O polo aquático significa para a Hungria o que o futebol representa para o Brasil: o esporte nacional por excelência. Os húngaros são referência quando se pensa na modalidade e têm a hegemonia histórica nas piscinas. Desde que o polo aquático se tornou modalidade olímpica em 1900, o domínio da Hungria é absoluto. No masculino, são 15 pódios, sendo nove medalhas de ouro, três de prata e três de bronze. Nas últimas quatro edições das Olimpíadas, a Hungria conquistou três ouros no polo aquático, sendo campeã em Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008.
Porém, justamente nos últimos Jogos, em Londres-2012, o país teve sua hegemonia quebrada e mais que isso, ficou fora do pódio e viu a Croácia ficar com a medalha dourada. Portanto, a Hungria chega ao Brasil “mordida” e disposta a retomar a supremacia em sua modalidade nacional. Nada menos do que ouro será suficiente para atender as expectativas da torcida.
Todavia, antes de desembarcar no Rio de Janeiro para iniciar sua jornada olímpica, as seleções húngaras masculina e feminina fizeram uma parada para aclimatação em Bauru e treinam até esta quinta-feira (4) na Arena ABDA, que será inaugurada oficialmente no próximo sábado (6).
Entre uma braçada e outra e no intervalo de finalizações e defesas, os húngaros destacaram a vantagem da “conexão” em Bauru, já que a preparação na cidade serve para aclimatar e deixar os atletas relaxados antes dos Jogos. “Ficar em um parque olímpico é muito bom, mas três semanas é muito pesado. Ficamos felizes em sermos recebidos em Bauru, conseguimos nos adaptar ao fuso horário e vamos para o Rio de Janeiro com muita força”, projeta o técnico Benedek Tibor.
A preparação total específica para as Olimpíadas foi de seis semanas de concentração e neste período final serão feitos apenas ajustes no time. “A preparação foi 100%”, avalia Tibor. O técnico aponta a Sérvia como o adversário mais forte da Hungria na briga pelo ouro. “Mas não tem muita diferença. Equipes como como Estados Unidos, Itália, Grécia, Montenegro, Croácia e Hungria estão no mesmo nível. Em um jogo, como vai ser na semifinal e final, pode acontecer tudo. Temos que pensar em ganhar de todos”, destaca o técnico.
Tibor explica que a hegemonia história da Hungria no polo aquático é conquistada com muita ênfase nos fundamentos da modalidade e trabalho duro nos treinos, o que ajuda a revelar muitos jogadores. “Os fundamentos são muito importantes. A Hungria tem locais para polo aquático em Budapeste (capital), fora de Budapeste, tem treinadores bons, que ajudam os jogadores a surgir e crescer”, declara. O técnico afirma que este é caminho para o Brasil se fortalecer na modalidade. “Precisa de bons técnicos, que organizem o treinamento. Não existe um segredo, é o trabalho mesmo”, conclui Tibor.
Enriquecedor
O técnico da ABDA, o húngaro Attila Sudár, responsável pela vinda das seleções masculina e feminina da Hungria para Bauru, acredita que a presença das estrelas húngaras do polo aquático serve de inspiração para os atletas bauruenses e é enriquecedor para o projeto.
| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| “Ficamos felizes em sermos recebidos em Bauru”, destacou o técnico Benedek Tibor, da seleção húngara masculina |
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| O ala húngaro Varga Dènes (esquerda), que já foi eleito melhor jogador do mundo de polo aquático, observa o técnico Attila Sudár, da ABDA |
“É uma motivação para o sonho deles. Eles estão perto de uma das melhores seleções do mundo, com um dos melhores goleiros do polo, de jogadores que têm chutes diversos. Dá para eles verem como ficar na água e fazer os movimentos, o trabalho de pernas e braços. Olhar ao vivo é completamente diferente do que estudar um vídeo. Antes de eles chegarem, as crianças nem acreditavam que viriam. Foi um sonho para eles e estou satisfeito”, comenta Sudár, que jogou ao lado de Tibor. “Jogamos 15 anos juntos, moramos no mesmo quarto. É como se fosse um irmão para mim”, finaliza.
Meta é ouro
A Hungria chega como uma das postulantes ao ouro no polo aquático masculino e a expectativa do país é realmente retomar o alto do pódio, perdido nos Jogos de Londres, em 2012. O ala Varga Dènes, já eleito o melhor jogador do mundo e que tem no currículo os títulos das Olimpíadas de Pequim, em 2008, e o do Mundial de Barcelona, em 2013, entre outros, afirma que o time lida com a cobrança do favoritismo. “Existe a pressão, porque chegamos sempre para ganhar as Olimpíadas e o público húngaro acredita que vamos ganhar”, explica. Porém, o atleta pondera que a competição promete ser muito equilibrada. “Existem cinco, seis times que podem ganhar e vai ser muito difícil”, avalia.
Descontraído, Denès se arriscou com alguns companheiros em uma roda de futevôlei no aquecimento antes do treinamento de ontem, mas descarta qualquer incursão no gramados, salientando que na Hungria o polo aquático é a modalidade que tem o papel que o futebol exerce no Brasil, uma “religião”. “Lá o polo aquático é igual ao futebol aqui, o esporte mais popular. Nosso futebol já foi bom, mas agora não é mais”, comenta o ala.
O jogador elogiou a receptividade em Bauru. “Estamos muito orgulhosos de termos ficado aqui, com boa alimentação, atmosfera muito calorosa e gente simpática. Gostei muito do que vi, apesar de ficar mais no hotel e piscina, por causa dos treinos”, observa. No Rio, a concentração será mantida até o final das disputas do polo aquático e, depois, o plano é aproveitar as atrações naturais da Cidade Maravilhosa. “Primeiramente a competição, depois praia”, brinca.
Brasil feminino faz jogo equilibrado contra Hungria
| Douglas Reis |
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| Brasileiras e húngaras fizeram jogo bastante disputado, mas a seleção húngara venceu duelo |
A seleção brasileira feminina de polo aquático fez seu último amistoso preparatório para as Olimpíadas do Rio de Janeiro contra a Hungria em estreia extraoficial da Arena ABDA (Associação Bauruense de Desportes Aquáticos), que será inaugurada oficialmente em cerimônia neste sábado. A equipe verde e amarela perdeu por 9 a 7, mas o saldo foi avaliado como positivo.
A principal jogadora do Brasil – considerada uma das melhores do mundo – Izabella Chiappini fez dois gols. Diana (dois), Mariana (dois) e Marina Zablith completaram o placar para a Brasil, que até o terceiro quarto vencia por 4 a 2. Izabella foi muito bem marcada, numa partida com vários lances violentos.
“O jogo foi muito forte, muito físico, mas dessa vez começamos muito bem. As húngaras começaram a ficar irritadas porque estavam atrás no placar e o jogo ficou bem mais pegado. Sempre perdemos de mais de dez gols delas, mas dessa vez foi diferente. Estamos prontas para os Jogos Olímpicos”, analisou Chiapini.
A ABDA conta com o auxílio de seus parceiros: Zopone Engenharia e Comércio LTDA., Z-Incorporações, Pernambucanas, BNP Paribas, Lei de Incentivo ao Esporte, Ministério do Esporte, Grupo Multicobra, Semel e BTC.



