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O que educação tem a ver com Olimpíada?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Na abertura da Olimpíada que, inegavelmente, foi um sucesso brasileiro perante as nações do mundo,  a simples afirmação de um comentarista da TV Bandeirantes marcou-me profundamente, sendo até o motivo para escrever esta matéria. Foi quando no desfile das delegações participantes deu entrada a dos Estados Unidos, vibrante, barulhenta, segura e numerosa. Ele afirmou categoricamente: “Lá vêm os papa medalhas!”. Guardei sua afirmação porque realmente ele tem toda a razão, pois analisando o quadro geral de medalhas verifica-se que aquele rico país conseguiu 46, 37, 38 - totalizando 121 medalhas, enquanto que o nosso, graças a atuações heróicas, desprendidas e individuais participações dos atletas, conseguiu o escore de 7, 6, 6, totalizando 19, na 13ª colocação.


Procedendo-se ainda à outra análise do referido quadro de medalhas, constata-se fato deveras interessante, ou seja, uma ordem decrescente do poderio social econômico dos países medalhistas enquadrando-se naquele axioma: “Quem tem mais tende e pode oferecer mais”. Traduzindo, pode-se afirmar, sem sombra de dúvidas, que quanto mais rico o país, em qualquer Olimpíada ele sempre aparecerá com a maior delegação de atletas melhor preparados com chance de ganhar o maior número de medalhas nas três categorias.


Finalmente, qual a razão ou, melhor perguntando, o segredo desse desnível social econômico entre os países do mundo ou participantes? É a educação, educação em todos os seus níveis e abrangências. A educação fundamental ou básica, média, superior, científica, social e principalmente cívica, pela conservação dos seus valores e de sua história. Algum leitor poderá contestar afirmando que esta é a visão de um educador que “puxa a sardinha do seu lado”. A minha afirmação é um simplesmente nada ante às declarações dos maiores economistas, banqueiros, industriais, empresários, sociólogos e outros estudiosos do mundo.


Não existe outro meio ou caminho; não há medida de governo que  consiga enriquecer um país a não ser investindo em educação, no homem presente e do futuro. A educação gera riquezas e forma a criança, o jovem, o atleta, o homem, a sociedade do presente que tornar-se-á passado. Terminada a euforia desta belíssima Olimpíada, como ficarão os nossos ganhadores e participantes? Cairão no esquecimento sendo lembrados apenas para a próxima de 2020 no Japão ou continuarão assistidos e incentivados? Temos projetos extraordinários como o Guri, do Sesc, e das delegacias regionais de Cultura - que perdemos para Marília -, que têm gerado excelentes e marcantes resultados.


Não seria o momento histórico e temporal após a Olimpíada Rio 2016 de serem criados pólos desportivos nas cidades regionais pondo à disposição de crianças, jovens e adultos as várias modalidades de esporte e não apenas o futebol? Sem investimentos na educação, os papa medalhas continuarão sempre os mesmos.


O autor é membro da ABLetras e colaborador de Opinião

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