Ao se aproximar o Dia dos Pais, acordei no meio da noite sonhando com meu pai. Eu o via no vigor de seus 45 anos (idade anterior ao seu passamento) transmitindo mensagens em código Morse, num aparelho telegráfico (sistema inglês) de duas teclas.
Cabelos castanhos claros levemente grisalhos nas têmporas; olhos azuis, serenos, irradiavam segurança. Trajava seu tradicional uniforme azul marinho de botões semiesféricos, dourados; nas lapelas da elegante blusa os brasões, também em dourado, com a inscrição “Chefe Estação EFS”.
E eu, seu auxiliar de repartição, datilografaria o expediente ferroviário para submetê-lo à sua assinatura...
Encerrada a jornada de trabalho, partiríamos para aquele futebolzinho no pátio da estação encravada no sopé do grande morro.
Eu lhe falaria do córrego, das pescarias no entardecer; da estrada aonde se ia a cavalo; da estrada úmida aberta de pouco no seio escuro da mata; de sua máxima predileta que diz: “quando a criança segura pela primeira vez o dedo de seu pai, para sempre o agarra”...
Meu pai em meu sonho me sorria, com pena deste seu filho que há muito deixou.