| Samantha Ciuffa |
| Delegado Marcelo Firmino mudou registro após falar com legista |
A Polícia Civil de Bauru deu mais um passo ontem nas investigações sobre a morte de Kelly Karina Ramos, 29 anos. Grávida de cinco meses, ela foi encontrada morta em uma área de mata no Jardim Manchester, na manhã da última sexta-feira. O caso havia sido registrado como morte suspeita na data, já que a polícia disse não ter encontrado marcas de violência aparentes no corpo. Após conversa com o médico legista, o delegado Marcelo Firmino, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), alterou, ontem, a natureza do boletim de ocorrência (BO) para homicídio simples.
“A morte natural foi descartada. Tudo indica que o edema encontrado na cabeça dela foi causado por uma pancada de um agente contundente. Essa pancada não causou sangramento externo e nem quebrou ossos do crânio, mas provocou edema e paralisia cardiorrespiratória”, pontua Firmino.
O delegado reforçou ainda que o corpo não apresentava “sinais latentes de violência, como fraturas ou outras lesões que evidenciassem luta ou defesa”.
A DIG, no entanto, diz que ainda não teve acesso aos laudos do Instituto Médico Legal (IML), mas que a conversa com o legista foi suficiente para alteração do registro, já que não há dúvidas de que a vítima tenha sido assassinada.
A polícia também aguarda o resultado do exame que deve apontar se Kelly foi estuprada ou não.
Quanto à autoria do crime, o delegado afirma que duas pessoas são consideradas suspeitas até o momento e que elas serão ouvidas nos próximos dias.
O crime
Kelly foi encontrada morta por um guarda-parque durante uma fiscalização, em um terreno no cruzamento entre as ruas Felício Lanzara e Flávio Aredes Lopes.
Segundo o BO, ela estava totalmente despida da cintura para baixo e com apenas um dos seios cobertos por um top e pelo sutiã que ela usava. Próximo ao corpo, que estava de bruços e com um dos braços para trás, havia um cachimbo de crack, embalagens de preservativo, além de uma calça jeans, um bracelete e um par de sapatilhas que, possivelmente, eram da vítima.
Kelly não portava documentos, mas foi reconhecida por policiais por sua atuação como garota de programa na cidade.
Na sequência, a mãe dela foi localizada e reconheceu o corpo. Ela contou que a filha era viciada em crack e disse ter visto Kelly três dias antes do crime, quando a jovem teria sofrido uma tentativa de estupro.