Polícia

Bebê morre 16 dias após nascer e família faz denúncia à polícia


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Divulgação
Hadassah com os pais Patrícia Fernandes Leite e Alexandre da Cunha; 

Uma mulher que perdeu sua filha recém-nascida após complicações no parto procurou a polícia para registrar queixa contra a Maternidade Santa Isabel, em Bauru. O caso, ainda sob investigação, é tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A médica responsável nega qualquer falha de procedimento.

A ocorrência foi registrada nesta quinta-feira (8) na Central de Polícia Judiciária (CPJ). O bebê, que recebeu o nome de Hadassah Vitória Fernandes da Cunha, faleceu no dia 7 de setembro, após 16 dias de internação. A mãe, a dona de casa Patrícia Fernandes Leite, 30 anos, diz ter sido vítima de negligência médica, acusação que a unidade hospitalar nega. 

“Tive uma gestação saudável e, por conta de total falta de atenção, minha filha nasceu inconsciente e nunca se recuperou. Essa é minha verdade. Eu sei o que vivi lá dentro”, alega a paciente. A médica que acompanhou o parto argumenta que, durante o período expulsivo (pouco antes do nascimento), o bebê sofreu hipóxia, situação caracterizada pela diminuição ou ausência do oxigênio que deve ser recebido pelo feto através da placenta.

À polícia, Patrícia relatou ter realizado todo o pré-natal em Arealva, onde sua mãe reside. Porém, ao completar 41 semanas e três dias de gestação e ainda não apresentar contrações, foi orientada a procurar a Maternidade Santa Isabel para realizar a cesárea. 

A gestante conta que deu entrada na unidade no dia 21 de agosto. Na ocasião, exames apontaram que os batimentos cardíacos de Hadassah estavam dentro dos parâmetros normais. Segundo a paciente, dois comprimidos foram introduzidos, em períodos espaçados, no canal vaginal para aumentar a dilatação do colo do útero. Depois de 12 horas sem nenhum resultado, foi informada de que teria de ingerir um terceiro comprimido. 

“Eu estava sendo assistida por estagiárias sem formação superior. Neste momento, eu disse que não aceitaria mais a indução e queria que fosse feita a cesárea, porque o bebê estava se mexendo bem pouquinho. Foi quando a médica disse que não faria a cirurgia e falou para eu esperar cinco dias no corredor do hospital, quando ela iria decidir o que fazer comigo”.

Médica contesta

A ginecologista e obstetra da maternidade, que preferiu não se identificar, contesta. “Ela não pediu cesárea. Só queria que o bebê nascesse. Expliquei que não existia indicação de cesárea naquele momento, porque não havia risco, e que havia vantagem enorme para ela e o bebê em fazer parto normal. Mas, se fosse uma decisão dela, não poderíamos recusar o procedimento”. 

A médica, que trabalha na maternidade há cinco anos, alegou que sugeriu apenas para que a paciente caminhasse pelo corredor para aumentar a pressão uterina e, assim, ajudar a estimular o trabalho de parto. A assessoria de imprensa da Maternidade acrescenta, ainda, que todos os atendimentos e procedimentos são realizados por uma equipe multidisciplinar, sempre em conjunto com o profissional médico.

Rápida progressão do parto pode ter causado morte

Patrícia diz que, diante da recusa em realizar a cesárea, decidiu aceitar a introdução do terceiro comprimido. Na sequência, ainda sem contrações, tomou uma injeção de ocitocina, o que, segundo ela, teria provocado uma rápida progressão do trabalho de parto. 

“Foi tudo de uma vez e os funcionários entraram em desespero. Minha bebê começou a se bater dentro da minha barriga. Eles me colocaram no oxigênio e fiz toda a força do mundo para que minha filha não morresse dentro da minha barriga. Mas ela nasceu roxa, desacordada e sem respiração”, detalha.

A obstetra da maternidade, contudo, diz que a criança tinha todos os sinais vitais normais até o final do período expulsivo, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória. E não atribuiu a rapidez com que o colo do útero da gestante dilatou à aplicação do medicamento.

“A última medicação foi dada às 10h da manhã e o bebê nasceu às 16h50. O tempo de ação já tinha passado. Foram apenas quatro horas de trabalho de parto. O período de dilatação foi muito rápido e o útero, contraindo em uma intensidade grande, pode gerar algum grau de sofrimento fetal, porque a redução da irrigação placentária diminui a oxigenação para o bebê”, avalia.

A paciente relata que a equipe levou cerca de 20 minutos para reanimar Hadassah, antes de encaminhá-la para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal, onde ela permaneceu por 16 dias, até falecer. Para Patrícia, não há dúvidas de que, se ela tivesse sido submetida a cesárea, sua filha teria sobrevivido.

Por este motivo, diz que já está preparando, com a ajuda de um advogado, uma ação judicial contra a unidade. “Eu vou lutar para que a vida da Hadassah não tenha sido perdida em vão. Quero que outras crianças possam se salvar, com os profissionais da maternidade fazendo o que foram contratados para fazer”, pontua.

Dentro do protocolo

Por meio de nota, a Maternidade Santa Isabel informou que, em atendimento ao protocolo preconizado pelo Ministério da Saúde, iniciou procedimento de indução ao parto quando a paciente já havia completado 41 semanas de gestação e não apresentava, ainda, contrações ou dilatação do colo do útero.

A unidade afirma que o parto ocorreu dentro da normalidade, porém, o bebê nasceu com parada cardiorrespiratória, sendo reanimado e entubado em UTI neonatal. Segundo a médica responsável pelo nascimento de Hadassah, a morte da criança foi “uma fatalidade”.

“Realizamos muitos partos diariamente e é muito comum gestações passarem de 40 semanas, com bebês nascendo de parto normal e saudáveis. Lamento o que aconteceu com esta paciente, mas gostaria de esclarecer que esta não é a rotina da maternidade e que o parto normal é seguro”, completa.

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