Então, hoje é Dia dos Pais, uma data tão importante quanto o Dia das Mães. Não posso falar dos outros pais, mas com certeza posso escrever sobre o meu, Sr. Oscar, um pai que nunca me abraçou, beijou, nunca disse uma palavra de carinho e me dava umas bordoadas com alguma frequência... Mas eu o amava e amo! Como criticar um homem que teve uma educação do meu avô que nasceu no século retrasado?
Duro, inflexível, isso que ele passou para nós: ele foi o espelho da educação que teve, mas mesmo assim eu o amo. Por quê? Porque foi pai de sete filhos e criou todos da melhor maneira possível, porque nunca vi meu pai ébrio, apesar de sempre vê-lo tomar um “rabo de galo”, nunca vi meu pai falar um palavrão ou agredir a minha mãe...
Mesmo depois de aposentado da Força Pública, trabalhou por vários anos para agregar capital para nosso sustento, ouvia do meu quarto ele datilografando até a madrugada, fazendo trabalho para os estudantes do curso de direito. E esse era só um dos seus trabalhos; todo dezembro íamos na mata mais próxima pegar um galho para fazer a árvore de Natal, que minha mãe com tanto esmero enrolava com algodão e bolas que ainda eram de vidro...
Muito tempo depois descobri que meu avô, pai da minha mãe, ajudava financeiramente nesta data, como também com os materiais escolares, pois ele não tinha condições de comprar, que também quando eu perguntava ao meu pai o por que ele cortava o pãozinho do café da manhã em quatro. Ouvia-o dizer que era porque rendia mais. Tardiamente descobri que podíamos comer um só pão...
Sim, acredito que ele tenha errado em algumas coisas, mas convenhamos: que pai ou mãe que erra de propósito? Com único intuito de ferrar com a vida do filho? Quando nossos filhos nascem, não vem um manual explicando como deve ser a educação deles, não participamos de cursos ou palestras para melhor educá-los, usamos o que a sociedade diz e nosso arbítrio para melhor conduzi-los ao caminho do bem. Se ele errou, está perdoado, pois na grande maioria das vezes ele estava certo. Mesmo hoje vejo filhos criticando os pais por alguma atitude equivocada e percebo que muitos desses filhos, que já são pais, cometem erros, pois somos todos falíveis.
Disse no início que apanhei, mas foi porque fiz muita “arte”, como por exemplo tacar fogo em árvore seca no quintal, pisotear sua horta recém feita, jogar filhotinhos de cachorros no tanque cheio de água para ver se eles já nadavam... Sim, mereci todas as surras. No final, já velho e doente, cuidei dele, dei banho, troquei sua fralda, dei medicamento, levei no médico... Exatamente o que ele fez por mim quando criança.
Obrigado, pai: todos os dias lembro do senhor com carinho e amor e sei que, quando for embora desta morada, estarás me aguardando e preparando como um bom pai a continuação dessa minha nova vida.