| Malavolta Jr. |
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| Marinho Esteves veio para o Sesi em 2009, com o objetivo de avivar o judô na unidade de Bauru |
Em clima de esporte, o Jornal da Cidade traz na Entrevista da Semana de hoje um nome vitorioso no judô: Marinho Esteves, o técnico de esporte de rendimento do Sesi, que é 4.º dan – faixa preta.
Hoje, a equipe do Sesi é considerada a que faz o melhor trabalho de base com o judô no Brasil. Desde 2012, vem crescendo o número de atletas colocados por Bauru na Seleção Brasileira (juvenil e júnior). Atualmente, são 11 atletas de base. “Dois deles foram medalha de ouro nos Jogos Mundiais Escolares, na Turquia, um foi medalha de bronze. No ano passado, conseguimos duas medalhas de prata no Campeonato Mundial Juvenil. Temos mais de 20 conquistas no Circuito Mundial em diversos países. Fizemos 11 medalhas no Campeonato Brasileiro do ano passado... para citar algumas conquistas recentes”, enumera Marinho.
Nascido em Guararapes, a história de Marinho com o judô começou cedo, aos 7 anos de idade. Como atleta ele colecionou inúmeras conquistas. Como técnico, já esteve com a Seleção Brasileira nos Jogos Mundiais Escolares, além de ter atuado como técnico convidado em campeonatos pan-americanos, sul-americanos e circuitos mundiais.
Jornal da Cidade – Você tem se destacado por ser técnico de esporte de rendimento no Sesi.
Marinho Esteves – Estou no Sesi desde outubro de 2009. A nossa unidade estava sem judô. Só havia em Cubatão. Fiz um processo seletivo e vim para implantar a modalidade que, no início, era para ser apenas um programa de treinamento esportivo, mas, em um ano, passamos a ser uma equipe de rendimento esportivo dentro do Sesi, depois de conquistarmos alguns resultados expressivos. O Sesi de Bauru já foi uma potência no judô na década de 1970 e nós reatamos essa missão. E eu vim para colaborar com esse ressurgimento. Hoje, Bauru é o único polo de rendimento de judô do Sesi.
JC – Quando teve início a sua história com o esporte?
Marinho – Eu comecei com o judô aos 7 anos em Guararapes. Eu morava perto de uma academia e fui assistir com uns amigos. Fiquei apaixonado pelo judô e já são 32 anos com o esporte.
JC – Quais foram as suas maiores conquistas como atleta nesses mais de 30 anos?
Marinho – Eu digo que tive fases com o judô. Fui competidor como atleta, cheguei ao nível internacional, cheguei à Seleção Brasileira, tive dois títulos mundiais no master, fui campeão mundial em 2008 e 2009, respectivamente, em Bruxelas e em Atlanta. Também fui campeão mundial master absoluto. Ganhei três pan-americanos, três sul-americanos, seis campeonatos brasileiros, vários campeonatos paulistas (além de alguns paulistas nas modalidades universitário, júnior, sênior, master...). Também tenho títulos dos Jogos Abertos.
JC – Com o judô você deve ter percorrido o mundo...
Marinho – Sim. Fiz estágios em países como França, Japão, Alemanha e Estados Unidos. Também viajei por quase todo o Brasil.
JC – Qual é a sensação de ver os seus alunos se destacarem no esporte?
Marinho – É outra área da minha vida que me orgulha. Começamos um trabalho de formiguinha aqui e já colhemos bons frutos. A partir de 2011, começamos a revelar atletas para o cenário nacional. Atualmente, estamos com quatro atletas juniores no Rio de Janeiro ajudando os atletas olímpicos nos treinamentos. A ideia é fazer uma adaptação e preparação para as Olimpíadas de 2020.
JC – O projeto agora é Tóquio?
Marinho – Isso mesmo. Estamos focados em Tóquio 2020, em revelar atletas para isso.
JC – Quais foram os seus passos até chegar em Bauru?
