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Notícias do hospício

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Que “Escolinha do Professor Raimundo”, que nada. Há um certo “esquadrão suicida” da comédia nacional confinado ali mesmo no Senado. E não sou eu a falar mal: quem deixou claro isso foi o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, comparando o local a um “hospício”.

A amalucada declaração, como muita gente já viu, ocorreu na sexta-feira durante tensa e tosca sessão da politizada etapa final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Alvo de denúncias de corrupção em 2007 e considerado um dos brasileiros mais influentes em qualquer pesquisa, Renan comparou o templo das leis com lugar de gente doida ao, na condição de anfitrião, pedir desculpas ao presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, pelo baixo nível dos debates. Como se sabe, Lewandowki comanda os trabalhos do processo por ali.

Renan também disse que aquela sessão era a demonstração de “burrice infinita” e, de certo modo, apenas explicitou o que todo mundo já sabe: os políticos brasileiros fazem o cidadão rir, mas já dizia o poeta: rir demais é desespero. É uma confusão atrás da outra e sem sinais da tal “união nacional em torno dos interesses do povo”, como costuma-se alardear.

O “terrir”, expressão que define a mistura de terror e humor no cinema, deve continuar em cartaz na política atual graças ao horário eleitoral gratuito: mistura de mesmice e sandice. Apertem os cintos: os pilotos são birutas!

Em tempo: o nome de batismo de Renan é José Renan Vasconcelos Calheiros. Lembra muito o do humorista José Vasconcelos (1926-2011). No Senado, assim como na “Escolinha...”, onde Zé também esteve, Renan não será o único a disparar frases de efeito, tal qual bordões de humor.

Todos ali no Senado se sentem bem à vontade para falar o que bem entendem. As câmeras estão neles e é por isso que são famosos e ganham bem. Quanto ao povo, o salário, ó!...

 

O autor é editor executivo do JC

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