| Éder Azevedo/JC Imagens |
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| Embraer de Botucatu, junto com outras filiais, está incluída no Plano de Demissão Voluntária |
A Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, dará início no próximo dia 23 a um Plano de Demissão Voluntária (PDV). O programa, que integra pacote de medidas adotadas pela empresa com o objetivo de contornar a crise no setor, também será aberto à unidade de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), que emprega cerca de 1.800 funcionários. O sindicato da categoria acredita em baixa adesão e teme futuras demissões.
A abertura do PDV já havia sido anunciada pela Embraer no último dia 8. Na quarta-feira (17) foram divulgados os termos do programa. De acordo com a empresa, os funcionários poderão aderir ao PDV entre os dias 23 de agosto e 14 de setembro. As inscrições serão analisadas até 23 de setembro e o desligamento dos empregados ocorrerá na primeira semana de outubro.
O pacote de incentivos inclui pagamento rescisório equivalente a do desligamento sem justa causa (com aviso prévio, incluindo quinquênios, férias e abono de férias, 13º salário proporcional e 40% do FGTS) e indenização adicional proporcional ao tempo de empresa, de 40% do salário nominal por ano de casa, garantindo um mínimo de dois salários nominais brutos.
O PDV será isento de Imposto de Renda, de acordo com a legislação. A Embraer está oferecendo, ainda, pagamento de seis meses dos planos de saúde e de assistência odontológica para o empregado e dependentes já cadastrados, além de apoio e orientação para o processo de transição de carreira ou de aposentadoria.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu e região, Miguel Ferreira da Silva, explica que o órgão não assinou o PDV da Embraer. “A gente sabe que não vai ter muita adesão. O trabalhador hoje que sai de uma empresa não vai se recolocar no mercado de trabalho tão cedo”, diz. “Nossa preocupação é após esse período porque eles vão ter que abaixar custos”.
Adequação
A Embraer alega que precisou adequar os custos à realidade da sua receita em razão de um período de dificuldades no setor. Nos dois primeiros meses de 2016, a empresa revela que gastou mais de US$ 600 milhões.
“A aviação executiva não está se mostrando um mercado tão promissor quanto foi projetado no passado”, diz. Em 2008, segundo a Embraer, foram entregues no mundo todo 1.200 jatos executivos. Para este ano, a previsão é de 600. Com as medidas de contenção anunciadas, que incluem, além do PDV, melhor gestão de estoque e revisão de contratos com fornecedores, a empresa espera economizar US$ 200 milhões por ano.
