Tribuna do Leitor

A gabiroba e o viaduto

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Praticamente fui obrigado pela minha consciência a voltar a fazer minhas caminhadas matinais, digo obrigado porque gostar não é exatamente o verbo que exprime minha opinião sobre essa atividade física, no entanto, com a chegada dos “enta”...cinquenta... sessenta... e a barriga como um tanquinho cheio de roupa..., percebi a necessidade de enveredar por esse caminho, literalmente.


Dia sim e não, meio que sem destino, saio de minha casa, no Bela Vista, e na próxima hora e mais um pouco cumpro esse ritual. Todavia, nem tudo é canseira e suor; é nessa hora bem cedo que, caminhando, vou pensando e colocando tantos afazeres, problemas e prazeres em ordem, vou como se diz “colocando as coisas nos trilhos”, e como sou um saudosista, também lembrando fatos da minha infância e juventude.


Em uma das últimas caminhadas, estava sobre o viaduto Juscelino Kubitschek, que liga o centro ao Jardim Bela Vista, quando vi um pé de gabiroba já crescido,  espremendo-se entre os vãos desse elevado, com flores que anunciavam em breve doces frutos.


(Devo dizer que tentei diversas vezes plantar uma muda dessa fruta, seja por galho ou semente... sem sucesso). Pronto!


Foi o bastante para retroceder em meus  pensamentos e  voltar ao “buracão”, onde hoje é o Distrital Edmundo Coube, no Jardim Araruna, lembrar que ali existia uma mina (que hoje é despejo de esgoto), em que as senhoras lavavam suas roupas e eu e meus irmãos brincávamos... Dos pés de gabiroba, cambuí, juá bravo (que é uma fruta docíssima, que se assemelha com nossas vidas, pois para saboreá-la é necessário passar primeiro pelos espinhos.) e do capim barba de bode, dentre outros.


Existia também uma frondosa árvore, a Figueira, que inclusive servia de trevo para trânsito dos veículos, quando a Rodovia Marechal Rondon era pista simples. Aliás, retrocedendo um pouco mais, segundo minha grande mãe, essa rodovia, nos primórdios, servia de rota para a manada de bois.


Hoje somente um pé, diria melhor, uma árvore de gabiroba restou e resiste formosa em frente ao distrital já citado, sendo que em época apropriada, nas minhas andanças, colho várias frutas, me sento ao pé de seu tronco, deleitando-me de suas doces frutas.


Portanto, meu amigo e amiga, mesmo que não goste, ande, caminhe, pois além de fazer muito bem, você sempre será acompanhado de doces lembranças, e se não forem tão doces, lembre-se que se você chegou onde você está é porque você mereceu e  aquele ditado está certo: tudo passa, inclusive maus momentos.

Comentários

Comentários