| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| "A fé é a alegria do ser humano", diz padre Gilson Luiz Maia |
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| Em Bauru desde 2008 na Paróquia Nossa Senhora das Graças, Padre Gilson embarca para Roma, em mais uma missão pela Congregação Rogacionista |
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| Padre Gilson também é escritor, já são sete obras publicadas |
Padre Gilson Luiz Maia tem uma trajetória bastante extensa dentro e fora do Brasil desde que ouviu o seu chamado para a vocação sacerdotal. Em Bauru desde 2008 na Paróquia Nossa Senhora das Graças, ele agora encara uma nova missão pela Congregação Rogacionista. Vai para Roma onde participará da equipe que coordenada a sua congregação.
Na bagagem, ele leva boas lembranças e feitos realizados em Bauru, além de recordações valiosas de trabalhos em outros cantos do Brasil. Em 2007, durante a 5ª Conferência dos Bispos da América Latina, realizada em Aparecida, ele teve a oportunidade de conhecer e conviver com os papas Bento XVI e Francisco (quando este ainda era cardeal). Conhecido como um padre alegre e festeiro, ele costuma dizer que a fé é a alegria do ser humano. Padre Gilson nasceu na cidade mineira de Passos e cresceu na também mineira Delfinópolis, aos pés da Serra da Canastra e perto da nascente do Velho Chico, uma região muito linda e rica em natureza. Confira os principais trechos da entrevista.
JC – Como o senhor descobriu sua vocação religiosa?
Padre Gilson – Eu cresci em uma família bastante católica, uma família que sempre rezou bastante. Sendo assim, para mim foi muito fácil escutar o chamado de Deus para a vocação sacerdotal. Dos cinco filhos dos meus pais, somos dois sacerdotes. Além de mim, meu irmão Padre Maia seguiu este caminho e é da Diocese de Guaxupé/MG.
JC – Foi uma longa trajetória até chegar aqui?
Padre Gilson – Eu entrei no seminário em Minas em 1981, vim para Bauru 1984, onde fiz o noviciado. Daqui fui para Curitiba e cursei a faculdade de filosofia. Depois fui para Córdova, na Argentina, onde morei durante um ano como seminarista. Voltei para o Brasil e fi z a faculdade de teologia em São Paulo. Fui ordenado sacerdote no dia 26 de abril de 1992, em Delfinópolis, onde mora minha mãe e residia meu pai, que já faleceu. Eu sou da Congregação dos Padres Rogacionistas, que em Bauru cuida da Casa do Garoto, uma obra social com 65 anos de vida.
JC – Quais foram os próximos caminhos já como padre?
Padre Gilson – Depois de ordenado, fui morar em Brasília, até que a Congregação me deu a oportunidade de estudar a Sagrada Escritura em Roma. Fiquei na Itália por alguns anos me especializando no estudo da Bíblia e voltei para Brasília. Nesse período, eu fui assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2003, fui convidado para trabalhar no Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que tem sede em Bogotá, onde eu vivi por quatro anos. Nesse meio tempo, participei da 5ª Conferência dos Bispos da América Latina, realizada em maio de 2007, em Aparecida/SP.
JC – Foi quando o senhor conheceu o Papa Francisco, certo?
Padre Gilson – Sim. Eu vim para ajudar na organização da conferência e hospedagem da comitiva papal. Os padres também ajudavam a fazer as atas em português. Bento XVI era o papa. Foi quando eu tive um contato mais próximo com o Papa Francisco, na época ainda cardeal. Foram dias que eu nunca vou esquecer.
JC – Como o senhor defi ne o Papa Francisco tendo em mente o convívio com ele durante aqueles dias?
Padre Gilson – Como uma pessoa humilde, simples e prática. Ele é muito atento, estava sempre observando e sabia tudo sobre o que estava acontecendo ao seu redor. É o Papa Francisco que nós estamos acostumados a ver. Um homem muito objetivo, amável e bem fácil de lidar.
JC – Quando o senhor chegou a Bauru?
Padre Gilson – Em 2008. Eu vim para ser pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, que está anexa com a Casa do Garoto, no Parque Vista Alegre. Meu tempo de Bauru está terminando. Em outubro eu me mudo para Roma. Fui eleito para participar da equipe que coordenada a Congregação Rogacionista no mundo. É uma congregação de origem italiana com sede em Roma, fundada por Santo Aníbal di Francia. Ficarei em Roma por seis anos.
JC – O que fi cará de Bauru?
Padre Gilson – Nesse tempo de Bauru eu fiz muitas amizades.
Gosto de celebrações animadas, de cavalgadas. Rezamos uma linda missa na Expo Bauru com cerca de seis mil pessoas, por exemplo. Agradeço muito aos amigos que sempre apoiaram as atividades da Paróquia e da Casa do Garoto. Vou com a certeza de que fizemos belos trabalhos. Criamos a Pastoral da Sobriedade, que atende pessoas com problemas de dependência química. Acompanhamos a Pastoral da Família e criamos a Pastoral da Comunicação. Sempre com a ajuda da comunidade. Reformamos a Igreja e as capelas que formam a Paróquia, que completou 50 anos de vida. As pessoas me consideram um empreendedor e em parte eu acho que isso é verdade. Nós trouxemos o show da banda Rosa de Saron, a maior banda católica da atualidade, entre outros eventos. Temos outro trabalho muito bonito com o pessoal da Pastoral da Visitação, que vai nos cantos da noite para atender e cuidar dos irmãos que estão nas ruas.
JC – Quando o coração do Padre Gilson dói?
Padre Gilson – Quando uma criança desabafa comigo dizendo que os pais não têm juízo. É preciso olhar com mais carinho para as nossas crianças e adolescentes. Muitos estão implorando por atenção e cuidados.
JC - Uma curiosidade sobre o senhor.
Padre Gilson – Tenho algumas. Na adolescência cheguei a pensar em ser engenheiro. Estudei comunicação, mas não peguei o diploma. Escrevo livros quase sempre relacionados ao carisma da minha congregação: animação vocacional, discernimento vocacional da juventude. O último foi “O Jeito de Maria”, com a editora Santuário. Ao todo são sete livros.
JC – Qual é o maior desafi o da Igreja atual?
Padre Gilson – Eu acredito que é selecionar e formar os sacerdotes. A formação dos pastores do povo de Deus é o grande desafio que a Igreja enfrenta na atualidade.
JC – Quem é o Padre Gilson?
Padre Gilson – Eu sou uma pessoa alegre, mas sei da minha responsabilidade e compromisso. Acredito que há algo de errado com religião sem caridade. O amarmos uns aos outros precisa se concretizar na solidariedade, caridade e busca pela justiça. O grande desafi o para mim, hoje, é vencer a mentalidade que prega a egolatria. Há muita gente pregando o culto ao próprio ego. E nós precisamos chegar na proposta de Jesus: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, nenhuma mensagem é mais linda e profunda. Eu prego um Deus que diz que “prova de amor maior não há do que doar a vida pelo irmão”. Gosto de dizer que o bom não é ser importante, o importante é ser bom.
Perfil
Padre Gilson Luiz Maia
Tem 52 anos e nasceu na cidade de Passos/MG
É do signo de Peixes e tem o aeromodelismo como hobby
Flamenguista, quando o assunto é música, ele elege as canções da dupla Milionário e José Rico
Entre as suas leituras, pode-se destacar uma: “O Princípio Mariano da Igreja”, de Brendan Leahy
Nota 10: Para o Papa Francisco
Nota 0: Para os que não sabem ouvir os outros
E-mail: gmaia@rcj.org


