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Greve dos bancários: adesão deve crescer nessa quinta, 5º dia útil

Marcus Liborio, Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr. 
Cartazes em agências do Centro alertam sobre a greve, que segue sem previsão para acabar

Nessa quinta-feira (8), quinto dia útil e terceiro dia de greve dos bancários, aproximadamente 70% dos 1,3 mil funcionários que atuam em 72 agências de Bauru devem cruzar os braços. A estimativa é do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, que registrou 50% de adesão no primeiro dia de paralisação, nesta terça. O número atingido ontem já era previsto pela categoria, conforme o JC divulgou.

O início da greve, entretanto, foi relativamente tranquilo. A reportagem percorreu a região central e constatou  pouco movimento nos caixas eletrônicos dos bancos, com exceção da agência Santander da quadra 6 da rua Rio Branco, onde havia filas em todos os terminais.

“A categoria considera satisfatório o primeiro dia de paralisação, pois 90% dos bancos públicos aderiram ao movimento logo de cara. Isso é um fator positivo”, destaca Priscila Rodrigues, uma das diretoras do sindicato local.

De acordo com ela, no Centro de Bauru, o percentual de agências fechadas foi alto, cerca de 90%, enquanto em outras regiões o índice ainda é menor. Ao todo, os sindicalistas estimam que 35 das 72 agências bancárias da cidade não funcionaram nesta terça-feira. Uma nova negociação entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) – órgão ligado à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) - deve ocorrer nesta terça.

Região

Coordenador do sindicato, Paulo Tolon explica que haverá reuniões esporádicas, nesta quinta-feira (8), em bancos que ainda não tenham aderido à greve. O trabalho, diz ele, se estenderá aos demais municípios da região, onde outros 1,8 mil bancários atuam em 120 agências. Segundo Priscila Rodrigues, a adesão na região ontem também ficou na casa dos 50%, tanto na quantidade de funcionários quanto na de agências sem funcionamento.

Surpreendeu

O primeiro dia de paralisação surpreendeu alguns clientes desavisados. Foi o caso da servente de limpeza Maria Amélia dos Santos, 63 anos. Ela levou um susto ao chegar na agência da Caixa Econômica Federal da quadra 7 da rua Gustavo Maciel, na região central. “Não estava sabendo. Tenho uns trâmites para resolver com a gerência do banco e não vou conseguir. O jeito é tentar pelos caixas eletrônicos”, diz.  

Por outro lado, a greve não deve influenciar o aposentado Otávio Sales Ferreira, 76 anos, que, ontem, resolveu as pendências bancárias pelo terminal automático de uma agência no Centro. “Fui funcionário público federal e já lutei muito por reajuste salaria. A causa é válida”, apoia.

Não aderiu

A reportagem percorreu também algumas agências nas imediações da Praça Portugal, na Vila Samaritana. Uma unidade do Santander na quadra 5 da rua Rubens Pagani não havia aderido ao movimento até o início da tarde dessa terça-feira (6).  

Priscila Rodrigues adianta que será realizado um piquete em frente à agência amanhã. “É comum obter adesão baixa das agências privadas. O objetivo, entretanto, é tentar inseri-las na causa”, frisa.

Reivindicações

Em Bauru, a greve por tempo indeterminado foi deliberada em assembleia realizada no último dia 29 de agosto, após os bancos oferecerem reajuste de 6,5% sobre o salário e benefícios - como vale-alimentação e auxílio-creche, além de abono no valor de R$ 3 mil.

Os bancários em Bauru, contudo, reivindicam aumento salarial de 28%, referentes a perdas salariais entre 1994 e 1999, à média do crescimento percentual dos ativos dos cinco maiores bancos brasileiros e à inflação dos últimos 12 meses.

A pauta é diferenciada em relação ao restante do País (leia mais na página 17), que pede reajuste de 14,57%, sendo 5% de aumento real e 9,57% de reposição da inflação do último ano. A diferença se dá em virtude de o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região ser vinculado à CSP-Conlutas e o comando nacional, à Contraf/CUT.

Em nota, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) disse que a proposta dos bancos representa ganho acima da inflação e que o salário de caixa passaria a R$ 2.842,96, com jornada de seis horas diárias. Na mesma proposta, o auxílio-alimentação passa para R$ 523,48 mensais (e é complementado pela 13.ª cesta-alimentação, também no mesmo valor) e o auxílio-refeição é elevado para R$ 694,54 mensais.

Outro item na proposta da Fenaban é a participação nos lucros dos bancos, “que distribuem até 15% do lucro apurado no exercício de 2016 aos empregados, calculado segundo uma fórmula capaz de ser atendida por todos os bancos, favorecendo ao conjunto dos bancários. Os valores individuais podem representar até quatro salários no ano para a função de caixa”, complementa a nota da entidade patronal.

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