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15 anos do atentado que parou o mundo

Thiago Navarro e João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: U.S. Air Force/ Tech. Sgt. Mark C. Olsen/Fotos Públicas
O maior impacto aconteceu em Nova York, com um avião atingindo a Torre Norte do World Trade Center (WTC)

Manhã de terça-feira (11) de setembro de 2001. Quatro aviões foram sequestrados nos Aeroportos de Boston, Newark e Washington, cidades no Nordeste dos Estados Unidos, com a tripulação e passageiros de todos eles ficando reféns dos terroristas, que assumiram o controle das aeronaves - as quatro tinham como destino a Califórnia, na costa oeste, do outro lado do País.

Os acontecimentos dos minutos e horas seguintes certamente estão entre os mais midiáticos da história, com transmissão ao vivo no mundo inteiro. Um avião caiu em uma área rural da Pensilvânia e um segundo foi jogado sobre o Pentágono, na capital estadunidense, Washington. Mas o maior impacto aconteceu em Nova York, com um avião atingindo a Torre Norte do World Trade Center (WTC), e pouco depois outra aeronave colidindo com a Torre Sul. Os dois prédios desabaram minutos depois.

Tudo mostrado ao vivo pela televisão (a Internet ainda era incipiente), inclusive pessoas que estavam nos andares mais altos se jogando por não suportar o calor do incêndio provocado pelas explosões.

Consequências

Os atentados de 2001 deixaram quase 3 mil mortos nos EUA

Os atentados de 11 de setembro desencadearam a “Guerra ao Terror”, como denominou o governo norte-americano na época, comandado por George W. Bush. As tropas dos Estados Unidos invadiram o Afeganistão, dias depois, na tentativa de capturar Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda - o que só ocorreu em 2011. Em 2003, o Iraque foi invadido, e atualmente a principal zona de conflito é a Síria, país em que boa parte do território está sob poder do Estado Islâmico.

Os atentados de 2001 deixaram quase 3 mil mortos nos Estados Unidos naquele dia, porém outras milhares de vidas ainda seriam ceifadas nos anos seguintes com guerras no Oriente Médio, inclusive de civis, na “caçada ao terror”.

Entre historiadores e cientistas sociais, alguns entendem que os atentados de 11 de setembro foram o marco inicial não apenas da fase atual do terrorismo, que teve novos ataques em diversos outros países nestes 15 anos, mas também é a data em que, na prática, teria começado o Século 21. Há ainda o entendimento, para muitos destes estudiosos, que o Século 20 se encerrou geopoliticamente com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da Guerra Fria.

O outro 11 de setembro

Pouco lembrado e muito menos midiático, outro 11 de setembro, muito mais perto do Brasil, foi o marco inicial da sangrenta ditadura militar chilena, que deixou 40 mil vítimas entre mortos e desaparecidos até seu final, em 1990. Na mesma época, também viveram regimes ditatoriais países como Argentina, Uruguai e Brasil.

Em 11 de setembro de 1973, o então presidente chileno Salvador Allende foi deposto por um golpe militar - o país já vivia momento político instável. Tropas do exército chileno atacaram o Palácio de La Moneda, sede do governo, na capital Santiago, e até hoje há controvérsias se Allende cometeu suicídio ou foi morto. Augusto Pinochet assumiu o poder e ficou até o fim da ditadura.

Designer de Bauru viveu drama familiar

Recém-casada, Ana Sharpe passou 8 horas sem saber do marido que, por sua vez, estava logo à frente das torres no exato momento do atentado

Divulgação
Ana com as filhas Alexa e Sophia: em 2001, ela chegou a achar que o marido, o americano Larry, estava entre as vítimas

Natural de Penápolis, Ana Cláudia Batista cursou desenho industrial na Unesp Bauru na década de 90 e, logo depois, realizou um sonho: morar nos Estados Unidos. Por 14 anos, a designer viveu no tradicional e populoso bairro do Brooklyn, mudando-se em 2015 para New Jersey, onde mora às margens do Rio Hudson e da ponte George Washington. 

Desde 2001, adota o nome Ana Sharpe por ser casada com Larry Sharpe. O casal tem duas filhas gêmeas, Sophia e Alexa, de 5 anos, e também uma história para contar sobre o 11 de setembro. Naquele fatídico dia, Ana passou oito horas sem saber do marido. 

Chegou a temer que ele estivesse em uma das torres, mas, felizmente, tudo não passou de um grande susto para a família.

Ana: que lembranças mais marcantes você tem do 11/9?

Eu diria que a lembrança mais marcante seriam duas. A primeira foi o telefonema que recebi dele logo pela manhã no dia 11 de setembro de 2001. Eu ainda trabalhava na Tilibra em Bauru. A notícia dos atentados não era de conhecimento de ninguém. Havíamos casado no dia 6 de setembro no Brasil e ele retornando aos EUA no dia 11 de setembro por conta de alguns compromissos profissionais. Me lembro que comentei ser algo extremamente exaustivo, mas ele disse que ficaria bem. Chegou por volta de 6 da manhã e seguiu direto para o World Financial Center (prédio situado à frente do antigo World Trade Center). Ainda no telefonema mencionou que um avião havia atingido uma das torres do WTC ao lado. No telefone percebi um certo pânico das pessoas ao fundo, como alguém ao alto falante para que as pessoas saíssem do prédio imediatamente. A segunda lembrança foi quando eu me mudei definitivamente pra NY, 3 meses depois, num dezembro congelante, pois eu tive que esperar pela papelada da imigração. Quando passei pela primeira vez no local pude ainda ver os destroços das torres. O assunto sempre me toca profundamente e ainda me choca ao relembrar.

Como os nova-iorquinos  lidam com as lembranças? 

É e sempre será uma ferida muito grande para o país, especialmente para Nova York. Muitos conhecem alguém que esteve naquela área de Lower Manhattan, ou foi vítima do ocorrido, assim também como bombeiros que acabaram perdendo suas vidas tentando salvar os que estavam presos nos andares mais altos. Foi criado o 9/11 Memorial localizado exatamente onde estava a fundação das torres em memória de todas as vítimas e um Museu contendo mais de 3 mil artefatos aberto a visitantes. Todos os anos, a cidade faz uma vigília no dia 11 de Setembro, relembrando o triste fato.

Acha que o terrorismo, um dia, vai ter fim?

O assunto é muito complexo. Estamos vivendo tempos muito difíceis, pois o terrorismo está tomando outras formas, atingindo escalas menores, mas constantes. Especialistas apontam que muitos se radicalizam hoje pela Internet, o perfil de muitos é do jovem sem perspectivas nascido no próprio país onde vive. Fica muito difícil detectar esse tipo em específico, mas os EUA, no governo Obama, estão fazendo um ótimo trabalho no que se aprendeu de 11 de Setembro. Exige-se um trabalho de inteligência constante. Mesmo com tudo isso, eu tenho esperança em um mundo melhor. Eu acredito, pois nós precisamos acreditar pelo bem dos nossos filhos. Eu costumo dizer que a inocência do sorriso de uma criança me traz essa esperança, pois o ser humano no seu íntimo é puro amor. Nós precisamos nos lembrar disso sempre.

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