| Fotos: Douglas Reis |
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| Guiados pela imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, milhares de cristãos participaram da caminhada, ontem pela manhã |
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O céu cinza não intimidou os fiéis que participaram, nesse domingo (21) pela manhã, da Caminhada da Família 2016, em Bauru. Milhares de pessoas enfrentaram vento, frio e até chuva enquanto percorriam o trajeto que saiu da quadra 18 da avenida Getúlio Vargas sentido o Santuário Nossa Senhora de Fátima, na avenida Comendador José da Silva Martha, na Zona Sul da cidade.
Unidos em orações e principalmente por canções consagradas da Igreja Católica, tanto crianças quanto jovens, adultos e idosos cumpriram o percurso do evento ecumênico encerrado com missa, iniciativa que arrecadou três toneladas de alimentos a serem distribuídos a entidades assistenciais já atendidas pela Diocese de Bauru.
Sob o tema “Misericórdia na família é dom e missão” e o lema “Restaura minha casa, Senhor”, a caminhada foi conduzida pela imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre todas as dioceses do País por conta dos 300 anos de sua aparição no rio Paraíba do Sul, a serem comemorados no próximo ano.
Caminho
“O papa Francisco declara este ano o ano da Misericórdia. E misericórdia na família significa ter tolerância, paz, paciência, perdão dentro de família. Se eu não começo a ter misericórdia com os próximos, dentro de casa, como vou praticar no dia a dia? E é disso que o mundo precisa. O mundo está muito árido, intolerante, os relacionamentos difíceis”, comenta Padre Marcos Pavan, que é assessor da Pastoral Familiar e nesse domingo (21) representou dom Caetano Ferrari.
O bispo não esteve presente porque participa de um congresso eucarístico em Belém (PA). Segundo o padre Marcos, a família é a primeira educadora. “É onde tudo eu aprendo, os valores da vida, a fé, moral, ética. A igreja trabalha no sentido de acolher a todas as famílias. Não é para apontar erros, limitações das pessoas, mas apontar o caminho que é Jesus, é paz, é tolerância, é misericórdia”, afirma.
Padre Marcos seguiu o percurso da caminhada em meio aos fiéis, muitos vestidos com a camiseta do evento. Ele estima que entre oito e dez mil pessoas tenham participado da caminhada. Já a Polícia Militar calculou 15 mil. Muitas delas levavam cartazes de suas respectivas paróquias com mensagens específicas. Alguns ainda levavam bexigas e bandeiras.
Grande parte dos participantes também estava munida de guarda-chuva e, um deles, até de guarda-sol, muito bem empregados ontem. Quando água literalmente caiu do céu por alguns minutos, os fiéis cantavam em uma só voz “vai chover sobre nós água viva”.
‘Papa quer uma igreja em saída’, diz jovem
“O papa quer uma igreja em saída e é importante ligar isso com a família, que tem sido agredida de tantas formas”, diz o jovem José Luiz Vasconcellos Silva, 24 anos, já ministro da Eucaristia. Ele e a amiga Bárbara Tardivo integravam ontem da caminhada, felizes também por terem participado da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Cracóvia (Polônia), encerrada no final do mês passado.
“Aqui, demonstramos a força de Deus por intermédio da nossa família”, acrescenta ela. E a de Paulo Guimarães Silva exibia também muito contentamento, ontem. Sobre os ombros dele estava o neto Saulo Martins Silva, 2 anos, que se divertia. Seus sorrisos encantavam a todos, principalmente mãe e a avó, respectivamente Géssica Queiroz Martins e Celina Maria Queiroz Martins.
“As crianças precisam interagir desde cedo. Criá-las é sempre um desafio”, diz Débora Vendimiatti, que levou inclusive Gabrielly de 3 meses, além do irmão Miguel Balbi, 8 anos, na companhia do marido Marcelo Vendimiatti. E para demonstrar fé e gratidão, Fábio Simões veio de Agudos para fazer o trajeto apoiado em muleta. “Sofri um acidente de moto e fiquei 28 dias em coma”, comenta após superar período tão difícil. Cada qual com seu motivo, seguiu marcha, inclusive Maria Luiz Carneiro de Oliveira e Darci Xavier Letter, ambas de 73 anos.

