Durante os festejos do Aniversário da Cidade, uma nova ONG de proteção animal bauruense, conhecida por suas ações de arrecadação de dinheiro nos semáforos da cidade, marcou presença distribuindo filhotinhos de animais domésticos aos presentes, com o suposto intuito de estar promovendo a adoção dos mesmos.
Alguns flagrantemente debilitados e em idade que nem o desmame ocorreu, o trabalho da tal ONG não deixa evidente o cumprimento dos protocolos que qualquer entidade de proteção animal minimamente séria colocaria em prática. Animais só devem se separar da mãe após o desmame e com o ciclo completo das 3 primeiras doses de vacinas necessárias para sua imunização no caso dos cães, além do que, o adotante deve estar suficientemente bem informado sobre todos os cuidados necessários para provê-lo em suas necessidades de forma correta, incluindo a revacinação anual dos mesmos.
Não nos consta também que a referida entidade tenha realizado o cadastro desses animais, para posterior acompanhamento dos mesmos e nem sequer a triagem dos adotantes, estabelecendo critérios para investigar se esses têm condições de arcar com todos os cuidados necessários para oferecer uma vida saudável e tranquila para o pequeno animal, durante toda a sua vida. Os pequenos filhotes estavam sendo entregues aleatoriamente a qualquer um, inclusive para crianças, sem nenhuma orientação ou compromisso em saber, posteriormente, para onde e sob a guarda de quem viverão, daqui por diante.
Ora, vindos de um abrigo, será que, ao chegar à nova casa, esses animais não apresentarão alguma doença? Será que, nesse caso, o adotante terá recursos para prover o animal de atendimento veterinário, medicamentos, alimentação e instalações adequadas para essa pequena e indefesa criatura? Se a resposta for não, será moralmente justo e aceitável submeter um pequeno animal a essa irresponsável e torturante “adoção”?
O que é mais indignante é saber que os órgãos competentes são coniventes com mais essa absoluta irresponsabilidade e falta de ética para com os animais e para com todos os preceitos minimamente responsáveis de saúde pública. Se, no momento em que se aplaude a iniciativa de um vereador bauruense em propor projeto de lei que coíbe o abandono de animais, me pergunto: essa não é uma forma de abandono camuflada de adoção? Como avalizar um projeto desses, se ele não prevê a realização de censo animal e identificação dos mesmos?
Por fim, mais uma vez, questionamos: o que é, afinal, Proteção Animal em Bauru? Não seria o momento de discutirmos normas para essa atividade, norteadas por tudo aquilo que já se sabe em termos de Ética para com os animais e para com os humanos, diante de princípios minimamente transparentes de saúde pública? Não seria esse, também, o momento de lutarmos por um Hospital Veterinário Público, haja vista a dimensão das intercorrências com animais e a incapacidade de muitos munícipes arcarem com as despesas veterinárias que é preciso enfrentar, quando se acolhe um animalzinho?
Diante do exposto, podemos afirmar convictamente: proteção animal não é coisa para amadores. Envolve uma série de conhecimentos que vão da Veterinária ao Direito, da Saúde Pública à Medicina e, infelizmente, fica evidente que a questão em Bauru vem sendo tratada por néscios e oportunistas que, em função daquilo que arrecadam, deveriam estar oferecendo um serviço que realmente minimizasse o flagelo do abandono de animais famintos e doentes em nossas ruas e não que o ampliasse, de forma absolutamente irresponsável.