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Ratos e urubus em festa no Congresso Nacional

Roque Ferreira
| Tempo de leitura: 4 min

Em 31 de agosto de 2016, o processo de impeachment foi concluído no Senado com a confirmação do afastamento da presidenta Dilma. Os ratos e urubus conseguiram seu intento: aprovar o impeachment. O mínimo necessário para aprovar o impeachment seria 54 votos, sendo que 59 senadores já aprovaram no último dia 10 levá-la a julgamento, e 61 dos 81 senadores votaram a favor do impeachment. Os dois votos a mais foram do senador Telmário Mota (PDT-RR) e do crápula maior, o presidente do Senado Renan Calheiros.


O PT e sua direção, inclusive Lula, jogaram a toalha após a aprovação da abertura do processo pelo Congresso. Isso ficou claro na manifestação Fora Temer de 10 de junho, em que Lula disse que não podia falar em greve geral porque não está “dentro da fábrica e porque aposentado não faz greve” e que também não podia falar “Fora Temer”, pois “não pega bem”. Ele tenta se preservar e conseguir voltar em 2018, tentando convencer a burguesia de que ainda é útil para a salvação do sistema.


As fraquezas do governo usurpador de Temer

Finalizado o capítulo do impeachment, o débil governo Temer deve acelerar sua missão: atacar os direitos e conquistas da classe trabalhadora. Mas seus primeiros meses de vida mostraram que não será tarefa fácil. Já foi obrigado a recuar diversas vezes. A última com a retirada, no acordo de renegociação da dívida dos Estados com a União, do ponto que impedia os governos estaduais de conceder reajuste aos servidores e realizar concursos por dois anos.


A burguesia também desconfia do novo governo. Em editorial de 11 de agosto, o Estadão avalia: “O Brasil que trabalha e paga impostos depositou em Temer e em sua competente equipe econômica a firme esperança de que a irresponsabilidade de Dilma Rousseff seria rapidamente superada, mas agora tem se deparado com uma condução que se mostra errática – ora prometendo a rigidez necessária para superar a crise, ora fazendo concessões que aparentam submissão a interesses paroquiais e corporativos”.


Para piorar o cenário, em delação à Lava Jato, Temer aparece como articulador de “doação” da Odebrecht ao PMDB no valor de R$ 10 milhões. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, aparece como beneficiário de R$ 23 milhões da construtora na campanha presidencial de 2010, enquanto o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, teria recebido R$ 4 milhões. Tais fatos comprovam nossas análises dos objetivos políticos da Lava Jato que, além de buscar a desmoralização do conjunto da esquerda e o fortalecimento do Judiciário nos ataques à classe trabalhadora, visa também passar a imagem de uma “limpeza geral” das instituições e promover uma renovação do quadro de representantes da burguesia, buscando assim salvar o sistema da ira popular. E segue a repressão e a criminalização.


O que a burguesia necessita com o aprofundamento da crise econômica no país é reduzir os custos do trabalho. Para levar essa guerra contra o proletariado, precisa se enfrentar com a resistência das massas e, por isso, busca endurecer a repressão e a criminalização dos movimentos sociais. Cumpre esse papel a vergonhosa Lei Antiterrorismo sancionada por Dilma. Assim como a Lei 12.850 de 2013, que tipifica organização criminosa, também sancionada por ela e que está sendo utilizada como base para manter na prisão um militante do MST em Goiás. Ou seja, tentam igualar o MST a uma organização criminosa! Mas toda essa tentativa do aparato do estado de intimidar a classe trabalhadora, o movimento popular tem seus limites. A classe trabalhadora não está e não se sente derrotada, não aceitará ser calada. É bom lembrar que a repressão policial brutal em São Paulo a uma manifestação foi a gota d’água que desatou junho de 2013.


A luta contra o sistema

No Brasil e no mundo, a marca é a instabilidade política. A disposição de lutar e resistir segue forte entre jovens e trabalhadores. Grandes manifestações e mobilizações estão no horizonte e mostrarão que junho de 2013 foi só o começo. Estamos nos combates de nossa classe. Participamos das eleições com candidaturas marxistas contra o sistema, lançadas através do PSOL, que nos concedeu fliação democrática. Nossos militantes explicam e organizam o combate pela revolução, pelo socialismo. Fora Temer e o Congresso Nacional! Em defesa das Liberdades Democráticas! Por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte! Por um governo dos trabalhadores!


O autor é vereador em Bauru pelo PSOL

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