| Samantha Ciuffa |
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| Sheila Cristina Chaves, 30 anos, tem dois filhos e também é a segunda vez que doa para o Banco de Leite; na foto, com o pequeno Eduardo, de seis meses |
Há muitas formas de salvar vidas. E doar leite humano e sangue para os respectivos bancos é uma dessas formas.
O Banco de Sangue de Bauru coleta, em média, 1.300 bolsas de sangue, cada uma com 450 ml, para abastecer toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS): Hospital Estadual, Hospital de Base, Pronto-Socorro Central, Lauro de Souza Lima, Maternidade Santa Isabel e mais oito cidades da região.
Segundo a assistente social da entidade, Valéria Ferreira Nunes Coltri, é um estoque que tem conseguido atender a demanda, mas tudo o que entra sai, ou seja, não há sobras (leia mais na página 2).
Já o Banco de Leite Humano, da Secretaria Municipal de Saúde, recebe, em média, de 60 a 90 litros/mês. O ideal seria que o banco recebesse entre 100 e 120 litros, de acordo com a coordenadora da unidade, Maria Nereida Panichi.
Inverno
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É comum que diminua o número de doadores nessa época do ano. “No caso do leite, o inverno é um período que dificulta a exposição das pessoas e é também nessa época que os bebês se alimentam mais porque precisam de mais energia para a manutenção da temperatura corporal. Na época de festas de fim de ano a diminuição se repete”, observa Nereida Panichi.
A coordenadora do banco de leite estima que há uma média de doadoras que varia de 25 a 40 mulheres. Porém, o que mais importa é o quanto cada uma delas doa. “Hoje, por exemplo, estamos com menos doadoras e mães que estão doando em menor quantidade”.
Necessidade
O leite humano faz toda a diferença na recuperação de crianças. O Banco de Leite de Bauru distribui para hospitais com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal: Hospital e Maternidade São Lucas, Hospital Unimed e Maternidade Santa Isabel.
“O trabalho de divulgação e orientação sobre a necessidade de doação de leite humano que as unidades de saúde, clínicas e todas as instituições e locais que assistem a mulher no seu pré-natal e pós parto fazem é imprescindível”, analisa Nereida Panichi.
Parcerias também ‘garantem’ banco de sangue
Além das dezenas de pessoas que voluntariamente procuram o Hemonúcleo de Bauru, a parceria com instituições e empresas públicas e privadas tem ajudado a manter o Banco de sangue do município, segundo informações da assistente social da entidade, Valéria Ferreira Nunes Coltri.
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Exemplo são igrejas, empresas e universidades. “É a comunidade que vem nos ajudar. Normalmente, esses grupos nos procuram para ações de cidadania. É o que nos ajuda a atravessar todo o ano e a organizar a nossa agenda. Estamos, inclusive, abertos a novas parcerias como essas”, comenta a assistente social.
Por mês, o banco de sangue consegue coletar, em média, 1.300 bolsas de sangue, cada uma com 450 ml, que abastece toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) de Bauru: Hospital Estadual, Hospital de Base, Pronto Socorro Central, Lauro de Souza Lima e Maternidade Santa Isabel, e mais oito cidades da região. “Nosso estoque tem conseguido atender a demanda, mas tudo o que entra sai”, grifa Valéria.
É comum que as doações de sangue diminuam nos meses de inverno por causa da queda de temperatura, entretanto, sabendo dessa redução típica da estação, a equipe do Hemonúcleo se prepara com ações e campanhas de conscientização, o que tem ajudado a não deixar o banco com o estoque baixo demais. “A gente intensifica as campanhas. Entramos em contato com os doadores por e-mail, redes sociais, mensagens via celulares, falamos com familiares de pacientes que receberam transfusão e pedimos que ajudem com doadores. E, com essas estratégias, conseguimos manter o equilíbrio”, comenta Valéria Coltri.
Exemplo de vida
O autônomo Carlos Minoru Aoki tem 57 anos e vive a sua “segunda fase” como doador. Isso porque, quando mais jovem, ele doava sangue a cada dois meses, mas parou por um tempo por problemas na pressão arterial, e agora volta com força total, garante.
“Agora minha pressão está controlada, então quero voltar a doar a cada dois meses. Graças a Deus eu nunca precisei de transfusão, mas sei da importância desse gesto para os que precisam”, grifa.
De primeira viagem
Já o vendedor Carlos dos Santos Maia Júnior, 25 anos, doou sangue durante a semana pela primeira vez. Gostou da iniciativa própria e promete doar sempre que possível ou sempre que for “convocado”.
“Eu vim para repor o sangue que o avô da minha namorada precisou para uma cirurgia. Confesso que foi muito mais fácil do que eu imaginei. Doar sangue agora é uma meta em minha vida”, diz.
A namorada de Carlos é a auxiliar administrativa Amanda Pimentel, 26 anos, que também doou sangue pela primeira vez durante a semana. Outra semelhança é o fato da jovem ter desmistificado para si mesma a doação.
“Eu achei que fosse doer, mas nada disso. É como um exame de sangue, só que mais demorado. É muito mais simples do que eu pensei. E vou doar outras vezes com certeza”, finaliza.
Doar salva vidas e faz bem ao coração
Mamãe de primeira viagem, a auxiliar administrativa Laís Samara Buzzola, 27 anos, faz questão de amamentar o pequeno Heitor, de pouco menos de 3 meses, e de também doar o seu leite para o Banco de Leite Humano de Bauru. Assim como ela, mulheres que doam leite acreditam que o gesto, além de ser capaz de salvar vidas, faz bem também às doadoras.
“Eu me sinto duplamente feliz. Primeiro porque posso amamentar o meu filho e, segundo, porque tenho leite suficiente para doar para os bebês que precisam. Agradeço muito a Deus por isso”, enfatiza Laís.
A jovem começou a doar quando seu bebê estava com 10 dias. Foi em um curso de gestante que ela recebeu informações sobre a necessidade dessa ação solidária. “Procurei o Banco de Leite e obtive toda a orientação necessária”, lembra.
Laís já chegou a doar um litro de leite por semana. “Vou dar um exemplo de como o leite materno é importante. Meu filho ainda não tem 3 meses e já está com sete quilos. É um alimento santo. Você doa e não falta. Parece até que aumenta”, observa.
Amor em dose dupla
A técnica de farmácia Sheila Cristina Chaves, 30 anos, teve seu segundo bebê há seis meses e, assim como fez quando teve o primeiro filho, faz questão de amamentar e doar o seu leite para o Banco de Leite Humano.
“Meu primeiro filho, Felipe, nasceu há três anos. Agora veio o Eduardo. Graças a Deus tenho bastante leite, então eu amamento e ainda reservo uma boa quantidade para doar. Eu trabalho em um hospital e acompanho como é difícil, a dificuldade dos bebês e das mães que precisam dessa boa ação. Eu posso dizer com toda a certeza para as mães que possam ter algum receio que doar leite só traz benefícios para todo mundo”, narra Sheila.
É uma forma de dar carinho
“Poder doar o meu leite é uma forma de dar e receber carinho e amor. É assim que eu me sinto”. Quem afirma é a escriturária Regina da Silva, 34 anos.
Mamãe pela primeira vez, ela doa semanalmente cerca de um litro para o Banco de Leite, há dois meses, quando nasceu o seu filho Adrian.
“Quando percebi que tinha bastante leite, liguei para o banco e recebi todas as instruções necessárias. Uma amiga que já doou me orientou e eu aconselho a todas que doem também”, finaliza.


