Tribuna do Leitor

A relatividade dos ideais republicanos

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

A concepção de República - que qualifica a forma de governo em que o chefe de Estado é eleito pelos representantes dos cidadãos ou pelos próprios cidadãos, e exerce sua função durante um tempo limitado - é o entendimento clássico de sua conceituação. No Brasil, relativamos esses preceitos, abdicamos das ambições virtuosas dignas, para simplesmente darmos um golpe de Estado perpetuando uma elite na condução do país.

Nossa Proclamação da República foi por meio de um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889, um ano depois da Abolição da Escravatura no Brasil. A República Velha, que ocorre de 1889 a 1930, foi marcada pela dificuldade de materialização da ética republicana, por premissas das fortes oligarquias latifundiárias, e por insurreições. Foi o Estado dominado e conduzido pelas classes dominantes e abastadas, mediante pactos políticos firmados entre elites.

Foi um verdadeiro império de barões oligárquicos herdeiros das Capitanias Hereditárias que sempre se locupletaram de nossas riquezas e do labor alheio, ou seja, a 1ª República no Brasil foi uma grande farsa, um embuste que tinha apenas o desígnio nada republicano, de não admitir liberdade e justiça social.

Esse ideal republicano no Brasil jamais se materializou efetivamente. Nossa história e o enredo de pequenos períodos de justiça social e prosperidade, sempre foram interrompidos por golpes armados ou parlamentares, como acontece na contemporaneidade. Jamais os barões abdicaram do poder ou de seus privilégios. O conceito de relativismo republicano associado à uma subserviência aos interesses antirrepublicanos e anti-soberanos sempre foram os preceitos seguidos.

Segundo Benjamin Constant, líder francês de reconhecida oratória e que foi um dos protagonistas da segunda metade da Revolução Francesa, ponderou sobre a vitalidade republicana: “Os depositários do poder têm uma disposição desagradável a considerar tudo que não é eles como uma facção. Eles chegam a incluir, às vezes a própria nação nessa categoria”.

Vivenciamos um simulacro embusteiro de democracia onde as ambições de nosso povo são compradas pelos verdadeiros donos da república. Este sistema distorce de forma sistemática as instituições republicanas. Veja por exemplo, o Congresso Nacional fracionado em sua representatividade em bancadas eleitas a preço de ouro sustentado por propinas. A quem serve esses representantes? Ao povo? Ao princípio Republicano? Ou aos seus financiadores?

Nosso Poder Judiciário é equânime? Eficiente? Justo? Ou é uma casta social que recebe grandes salários e privilégios a despeito da grande maioria do povo brasileiro? Precisamos parar de brincar de República e relativarmos preceitos fundamentais para a edificação de um país menos injusto.

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