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A dificuldade para alavancar as vendas não levou os lojistas a afrouxar os critérios para as compras a crédito. Mas, mesmo com as exigências para comprovar a capacidade de pagamento do consumidor, o tamanho do calote no comércio de Bauru aumentou nos últimos 12 meses.
Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), a dívida acumulada chegou a R$ 42,1 milhões no mês passado, R$ 6,5 milhões a mais do que o montante registrado em agosto de 2015, de R$ 35,6 milhões. Mas, surpreendentemente, o número de inadimplentes caiu no período, de 36.586 para 35.283 pessoas.
Como resultado destas variações opostas, o valor da dívida contraída por consumidor inscrito no cadastro de devedores sofreu alta, de R$ 973,18 no ano passado para os atuais R$ 1.194,57. “Normalmente, são os jovens entre 18 e 27 anos que fazem dívidas de maior valor. E, neste ano, foram os que mais ficaram inadimplentes. Em razão disso, a concessão de crédito para este público começou a ficar mais rígida”, comenta o supervisor de uma loja de confecções da região central de Bauru, Deivson Renato de Souza.
Ele pondera que, embora necessário, este rigor, por muitas vezes, acaba dificultando a efetivação das vendas. O assessor de imprensa e advogado da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Elion Pontechelle Júnior, pontua que um dos principais desafios dos comerciantes é encontrar o equilíbrio entre estes dois extremos.
“O comércio vive da boa-fé dos compradores, mas, vemos que os consumidores continuam com dificuldades para quitar suas dívidas. Ainda que o SPC tenha registrado redução do número de inadimplentes, por algum motivo que a gente ainda desconhece, quem teve o nome inscrito no cadastro no último ano contraiu dívidas maiores”, observa.
Entre as estratégias para concretizar negócios, ele aponta o bom atendimento e a fidelização da clientela. Conforme o JC divulgou, a ampliação do uso do bom e velho carnê nos últimos meses tem contribuído para esta aproximação entre consumidores e lojistas do comércio central.
| Malavolta Jr. |
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| Aldemiro José Alves, da CDL, enxerga com bons olhos o carnê |
“A cada mês, o cliente volta para pagar a prestação, há uma nova oportunidade para fazer novas vendas. E a gente tem mais possibilidades pra negociação, então o consumidor fica mais receptivo”, pontua o presidente da CDL, Aldemiro José Alves. “Ao mesmo tempo, o lojista passa a conhecer melhor o cliente, cria uma relação menos impessoal. E quanto maiores as referências sobre o comportamento de quem compra, maior é a chance de o pagamento ser garantido”, acrescenta.
Perspectivas
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Sampaio, mesmo com a recente definição sobre o comando político nacional, a confiança do brasileiro não deve ser retomada de maneira imediata. Neste contexto, ele aposta que a população só deve voltar a ter segurança para comprar quando houver redução dos índices de desemprego.
“Hoje, a posição é de cautela, tanto do consumidor quanto do empresário, porque o ambiente econômico ainda está muito conturbado. Só deveremos observar alguma recuperação a partir do primeiro semestre ano que vem, se as medidas adotadas pelo novo governo forem bem-sucedidas”, pontua.

