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Dólar supera R$ 3,28 e fecha no maior nível desde o final de julho

Por Lucas Hirata, Paula Dias e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 5 min

O dólar fechou nesta segunda-feira (5), no maior nível desde o final de julho, ao superar R$ 3,28 no mercado à vista, em meio à apreensão com o ambiente doméstico. De acordo com agentes financeiros, o movimento no câmbio se ancorou na contínua preocupação com o apoio político necessário para o andamento do programa de reformas e de ajuste fiscal do governo de Michel Temer. Contribuiu também para a alta do dólar a tensão trazida pela nova operação da Polícia Federal, batizada de Greenfield. No entanto, o impacto mais acentuado desses assuntos no câmbio só foi possível pela baixa liquidez, gerada pelo feriado nos Estados Unidos, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

No mercado à vista, o dólar negociado no balcão fechou em alta de 0,96%, aos R$ 3,2816, valor mais elevado desde 28 de julho, quando encerrou aos R$ 3,2943. De acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa, o volume de negócios no segmento à vista somou US$ 595,396 milhões. Já no segmento futuro, o contrato de dólar para outubro avançou 0,73%, aos R$ 3,3080, com giro de US$ 6,555 bilhões.

O volume de negócios deve melhorar na terça-feira com o retorno das operações em Nova York, mas só deve se aproximar da normalidade na quinta-feira, disseram os profissionais do câmbio No meio do caminho, há ainda o feriado brasileiro de Sete de Setembro, na quarta-feira.

Na agenda doméstica, está prevista para amanhã a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando os dirigentes do Banco Central deram sinais de que cortes de juros estão mais próximos. Por isso, o mercado deve ler o documento em busca de detalhes sobre os futuros passos do BC e o possível ritmo de alívio monetário. Além disso, os Estados Unidos publicam números de atividade econômica, que podem servir como base de análise na discussão sobre o futuro aperto monetário do Federal Reserve.

Bolsa - A Bovespa teve um dia de negócios reduzidos à metade nesta segunda-feira devido ao feriado do dia do trabalho nos Estados Unidos. Com as bolsas americanas fechadas, as principais referências para os negócios foram os mercados europeus e principalmente as cotações do petróleo. Depois de alternar pequenas altas e baixas, o Índice Bovespa terminou o dia em baixa de 0,08%, aos 59.566,34 pontos, e com R$ 3,66 bilhões em negócios.

A notícia de que Rússia e Arábia Saudita teriam chegado a um acordo para limitar a produção de petróleo impulsionou os preços da commodity, que chegaram a subir mais de 4% nas bolsas de Londres e de Nova York. Com isso, as ações da Petrobras operaram em alta durante todo o dia. Ao final dos negócios em horário regular, Petrobras ON e PN tiveram altas de 2,88% e 1,92%, respectivamente.

Do lado negativo, o principal destaque do dia foi JBS ON, que liderou as quedas do Ibovespa (-10,04%) como reação à operação de busca da Polícia Federal na holding J&F, controladora do frigorífico. A operação, batizada de Greenfield, teve como alvo a Eldorado, divisão de celulose do grupo. Wesley Batista, CEO global da JBS e sócio da holding, foi levado à PF para prestar esclarecimentos. Seu irmão e sócio Joesley Batista, que preside a J&F, também teve expedido um mandado de condução coercitiva, mas está em viagem fora do País.

A operação Greenfield apura crimes de gestão temerária e fraudulenta em desfavor de quatro dos maiores fundos de pensão do País: Funcef, Petros, Previ e Postalis. Como consequência do envolvimento da Previ nas investigações, as ações do Banco do Brasil operaram em queda durante todo o dia e fecharam com perda de 0,97%. Os demais papéis do setor bancário tiveram alguma volatilidade no dia e foram em grande parte responsáveis pelas alternâncias de sinal do Ibovespa ao longo do dia.

Ainda do lado negativo, destaque para Vale ON (-1,86%) e Vale PNA (-2,39%), que reagiram ao rebaixamento da recomendação da ação da mineradora de "neutra" para "venda" feita pelo UBS. O banco suíço justifica a revisão pelos preços do minério de ferro, que estariam superestimados.

Taxas de juros

 Os principais contratos de juros futuros fecharam com viés de alta, mas próximos dos ajustes da sexta-feira, 2. Após atravessarem o dia em leve baixa, mas rondando os ajustes, as taxas passaram a exibir sinal positivo perto do término da etapa regular, na medida em que o dólar acelerava o avanço ante o real e batia as máximas. Mas a segunda-feira, dia em que normalmente o volume já é baixo, teve liquidez ainda mais reduzida na ausência das bolsas em Nova York, que não abriram em função de um feriado norte-americano. Nesse contexto, o dólar acabou servindo de parâmetro para o mercado de juros durante a sessão.

Ao término da negociação regular da BM&FBovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2018 (55.140 contratos) fechou em 12,54%, de 12,52% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 (57 700 contratos) encerrou na máxima de 11,96%, ante 11,92% no ajuste da sexta-feira. O DI janeiro de 2021 (33.280 contratos) terminou em 11,93%, também na máxima, de 11,89%.

Enquanto os Estados Unidos celebravam o Dia do Trabalho, no Brasil a Polícia Federal deflagrou a Operação Greenfield, que investiga desvios de R$ 8 bilhões no Funcef, Postalis, Petros e Previ, e trouxe um pouco de cautela aos negócios. O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal em Brasília, destacou na decisão que deflagrou a Operação Greenfield que "os fatos investigados são muito graves", "semelhantes aos conhecidos superfaturamentos de obras públicas, no qual o valor de uma obra é superestimado a fim de justificar um pagamento a maior por parte do Poder Público ou dos Fundos de Pensão".

 

 

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