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Transferência de escola interditada provoca protesto e impasse continua

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Na noite dessa terça (2), a dirigente de Ensino Gina Sanchez conversou com pais e alunos em meio a diversas manifestações

Terminou em impasse a reunião realizada na noite dessa terça-feira (2) na Escola Estadual Professor Francisco Alves Brizola para definir o destino dos 710 alunos que estão sem aulas devido à interdição do prédio da unidade, localizado no Núcleo Geisel. Um novo encontro foi marcado para as 18h30 desta quarta-feira (3) para dar continuidade às negociações.

Com a presença da dirigente regional de ensino Gina Sanchez e de um grande número de pais e alunos, a reunião, nessa terça-feira (2), gerou protestos da comunidade, que reivindica a transferência temporária dos estudantes para uma única escola. Segundo Gina, não há possibilidade de o pedido ser atendido, visto que o Estado não dispõe de prédio com capacidade suficiente para acolher todos os alunos.

“São 23 turmas. Não há nenhuma escola, hoje, que possa receber todas elas”, argumenta, salientando que também não poderia aguardar até o fim do ano para realizar a reforma da E.E. Brizola, devido ao risco de desabamentos. Conforme o JC noticiou, a interdição da unidade ocorreu no início de julho, após vistoria realizada por um engenheiro da Secretaria de Estado da Educação, que detectou rachaduras comprometedoras no interior das salas.

Ainda nessa terça (2), durante a reunião, Gina propôs que as dez turmas do 6.º ao 9.º ano do ensino fundamental, que estudam à tarde, sejam transferidas para a Escola Estadual Ernesto Monte. Já as 13 turmas do ensino médio, que frequentam a E.E. Brizola pela manhã, passassem a estudar na Escola Estadual Professora Maria Eunice Borges de Miranda Reis, no Parque Jaraguá.

A segunda proposta foi rejeitada por pais e alunos. “Nossos filhos estão inseridos em uma comunidade. Se acontece qualquer coisa, dentro da escola ou do portão para fora, estamos aqui para cuidar deles. Estamos vigilantes. Levá-los para longe vai impedir que a gente continue a protegê-los. E isso nós não iremos permitir”, reclama Léa Varela, mãe de um dos alunos do ensino médio.

Saídas

Entendendo como resolvida a transferência dos alunos da tarde para o Ernesto Monte, Gina informou que levará à Secretaria da Educação a sugestão de utilizar, no período da manhã, algumas salas do Centro Estadual de Educação Supletiva de Bauru (Ceesub), que fica na Vila Falcão, a 10 quilômetros da E.E. Brizola. “Não teremos 13 salas disponíveis, mas podemos encaixar o que faltar em salas da própria Diretoria de Ensino, que fica bem ao lado”, pontua, salientando que o transporte escolar será garantido a todos os alunos.

Outra proposta feita pelos pais seria utilizar espaços da escola, como salas de vídeo, de informática e de uso administrativo, que eventualmente não estejam sob interdição. A dirigente de ensino se comprometeu a verificar a viabilidade do pedido junto à Secretaria da Educação, mas adiantou que estas dependências não serão capazes de comportar todos os alunos do período da manhã.

Se um acordo com pais e alunos for firmado hoje, a expectativa é de que as aulas tenham início no próximo dia 15, com reposição dos dias parados aos sábados, até o final do ano. Segundo Gina, não há previsão para início e conclusão das obras de reforma da unidade.

‘Queremos a escola unida’

Alunos ouvidos pela reportagem enfatizaram que não irão estudar em outra unidade se a E.E. Brizola for dividida. Eles alegam que vivem como uma família e que a ruptura deste sentimento de comunidade irá prejudicá-los nos estudos.

“Queremos a escola unida. As crianças pequenas, principalmente, vão sofrer para se adaptar em uma escola diferente. Já estava tudo certo para irmos para um prédio próximo à Praça da Paz, mas eles (Estado) não querem gastar dinheiro com aluguel”, alega a aluna Isabelle Simas, 17 anos.

Gina Sanchez justifica que esta opção foi descartada devido ao tempo necessário para cumprir todos os trâmites e realizar as adaptações necessárias no prédio. “Levaria cerca de dois meses, o que fatalmente comprometeria o ano letivo desses alunos”.

Também defensora da manutenção de todos os alunos em uma mesma unidade, a aluna Vitória Cristina da Silva Carvalho, 14 anos, lembra que a quadra poliesportiva da E.E. Brizola já havia sido interditada há mais de um ano e lamenta que, na ocasião, as condições estruturais do bloco de salas de aula não foram avaliadas. “O piso da quadra afundou e, na época, o prédio já tinha problemas. Poderiam ter visto o que precisava fazer e reformar a escola durante as férias de fim de ano. E não esperar chegar a essa situação”, reclama.

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