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Dilma ataca plano de ajuste fiscal do governo em julgamento do impeachment

Por Isadora Peron,Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves e Ricardo Brito | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Lula marques/AGPT
Presidente afastada Dilma Rousseff depõe no Senado

Ciente de que a reversão dos votos dos senadores é uma tarefa difícil, a presidente afastada Dilma Rousseff usou o discurso de defesa no plenário do Senado, nesta segunda-feira (29), para atacar as principais medidas econômicas propostas pelo governo do presidente em exercício, Michel Temer.

A fixação de um teto para os gastos públicos, a modificação das regras para o acesso à Previdência e a revisão das regras trabalhistas foram criticadas pela petista.

O discurso deu munição para os críticos do ajuste fiscal encampado pelo governo Temer e fez com que até mesmo senadores que defendem o impeachment reagissem com cautela ao apoio para a aprovação das medidas mais duras para o saneamento das contas públicas.

"A aprovação desses projetos vai depender do desempenho do governo em dar as explicações à população. Temer vai ter de ir à televisão, chamar a rede nacional... A questão primária para a aprovação do ajuste é convencer a população", disse o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO).

Ele voltou a criticar a "incoerência" do governo interino em pedir a aprovação de medidas do ajuste e, ao mesmo tempo, dar aumento aos servidores e cogitar a criação de novos ministérios.

Profissional

Para o presidente em exercício do PMDB e ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (RR), após a aprovação do impeachment, o governo Temer terá de ser "profissional" para aprovar as reformas e retirar o País da crise.

Jucá, em conversas reservadas, avaliou que, por ora, a gestão Temer está na "fase fácil". Mas que será preciso aprovar as reformas estruturais a fim de reverter o desemprego, aumentar o nível de investimento do País e ainda melhorar o endividamento público.

Aos senadores, Dilma classificou a PEC do teto dos gastos públicos como "a ameaça mais assustadora". "É congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação", disse.

Sobre pontos da reforma da Previdência, como a desvinculação do piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo, a presidente disse que serão a "destruição do maior instrumento de distribuição de renda do País, que é a Previdência Social". Ainda classificou revisões que devem ser propostas na reforma trabalhista como "ameaças" que pariam sobre a sociedade.

"O ajuste proposto por Temer é uma loucura, desfaçatez. Propõe a mesma política liberal que quebrou a Grécia, é de uma irresponsabilidade absoluta", disse o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. Segundo ele, da forma como estão, dificilmente as medidas serão aprovadas. Na mesma direção foi a opinião da senadora Fátima Bezerra (PT-RN): "É uma bomba que vem na direção do desmonte de todo Estado de bem-estar social".

Aliados elogiam fala da presidente afastada

Aliados da presidente afastada Dilma Rousseff avaliam que ela fez um discurso contundente nesta segunda-feira (29) e está indo bem ao responder às perguntas dos senadores, mas não demonstram o mesmo otimismo quando questionados se vão conseguir reverter votos e barrar o impeachment.

Reservadamente, um senador petista afirmou que esse momento é importante para o registro histórico, mas dificilmente mudaria o placar da votação final.

Outros parlamentares evitaram fazer avaliações. "Eu aprendi na vida que decisão judicial e apuração você só tem certeza no momento. Eu sou daqueles que acredita sempre na democracia e espero que o Senado não venha enterrá-la", disse o senador José Pimentel (PT-CE).

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirmou que a fala de Dilma foi direcionada aos senadores indecisos, para convencê-los a votar contra o impeachment. "Ela dirigiu o seu pronunciamento a esses senadores, com quem já vem conversando", disse.

Já a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou que não seria o pronunciamento da presidente que iria mudar os votos, mas sim as articulações que foram feitas nas últimas semanas que poderiam reverter votos.

Dilma precisa de 28 votos para barrar o impeachment e voltar ao poder. Na última votação, que a tornou ré no processo, ela obteve apenas 21. Aliados do presidente em exercício, Michel Temer, calculam que cerca de 60 dos 81 senadores vão votar pelo afastamento definitivo da petista.

José Cruz/ABr
Manifestantes que dão apoio à presidente Dima se deitam no chão em frente ao Senado

 

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