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| Sabbag: “É um transtorno ter de transferir pacientes e seus familiares de Bauru para Botucatu” |
Em março deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde protocolou um ofício junto à Divisão Regional de Saúde (DRS-6), em Bauru, para que o Hospital Estadual (HE) passe a fazer neurocirurgias de tumores e traumas infantis. Atualmente, o Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu é referência na região, quando se trata desses dois procedimentos. O Estado, por sua vez, ficou de analisar a proposta (leia mais abaixo).
Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag, a solicitação, assinada pelo secretário Fernando Monti, tem o intuito de facilitar a vida dos envolvidos: pacientes, seus familiares e município.
“É um transtorno ter de transferir pacientes e seus familiares de Bauru para Botucatu. Fora que Bauru é uma cidade maior que sua vizinha e tem, portanto, mais estrutura”, justifica.
Sabbag acrescenta que, antigamente, o Hospital de Base fazia neurocirurgias para Trauma Crânio Encefálico (TCE) Infantil. “Contudo, a ala pediátrica do Base foi fechada e a referência passou para Botucatu, que também realiza cirurgia oncológica neurológica em toda a região, outro procedimento que solicitamos para Bauru”, aponta o diretor.
Segundo Sabbag, a ideia é de que o Estadual assuma esses dois procedimentos, porque já possui uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica e é referência em oncologia na região.
Procedimentos
Sabbag explica que as cirurgias oncológicas neurológicas são feitas para combater tumores que se formam, especificamente, no Sistema Nervoso Central (SNC). “O Estadual até tem o setor de neurocirurgia, mas não há uma referência determinada para esse tipo de câncer. Logo, eles não podem fazer o procedimento”, pontua.
Já as cirurgias de Trauma Crânio Encefálico (TCE) Infantil são tratamentos feitos quando as crianças sofrem acidentes que afetam a região da cabeça. Inclusive, esse tipo de procedimento é mais comum do que o primeiro, segundo Sabbag.
Estado analisa proposta, porém, já adianta que depende do teto do SUS
Em nota emitida ontem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, através da Divisão Regional de Saúde (DRS-6), esclarece que a implantação de serviços complexos depende diretamente de aumento do teto financeiro do SUS, por parte do Ministério da Saúde.
Ainda assim, o órgão afirma que a solicitação da Secretaria Municipal de Saúde está em análise técnica pela DRS.
Procurada, a Famesp, responsável pela gestão do Hospital Estadual, informou que não tem autonomia para interferir no desenho de atendimento assistencial da região, porém, declarou que está totalmente disponível para executar os projetos definidos conjuntamente.
Tem seis na fila
No final da tarde de ontem, o site da Prefeitura de Bauru mostrava que, dos 31 pacientes aguardando vagas para internação, seis esperavam por neurocirurgias.
Se tivesse de escolher entre neurocirurgia de tumores ou de traumas infantis, Luiz Antônio Sabbag afirma que optaria pelo último procedimento citado.
“Crianças se acidentam mais do que se imagina. Ora batem a cabeça em algum lugar, ora sofrem acidente de trânsito, enfim, são inúmeras as possibilidades. Por ser algo mais comum, escolheria a de TCE Infantil, se assim fosse necessário”, defende.
‘Seria tudo bem mais fácil’, diz a mãe de Ágata
Do dia para a noite, a vida da família da pequena Ágata Munhoz, que morreu em outubro do ano passado, virou de cabeça para baixo. Moradora de Bauru, a menina seguia uma rotina normal e saudável, até que começou a apresentar vômitos constantes, no início de 2014.
Após 6 meses de idas e vindas ao médico, o diagnóstico: tumor cerebral. Levada ao Pronto-Socorro, Ágata passou por uma tomografia cerebral, que constatou um meduloblastoma, um tumor específico do SNC. Transferida às pressas para o HC de Botucatu, Ágata foi operada. De lá, ela só saiu por uma semana, ocasião em que ficou internada no Hospital Estadual.
“O próprio médico disse que o Estadual não tinha condições de tratar tumor cerebral, aí ela voltou a Botucatu e nunca mais saiu de lá”, relata a mãe da garota, Eloana Maria Munhoz.
Inclusive, ela apoia a ideia de tornar o Estadual uma referência nesse sentido. “Se estivéssemos em Bauru, seria tudo bem mais fácil: alguém poderia revezar comigo para cuidar da minha filha, gastaríamos menos e eu não ficaria tanto tempo longe da família”, opina Eloana, que, durante a doença da filha, realizou diversas ações sociais.
Legado solidário
Ágata se foi, mas deixou a solidariedade. O grupo Amigos da Ágata quer tornar o Dia das Crianças mais colorido e menos dolorido para as crianças internadas no HC de Botucatu. Para isso, está arrecadando revistas de colorir, lápis de cor, canetinhas, cadernos e doces. Com os itens, serão montados kits para levar à instituição no dia 12 de outubro.
O grupo nasceu da iniciativa dos pais de Ágata Munhoz, Eloana e Itallo. Para marcar este um ano do falecimento, em vez de tristeza, a família quer fazer da solidariedade uma homenagem a ela, ajudando outros pequenos a sorrir.
Quanto mais itens arrecadados, mais pessoas poderão ser contempladas. “É uma forma de distribuir amor e nos fortalecer para enfrentar a dor da ausência da nossa filha”, ressalta Eloana. Quem quiser doar, pode entrar em contato com ela através do Whats (14) 98825-9102 e também pela página facebook.com/1MinutoPelaAgata.
