Economia & Negócios

Lojas apostam no crediário diante da cautela dos bancos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Celeste Oliveira: relação direta com lojista facilita negociação
Luciana da Silva: ela fez primeiro crediário há poucos meses
Aldemiro José Alves: 45% das vendas são feitas pelo crediário

Por muito tempo, o chamado “dinheiro de plástico” reinou absoluto como ferramenta para as transações de compra e venda no comércio. Com a crise, porém, o bom e velho carnê voltou a ganhar força, na tentativa de impulsionar os negócios do varejo.

Diante do cenário de retração econômica e endividamento da população, os bancos se tornaram mais cautelosos para a aprovação de crédito. Da mesma forma, a elevação dos índices de desemprego dificultou a comprovação de renda, gerando entraves para o consumidor ter acesso ao crédito.

Assessor de imprensa e advogado da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Elion Pontechelle Júnior avalia que, com a retomada do crediário, cliente e comerciante saem ganhando. De um lado, quem vende deixa de pagar a taxa cobrada pelas operadoras de cartão - em média, algo em torno de 4,5% a 6% sobre o valor da transação.

“O carnê também fideliza o cliente, já que ele precisa voltar mensalmente ao estabelecimento para pagar a prestação. É oportunidade para o lojista fazer novas vendas”, frisa. Em contrapartida, o consumidor que decide suspender o uso do cartão deixa de pagar anuidade ao banco e, ao estreitar relações com suas lojas, ainda pode receber informações antecipadas sobre promoções realizadas pelos estabelecimentos.

“O telefone do cliente fica registrado no cadastro e, com a autorização dele, o comerciante pode ligar ou enviar mensagens por celular para divulgar novidades”, elenca o representante da CDL.

Outra vantagem apontada pela doméstica Celeste Duarte Oliveira, 52 anos, é conseguir maior flexibilidade para negociar, quando precisa, por exemplo, atrasar o pagamento de uma parcela por alguns dias. “Na loja, a gente estabelece uma relação menos impessoal do que com o banco. O dono da loja me conhece e, se perco o prazo, posso vir conversar para ele não cobrar juros por isso”, frisa ela, que possui crediário em quatro estabelecimentos de Bauru e, ontem, levou mais um carnê para casa após comprar roupas para o marido.

Segmentos

Segundo Pontechelle Júnior, artigos de vestuário e calçados são os segmentos em que o crediário próprio das lojas vem apresentando maior demanda. Dono de uma loja de confecções e presidente da CDL, Aldemiro José Alves, conta que cerca de 45% de todas as vendas são concretizadas por meio de crediário.

“É proporção que vem aumentando bastante ao longo deste ano”, cita ele, salientando que o perfil majoritário é formado por mulheres acima dos 40 anos. “Hoje, tenho uma carteira de 11 mil clientes. É claro que há o risco da inadimplência, mas ela não é muito maior do que a média registrada em outras formas de pagamento. Fica em torno de 3% a 4%”, observa.

Uma de suas clientes, Luciana Alves da Silva, 44 anos, conta que ainda usa cartão de crédito na maioria das compras, mas que, nos últimos meses, tem encontrado vantagens ao optar pelo carnê. “Faz pouco tempo que fiz meu primeiro crediário e, sempre que eu achar que vale a pena, vou utilizá-lo”, completa.

Segurança

Para poder comprar no crediário, o consumidor precisa fazer um cadastro na loja e apresentar diversos documentos. A lista de exigências varia de acordo com o estabelecimento, mas é necessária para que o comerciante possa minimizar o risco de inadimplência.

Segundo Elion Pontechelle Júnior, normalmente, as lojas pedem apresentação de contas de luz, água e telefone dos últimos três meses para verificar a pontualidade com que o cliente paga suas contas. Comprovantes de renda e exibição da carteira profissional também podem ser solicitadas.

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