| Bruno Freitas/Noroeste |
| Sub-17 do Noroeste, do técnico Dú Itapuí, durante videoaula com comissão técnica, avaliando tática com sugestões pedagógicas e fatores emocionais |
O Noroeste desenvolve um trabalho inédito na centenária história do clube. Uma grande equipe formada por um professor doutor em psicologia, alunos, analista de desempenho e a comissão técnica trabalham, diariamente, questões relacionadas ao emocional e ao padrão de jogo que está sendo implantado no Norusca. O processo é contínuo, de médio a longo prazo, e é um dos raros projetos deste nível realizado em categorias de base em times de todo o Centro-Oeste Paulista.
O projeto de psicologia do esporte foi um ideal que o coordenador-técnico da base, Emerson Carvalho, trouxe, recentemente, juntamente com o professor doutor em psicologia Jair Lopes Junior, do departamento de psicologia da Faculdade de Ciências da Unesp Bauru.
Juntamente com eles, trabalham neste processo pedagógico e de construção do currículo de formação na base do Noroeste os alunos do segundo ano de psicologia da Unesp, Victor Hugo Abreu, 19 anos, André Zacharias, 20, os técnicos Dú Itapuí, do sub-17, Elton Carvalho, do sub-15, Leandro Barboza “Mumú”, técnico-adjunto, Everton Carvalho “Alemão”, treinador de goleiros, Paulinho Iacanga, observador-técnico, Alexandre Moretti Moriconi, analista de desempenho e Diego Kami Mura, preparador físico.
“Dentro da prioridade de definir um currículo de formação que traduza os novos padrões de jogo do Noroeste, a perspectiva é a de desenvolver condições didáticas que permitam aos garotos conhecer e aplicar os princípios do futebol moderno. O passo inicial é definir com os treinadores as ações orientadas pelos conceitos na atuação da equipe. O seguinte é a definição das condições ideais de treinamento de tais repertórios. As aulas com vídeos de jogos de equipes modelos, adversários e dos próprios atletas têm sido um ótimo apoio didático. Em termos institucionais, vamos buscar formalizar as relações entre o Noroeste e a Unesp como projeto de extensão e produção de conhecimentos”, explica o professor Lopes Junior.
A equipe faz o acompanhamento antes e após os jogos. Ao longo da semana, eles realizam a tabulação e gestão de informações e resultados alcançados. “Buscamos que eles (jogadores) nos verbalizem suas dificuldades dentro e fora de campo e fazemos uma contribuição pontual, coletiva e individual”, completa o professor.
Análise ajuda identificar problemas na aprendizagem
Ao lado do analista de desempenho da base do Noroeste, Alexandre Moretti Moriconi, os graduandos em psicologia, Victor Hugo Abreu e André Zacharias, aplicam na comissão técnica e jogadores as avaliações emocionais, técnicas, comportamentais e de entendimento da plataforma de jogo e esquema tático que os técnicos programam para os treinos e jogos oficiais. “Com a análise dos dados, identificamos padrões e perfis que revelam possíveis problemas na aprendizagem dos conceitos da filosofia de jogo. A partir dessas análises, conseguimos dar um retorno para a comissão técnica com sugestões pedagógicas. Assim, sem deixar de lado os fatores emocionais, atuamos com foco na formação do atleta como jogador profissional”, detalha Abreu. Toda a equipe desenvolve um método de apoio didático profissional e os alunos buscam intensificar. “Registramos as informações, acumulamos dados e estas informações são tabuladas, organizadas em categorias teóricas e trabalhadas com o objetivo de trazer um retorno para comissão técnica e a diretoria. E já obtivemos ótimos resultados”, considera Zacharias.