O centro decisório do impeachment, é o Senado. Mas o poder de lá se alimenta dos poderes de cá, das redes sociais, das ruas, dos micropoderes, das periferias discursivas (Foucault, Habermas etc.). Por isso, se há um Golpe de Estado em progresso, então é, novamente, um golpe que tem amplo apoio popular (outrora, o golpe foi civil-militar, em 64; agora, é “civil-parlamentar”).
Ou seja, não só os anti-Dilma dão tal apoio, mas a cumplicidade dentro do próprio PT e a guarda abaixada da esquerda brasileira, como um todo, permitem que esse processo de mérito tão duvidoso tenha por desfecho a destituição de um Presidente da República, eleito em regime presidencialista. Talvez, enfim, até o PT esteja com saudade de ser oposição, de ter um inimigo claro no governo central; talvez haja um desejo anárquico e até subconsciente em parte da militância de esquerda, que concorda com Deleuze: “A esquerda não tem nada a ver com governo!”.