Economia & Negócios

R$ 700 milhões são liberados para aquecer setor imobiliário da região

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Olair Ribeiro Filho, gerente regional de construção civil da Caixa

Maior agente do financiamento imobiliário no País, a Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 700 milhões em créditos para o mercado de moradias na região de Bauru. O objetivo é estimular as vendas no setor e, assim, aquecer a economia.

Os valores serão distribuídos em 95 municípios da região e destinados ao financiamento de obras de construtoras e incorporadoras, bem como à aquisição de casas ou apartamentos por pessoas físicas. Do total, R$ 500 milhões serão aplicados em imóveis sociais novos, por meio do programa Minha Casa Minha Vida, ou usados, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Este montante será reservado para imóveis de até R$ 215 mil e deverá ser utilizado ao longo do segundo semestre. Mas trata-se de uma estimativa. Se tudo for consumido antes, há a possibilidade de conseguirmos mais recursos”, adianta Olair Ribeiro Filho, gerente regional de construção civil da Caixa em Bauru.

Os R$ 200 milhões restantes serão destinados ao financiamento de obras de construtoras e incorporadoras e para a aquisição de imóveis acima de R$ 215 mil, com utilização de recursos da caderneta de poupança e de Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

Ribeiro Filho explica que o esforço visa fortalecer a construção civil, que enfrenta dificuldades em meio ao cenário de crise. “Trata-se de um setor importante para o País e estamos empenhados para que as empresas possam produzir mais e, assim, gerar mais emprego e renda. E queremos, também, propiciar financiamento com condições atraentes às pessoas que têm a expectativa de ter a casa própria. Ainda há espaço para muitos negócios na área imobiliária e, com estas condições, o acesso ao crédito é facilitado”.

Pacote

No mês passado, a Caixa lançou pacote de medidas para impulsionar o setor, incluindo a destinação de R$ 10 bilhões para o financiamento de obras de construtoras e incorporadoras em todo o País. Anunciou, ainda, a reabertura da linha de crédito para construtoras, chamada Plano Empresário da Construção Civil, que estava fechada desde maio de 2015.

Por meio dele, a empresa não precisa concluir a obra para começar a financiar os compradores. Com 80% do empreendimento concluído, a Caixa já vai financiar os tomadores interessados na compra das novas unidades.

O banco também ampliou a linha de apoio à produção, em que podem ser financiadas as empresas que já tenham vendido pelo menos 20% das unidades de um condomínio, ou seja, que demonstraram a viabilidade do negócio. Além de disso, a Caixa passará a financiar parcela maior do valor dos imóveis por meio de operações de crédito do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

A cota de financiamento para imóveis usados subiu de 60% para 70% do valor total. Para a compra de imóvel novo, construção em terreno próprio, aquisição de terrenos e reforma ou ampliação, a cota passou de 70% para 80%.

Teto dobrado

No mês passado, a Caixa anunciou a duplicação do valor máximo dos imóveis residenciais passíveis de crédito, de R$ 1,5 milhão para R$ 3 milhões, o que beneficia diretamente o segmento de alto padrão. Nesta modalidade de crédito, enquadrada no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), não são utilizados recursos do FGTS. “Evidentemente, a demanda por este tipo de imóvel é menor, mas ela existe e a repercussão já tem sido muito positiva”, pontua Olair Ribeiro Filho, da Caixa.

Retomada

Diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP) em Bauru, Ricardo Aragão avalia que o setor começa a se movimentar diante de uma possível recuperação econômica, lembrando que a construção civil atua com projeções de tendências de mercado para o período de, ao menos, um ano.

“O momento de vendas ainda é muito ruim, mas temos uma expectativa de melhora, o que está fazendo com que as empresas voltem a pensar em fazer novos lançamentos neste segundo semestre”, pontua, salientando que o período de um ano é o intervalo mínimo necessário entre a aprovação de um projeto e o efetivo lançamento do empreendimento.

Aragão, contudo, considera que as taxas de juros bancários cobradas das empresas para financiamentos ainda são elevadas, o que pode tornar o empréstimo – e a consequente formalização de novos negócios - menos atrativo para uma parcela dos construtores. Diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP) em Bauru, Ricardo Aragão avalia que o setor começa a se movimentar diante de uma possível recuperação econômica, lembrando que a construção civil atua com projeções de tendências de mercado para o período de, ao menos, um ano.

Construção civil perdeu 1.198 postos de trabalho

E a retomada do setor é mais do que necessária. No primeiro semestre deste ano, a construção civil fechou, sozinha, 1.198 postos de trabalho com carteira assinada em Bauru. O setor foi responsável pela extinção de quase metade das vagas de emprego na cidade, que, no período, fechou 2.891 postos, o pior resultado para o primeiro semestre registrado nos últimos 18 anos.

Os dados integram o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados na semana passada pelo Ministério do Trabalho. De acordo com a pesquisa, nos primeiros seis meses de 2016, foram extintos 114 mil postos de trabalho no setor da construção em todo o País, sendo 26 mil apenas no Estado de São Paulo.

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