O parque de diversões Hopi Hari, localizado em Vinhedo, interior de São Paulo, entrou nesta quarta-feira (24), na Justiça com pedido de recuperação judicial. O pedido foi apresentado pela empresa e suas controladoras - HH Parques Temáticos e HH Participações S/A, na Comarca de Vinhedo, de acordo com comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Com uma dívida de cerca de R$ 300 milhões, dos quais R$ 200 milhões contraídas com o BNDES e o restante nas mãos de debenturistas (detentores de títulos) e outros credores, a companhia não tem conseguido gerar caixa.
O advogado Daltro Borges, do escritório Ferro, Castro Neves, Daltro & Gomide Advogados, que representa a companhia, afirmou que o Hopi Hari está em conversa com investidores na tentativa de se reerguer. O pedido de recuperação judicial foi na 2ª Vara Cível da Justiça de Vinhedo. A empresa tem um pedido de falência em curso na 1ª Vara Cível da mesma Comarca.
Segundo Borges, a exigência desses potenciais investidores aos controladores seria que a empresa entrasse com pedido de recuperação judicial para poder fazer o aporte. "A expectativa é apresentar o plano de recuperação nos próximos 60 dias e negociar o aporte. Os donos aceitam abrir do controle", afirmou. "Com exceção do BNDES, a companhia não tem dívida com outros bancos. Ela tem se financiado por meio de factorings, que é dinheiro caro", afirmou.
Em julho, a empresa passou por um revés, aprofundando sua crise. A Justiça de São Paulo autorizou o empresário Cesar Augusto Federmann, um dos credores da companhia, a fazer a retirada de uma montanha-russa do parque. Borges afirmou que a companhia fechou acordo sobre esse tema. Essa montanha-russa era uma das grandes atrações e promessa de receita para a companhia.
No início de agosto, visitantes que tentaram entrar no Hopi Hari encontraram as portas fechadas. Funcionários da companhia entraram em greve por conta de salários atrasados.
A situação financeira da empresa foi agravada após o acidente em 2012, no qual uma adolescente faleceu ao cair de um brinquedo no parque, afirmou o advogado. O parque teve de ser fechado por conta do acidente, agravando a crise. O faturamento bruto, à época, era em torno de R$ 100 milhões e, desde então, vem caindo.
O parque de diversões recebe, em média, 80 mil visitantes por mês e o período de alta temporada é de setembro a janeiro. Procurado, nenhum porta-voz da empresa retornou os pedidos de entrevista.
Meta ambiciosa
Fundado em novembro de 1999, o parque de diversões tinha como controlador o fundo GP Investments, além dos fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Petros (da Petrobrás) e Sistel como acionistas.
O investimento, à época, foi estimado em US$ 200 milhões e foi idealizado para ser um complexo de diversão à altura dos parques temáticos americanos. Em 2008, os fundos venderam suas participações por um preço simbólico para a consultoria Íntegra Associados, reunidos na HH II Participações.
Quando repassou o controle, a companhia já acumulava pesadas dívidas e foi considerado um dos investimentos mal sucedidos por esses fundos. Outros acionistas ingressaram ao grupo no início deste ano, segundo fontes.
Uma onda de fundos começou a investir em parques temáticos no início dos anos 2000, mercado que era considerado resiliente, mas os retornos não foram como o esperado.