Regional

Prainha de Itapuí depende de projeto

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Alex Mita
Praia de Itapuí também depende de revitalização e de investimento para melhorar estrutura

A prainha de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) está em estado lastimável. O antigo prédio que durante anos abrigou um restaurante popular é hoje um amontoado de tijolos com mofo e mal cuidado. As árvores que oferecem  sombra tem  a seus ‘pés’  restos de festas, muito material reciclável. A beirada do rio Tietê está cheia de lixo deixado pelos frequentadores. Faltam cuidados básicos. Mas essa realidade poderá mudar a médio prazo, diz o prefeito, José Eduardo Amantini (PSDB). 
Para revitalizar a prainha, o prefeito conta com a inclusão da cidade no projeto dos  Município de Interesse Turístico. A inclusão é sinônimo de um recurso anual em torno de R$ 500 mil. Porém, Itapuí vai concorrer com outros 140 municípios que têm o mesmo interesse. Portanto, não há previsão para a revitalização da prainha. Provavelmente, no próximo verão, previsto para ter início em 21 de dezembro, não estará pronta para ser frequentada. 
Para participar do projeto Município de Interesse Turístico, Itapuí precisa apresentar um plano municipal de turismo que está sendo finalizado pelo Conselho Municipal de Turismo. “É uma das exigências técnicas para pleitear a vaga. Após o período eleitoral, em outubro, vamos aplicar R$ 130 mil , sendo R$100 do Estado e R$ 30 mil de contrapartida do município. Vamos recuperar os acostamentos da avenida Jorge Chamas que é o principal acesso a nossa prainha.” 
Recentemente a prefeitura instalou um novo parque infantil. “Nas férias escolares está recebendo grande público de crianças e familiares tanto de Itapuí quanto da região. Na última semana recebemos dois ônibus de alunos da Fundação Educacional de Jaú que vieram fazer piquenique, enfim passar um dia de lazer.” 
A construção de pista de skate, em um local escolhido pelos próprios skatistas da cidade, já foi lançada explica o prefeito. “Estamos fazendo com recursos próprios, orçado em R$ 180 mil.  Vamos recuperar o antigo castelinho do porto que é um prédio que herdamos totalmente abandonado. Vamos trocar principalmente o telhado que está condenado.” 
O destino do imóvel vai ser decidido em audiência pública. “A população vai sugerir o destino. Tem algumas opções. Podemos torná-lo um espaço para abrigar a exposição e venda de artesanatos, um aquário com peixes do Rio Tietê associado a educação ambiental e um restaurante popular.” 
Amantini acredita que a vocação do município seja turismo de lazer. “Por ter uma bela paisagem natural. “No Estado há ecoturismo, turismo religioso, de aventura etc. O nosso será de lazer. Temos uma praça que foi revitalizada e um restaurante que serve comidas caipira.” 
Ele lembra que no mês de aniversário da cidade, setembro, moradores do Terra de Santa Maria farão uma limpeza nas margens do Rio Tietê. “Eles percorrerão três quilômetros de margens recolhendo lixo, especialmente recicláveis que os frequentadores abandonam no local. Eles vão ajudar a nossa cidade a ter as margens limpas.”

Interesse turístico

O prefeito de Itapuí, José Eduardo Amantini, explica que o projeto do governo do Estado que já se tornou lei beneficia mais municípios. “Havia 67 estâncias e ele arredondou para 70. Recebiam por ano R$ 3 milhões cada uma. Recursos do Dad. Com essa nova lei, o governo tirou parte do bolo e criou novo fundo. A escolha dos participantes é técnica e cada um dos municípios contemplados receberá R$ 500 mil/ano.” 

Arealva consegue investimento e melhora a praia

Caminhar sobre as águas é um tema bíblico usado pelo prefeito de Arealva, Paulo Padanosque Pereira (PSB), para falar que na prainha é possível caminhar 250 metros sobre as águas. O local, segundo ele, até 2014, estava em estado de degradação. “Um pequeno investimento não ia resolver o problema. Seria como jogar uma xícara de areia numa praia. Fui buscar recursos junto ao Fundo de Investimentos Difusos (FID). Conseguimos um aporte de R$ 1,5 milhão e entramos com cerca de R$ 98 mil, nossa contrapartida. A prefeitura, de forma direta e indireta ajudou na execução da obra.” 
Com o recurso em caixa, no início do ano passado, começou a revitalização. “Fizemos muita coisa. São 250 metros linear de píer. Toda a areia foi trocada. Tive o cuidado de pegar diversas amostras de areia na região. Escolhemos a areia do Rio Jacaré-Pepira porque é um rio que tem menos poluição e a areia é menos contaminada. Foram cerca de 500 metros cúbicos.” 
Para acomodar melhor os turistas foram construídos 25 quiosques, 10 deles na área de camping e os demais na área destinada aos banhistas. “Construímos banheiros na área de camping e reformamos os banheiros da área de banhista. Fixemos a arborização, instalamos 25 postes. Asfaltamos o acesso e fizemos recape em outra.” 
A sinalização feita na prainha indica cada um dos setores, área de pesca, camping, desembarque de barco, estacionamento. “As obras foram entregues em abril deste ano, durante os festejos de aniversário da cidade. Espero atrair os turistas da região. Quero que eles conheçam também outros atrativos. Temos orquidários, cachoeiras no bairro santa Isabel.” 
O prefeito incentiva a prática de caminhada e pedaladas. “Construímos uma ciclovia ligando o Centro da cidade à prainha e estamos concluindo a ligação do Centro com o Distrito Industrial. ” 
Para o futuro, Padanosque Pereira pretende atrair um hotel fazenda. “Aos poucos a iniciativa privada vai chegando à cidade. Temos restaurantes e pesqueiros sendo revitalizado. À beira do Tietê poderá atrair um hotel fazenda para atender a demanda. Estamos na Frente dos Municípios de Interesse Turístico (Frenitur) e fomos  aquinhoados com 50 mil/mês, R$ 500/ano. Com esse recurso vamos fazer mais melhorias.”  Ele lamenta que o esgoto de Bauru ainda esteja sem tratamento e poluindo Arealva. “O Tietê pode se tornar um rio menos despoluído do que é hoje. O que diminuiria a poluição seria o tratamento de esgoto de Bauru que está caminhando a passos muito lentos.”
Nos finais de semana, os carros e os frequentadores pagam uma taxa para poder usufruir do espaço. 

Revitalização  

O aposentado Ademir Trevejo mora em uma chácara em Arealva e frequenta a área de pesca da prainha de Arealva. “Ficou muito bom. Os pescadores estão separados dos banhistas. Os salva-vidas estão sendo treinados pelos bombeiros. Tá tudo limpo e organizado. Nos finais de semana, o movimento de turista é muito grande. Eles cobram a entrada.”  
Uma família de Bauru, que fazia muito tempo que não visitava a prainha de Arealva, resolveu conferir a revitalização do local e aprovou. “Fazia um bom tempo que eu não vinha aqui. Fiquei surpresa com o que encontrei. Tem píer, quiosques e local separado para a pesca e banho. Vim com a família. Gostei muito e vou passar a frequentar”, disse Brasilina Martins Piccolo.  Alcides Souza que fazia parte da mesma ‘turma’ disse que todo ano vinha. Deixou de vir quando a prainha ficou desarrumada. “Ficou ótima. Vou voltar outras vezes”, comentou. Ele e a ‘turma’ trouxeram almoço para degustar à beira do rio. 

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