Marinho – Eu fiz faculdade de educação física nas Faculdades Toledo de Araçatuba, com bolsa. No segundo ano de curso, o dono da universidade passou a me patrocinar como atleta. Terminando a faculdade, fui para São Paulo fazer pós-graduação. Lá, fiz parte do Esporte Clube Pinheiros, um grande celeiro de judocas. Depois fui para o Clube Atlético Paulistano. Em seguida, voltei para Guararapes para ser o diretor de Esportes do município. Exerci o cargo durante sete anos e conheci o projeto do Sesi.
| Arquivo Pessoal |
| Marinho com as filhas Bianca e Larissa |
JC – Foi quando chegou a Bauru?
Marinho – Quase. Antes disso fui para Palmas dar palestras e acabei abrindo uma academia com um amigo. Também fui para São José do Rio Preto cuidar da estrutura de base da cidade, mas veio o resultado do processo seletivo do Sesi Bauru logo em seguida. E aqui estou.
JC – Além do judô, a sua história com o esporte inclui outra modalidade?
Marinho – Entre 1993 e 1994, eu dei uma oscilada com o judô. Eu era faixa marrom na época e jogava nas categorias de base do futebol, em Guararapes. Comecei a fazer peneirões e um deles deu certo, na Portuguesa. Parei com o judô e fui para a Portuguesa. Cheguei a ir depois para o Paranavaí e Bandeirantes de Birigui, porém, o ambiente do futebol é bastante diferente do ambiente do judô. E eu estava bastante habituado e gostava do ambiente do judô, que tem mais regras e disciplina, o que para mim é muito agradável. Além disso, com a luta, eu tinha uma proposta mais concreta, que incluiu treinar o judô, fazer faculdade com bolsa e dar aulas para crianças.
JC – Quais são as suas expectativas para a modalidade nas Olimpíadas do Rio?
Marinho – O Brasil tem tradição no judô, somos uma das cinco potencias. O judô está nivelado por cima e não será fácil. Confesso que não fomos favorecidos no sorteio das chaves. Vamos pegar o Japão logo de cara, o que me dá um frio na barriga. Mas temos grandes chances.
| Arquivo Pessoal |
| Marinho ao lado da esposa Alessa, também faixa preta de judô |
JC – Olhando para a sua trajetória, o que o esporte representa pessoalmente para você?
Marinho – O judô é responsável por uma boa parcela de tudo o que eu sou e tenho. Este é um esporte de disciplina, educação, respeito e que ensina princípios e hierarquia. Fiz a faculdade através do judô, hoje trabalho com ele no Sesi e em colégios particulares com minha esposa que também é faixa preta e formada em educação física.
JC – Então o judô também te trouxe o amor?
Marinho – Sim. Conheci a Alessa dentro do judô. Estamos juntos há quase três anos e nos casamos em fevereiro. Tenho duas filhas do primeiro casamento, que não moram em Bauru, mas que sempre estão comigo, e agora minha esposa está grávida do Pedro.
JC – Novos projetos pessoais?
Marinho – Estou implantando o Caminho Suave, que consiste em oferecer judô às crianças carentes de Bauru, através do Instituto Marinho Esteves. O Projeto será custeado por meio da Lei do Incentivo Estadual do ICMS (onde a empresa pode doar até 3% para as crianças) e o objetivo é atender até 300 alunos. Já temos o projeto aprovado na Secretaria de Esportes e Lazer do Estado de São Paulo e agora só falta captar nas empresas para iniciarmos as atividades.
Perfil
Marinho Esteves Moreira Júnior
Tem 39 anos e nasceu em Guararapes/SP
É do signo de Peixes e casou-se recentemente com Alessa Souza
Tem duas filhas, Bianca e Larissa, além de Pedro, que está a caminho
O futebol é o hobby do judoca
Seu time do coração é o São Paulo
Quando o assunto é leitura, ele dá preferência para assuntos noticiosos
Tem no sertanejo o seu estilo musical predileto
Já no cinema, indica o filme “Desafiando Gigantes”
Nota 10: Para o Sesi, pelo trabalho que a instituição tem realizado com o esporte e a educação
Nota 0: Para o atual cenário da política nacional
E-mail: marinho_esteves@hotmail.com
