Tribuna do Leitor

Aprendendo pelos caminhos

Roque Roberto Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Havia passado pela formosa juventude e agora olhava em direção à linha do horizonte. Era domingo e uma linda tarde de sol muito branco, o céu pintado pelas cores cinzento-claro do inverno, ele teve a sensação de estar sendo invadido por muitas dúvidas e outras tantas incertezas. Afinal, será que nos caminhos percorridos havia deixado de aprender coisas da vida espiritual, envolvendo-se apenas com a ótica da materialidade? O momento era oportuno para suas reflexões. Estimulado pela leitura na luminosa biblioteca com livros de Allan Kardec, Léon Denis, Eurípedes Barsanulfo, Francisco Cândido Xavier, Divaldo Franco e Jésus Gonçalves,  passou a conhecer os novos caminhos da sua existência. Sempre que possível visitava livrarias e bancas com livros da doutrina ou de filosofia espíritas e jornais especializados na divulgação dessas verdades que por tanto tempo desconheceu. Subitamente sentiu-se iluminado por essas páginas tão ricas de revelações, doutrina que respondia tão bem muitas questões e esclarecia em singelas palavras a razão e a consciência. Em alguns momentos lembrou-se de ter colocado suas atividades profissionais no centro dos interesses  mas ao mesmo tempo questionava como viver espiritualmente em meio às lutas do cotidiano. Havia necessidade de avançar em direção àquilo que é o cerne da espiritualidade: a desejada relação de colóquios com Deus, ou seja, viver a experiência de visitá-Lo e deixar-se visitar por Ele em meio aos embates diários e fazer desta oportunidade o espaço habitual desses encontros. Nas tardes outonais ou de inverno o casal  se embevecia com a beleza da natureza ao por do sol, era esse o momento de abrir os livros de Chico Xavier falando pelo espírito Emmanuel as invocações e recordações dos fatos acontecidos ou por acontecer,  a leitura de textos em linguagem poética e cristalina, trazendo com a meditação os momentos de paz, encerrando o dia com as preces,  com o pedido de bênçãos ao Criador de todo o universo. Nessas leituras vespertinas – o chamado Evangelho no Lar -  o casal enamorado era tomado da sensação gostosa de ter estado em sintonia com os bons Espíritos, portadores das mensagens e pedidos dirigidos ao Pai. Momento mais importante para agradecer pela vida e pelas  experiências laboriosas de mais um dia.... Ao encerrar este texto de caminheiro aprendiz,  recordava-se dos autores citados. Seguramente, todos conheceram  as trilhas dos caminhos e foram até bem mais longe e incomparavelmente melhor. Ele, ao contrário,  estava apenas começando, aprendendo por esses mesmos caminhos e perdendo o pudor de escrever sobre um assunto que trata da espiritualidade. Sob a luz da divinal doutrina espírita,  até mesmo no  fato doloroso de uma  terminal doença é cabível uma reflexão de como a vida pode ser saboreada até mesmo quando se transforma em morte. Sob o efeito desses ensinamentos, pergunta-se: a que se reduz a idéia da morte?

A morte mais não é que uma transformação necessária e uma renovação. Observa-se a própria natureza em permanente renovação, nada perece realmente, exceto a matéria feita de barro. Apenas a  libertação do Espírito nos infunde a ideia de alma imortal. A partir deste conhecimento, escorado na doutrina e filosofia espíritas, admitiu relativizar muita coisa,  abrindo o cérebro  e o coração para um mundo que agora se tornou completamente diferente no tocante à eternidade da alma, crença colhida ainda nos tempos de menino, mas que agora parece transformar-se numa absoluta certeza.

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