| Samantha Ciuffa |
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| Na tribuna, Arildo Lima Jr. falou sobre a polêmica entrevista do presidente do DAE Bauru |
Declarações do presidente do DAE, Giasone Candia, em entrevista concedida à TV Preve na semana passada causaram alvoroço e geraram duras críticas ao gestor durante a sessão da Câmara Municipal de ontem. Ao vivo, ele afirmou que a autarquia não promove o corte do fornecimento de água a grandes devedores em razão de “influências políticas”.
Presidente do Legislativo, Lima Júnior (PSDB) exibiu o vídeo e disse que a prática admitida configura ato de improbidade administrativa. “Prefeito, a quem o senhor está encobertando? Por isso que o DAE está sucateado Por isso tem que dar aumento de 35%.”, afirmou, referindo-se ao reajuste na tarifa de água decretado por Rodrigo Agostinho em 2015. Neste ano, o índice foi de 9,7%. O tucano falou ainda em “roubo à população” e bradou que a Câmara teria que tomar providências imediatas.
CEI
Lima, contudo, não assinou um pedido de instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o caso, mas comprometeu-se a aderir à propositura de iniciativa do vereador Roque Ferreira (PSOL).
O documento precisa de pelo menos seis parlamentares para que a abertura da investigação legislativa seja apreciada em plenário, onde depende de nove votos para prosperar.
Até o fim da sessão desta segunda-feira, além de Roque, apenas Moisés Rossi (PR) havia assinado o pedido.
Ele subiu à tribuna para provocar os colegas sobre o papel de fiscalização atribuído à vereança. “Vamos ficar de braços cruzados? Ele é um réu confesso. O eleitor está de olho e vamos falar os nomes de quem não assinar [a CEI]. Daí ele pode votar nesses para que tudo continue como está”, cutucou Rossi, que não é candidato à reeleição.
PESOS E MEDIDAS
Autor do pedido de CEI, Roque afirmou que a “culpa” já foi anunciada por Giasone na entrevista à TV Preve, refutando a contraproposta de alguns colegas de instaurar um procedimento de apuração pela Comissão de Fiscalização e Controle, o que seria uma alternativa menos pesada politicamente.
“O problema não é deverem. O problema é não serem cobrados. A CEI é uma ferramenta para verificar quantos não pagam suas contas de água e quantos tiveram duas dívidas perdoadas”, pontuou.
IMPRESSIONADOS
Sem se comprometerem em assinar o pedido de CEI, Natalino da Pousada (PV) e Miltinho Sardin (PTB) também comentaram. O primeiro sugeriu que a presidência da Câmara chame Giasone a prestar esclarecimentos à Casa. O segundo alegou estar impressionado com as declarações de Candia.
ELEITORAL
Candidato à Prefeitura de Bauru com o apoio de Rodrigo Agostinho, Renato Purini (PMDB) rechaçou a possibilidade de instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) motivada pela entrevista de Giasone Candia.
“A essa altura do campeonato? Fica clara a conotação eleitoral dessa iniciativa, com a intenção de prejudicar o prefeito”, reagiu o peemedebista quando questionado se iria ou não assinar a propositura.
Para o autor do pedido, Roque Ferreira, o processo eleitoral em nada deve interferir na continuidade ou não dos trabalhos legislativos. “Eleição tem de dois em dois anos. Isso não é relevante”.
PREFEITO ADMITE FLEXIBILIZAR O MCMV
Ainda durante a entrevista à TV Preve, Giasone Candia pontuou que as “influências políticas” não tinham relação com supostas intervenções do prefeito. O JC não conseguiu contatar o presidente do DAE nesta segunda-feira, mas Rodrigo Agostinho conversou com a reportagem e garantiu: os únicos casos em que decisões políticas interferiram no corte ou não do fornecimento de água são os de empreendimentos construídos pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) destinados à população de baixa renda.
“São muitos os condomínios que não têm a medição do consumo individualizada e sofrem com índices de inadimplência muito altos. Nestas situações, a gente pondera e abre novas possibilidades de negociação, embora já tenham ocorrido cortes”, afirmou o chefe do Executivo.
Questionado sobre possíveis tolerâncias a outros grandes fornecedores, Rodrigo explicou que a maioria possui poços próprios e não se vale do fornecimento de água provido pelo DAE.
“Portanto, as dívidas são referentes à coleta do esgoto. Não temos como cortar a água nesses casos”, ponderou.
DESCULPAS
Rodrigo Agostinho relatou ainda já ter conversado com Giasone Candia por telefone. Na oportunidade, o presidente do DAE teria pedido desculpas pelos transtornos eventualmente causados e pela forma com a qual se expressou durante a entrevista à TV Preve.
