Tribuna do Leitor

'Qualquer coisa go'

Edilson Marciano - Marido da Thaisa Marciano, que não gosta de Pokémon
| Tempo de leitura: 1 min

O que o Pokémon GO representa em nossa sociedade? Mesmo sem procuração da Nintendo, há que se questionar por que a evolução na forma de interação social incomoda tanto. Há muito tempo não se via pessoas ocupando os espaços públicos e agora as praças estão cheias de famílias procurando Pokémon. Que ótimo! Finalmente uma atividade que pais e filhos podem fazer juntos.


Vejo algumas pessoas reclamando que hoje em dia não se lê mais livros como antigamente, que as pessoas se isolam no Pokémon GO... Entretanto, esses críticos sequer sabem como funciona o aplicativo, que na verdade une as pessoas, porque não tem sentido jogar sozinho, ao contrário da leitura de um livro, que é “solitário-benéfica”.


Antigamente, em um tempo não tão distante, os livros eram empoeirados e cheios de ácaros; hoje, podemos ler pela internet, por um e-book, sem a necessidade de carregar aqueles trambolhos por todo lado. A tecnologia que envolve o Pokémon GO vai mudar a vida de todos nós em um breve espaço. A realidade aumentada permitirá que saibamos em tempo real como ficará uma roupa que será comprada pela internet, como um sofá ficará em sua sala.


Essa resistência com as mudanças não é nova. A música imortalizada por Elis Regina, pasmem, da década de 70, retratava a exata indignação dos pais de vários indignados de hoje. “Como Nossos Pais” já dizia: “Minha dor é perceber que apesar de termos tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...”.


E no final, o mundo evoluiu e os reclamões de amanhã serão os caçadores de Pokémon de hoje, que não saberão interagir com as tecnologias do amanhã, que se chamará “alguma coisa GO”.

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