Tribuna do Leitor

Professor visitador

Rodolpho Pereira Lima
| Tempo de leitura: 2 min

O jornal Folha de São Paulo (07/09/2016) publicou no Caderno Cotidiano B3 matéria intitulada “A visita do Professor”. O assunto abordado narra uma experiência realizada na escola pública em Contagem, Belo Horizonte. Educadores se aproximam de famílias e vão às casas dos alunos em ação para diminuir evasão escolar.

Informa que a ideia foi levada adiante há aproximadamente um ano e, depois de uma apresentação do programa no México, Contagem foi aceita na rede “Cidades Aprendizagem”, da Unesco, que incentiva a adoção de políticas públicas para educação.

Na condição de professor aposentado do QM (Quadro de Magistério) da Secretaria da Educação do Estado/SP, discordo dessa medida. Entendo que a figura do “Professor Visitador” é desvio de função da atividade própria do professor que exerce a docência.

Ressalte-se, o trabalho do professor não se limita a sua atividade em ministrar aulas. Há que considerar também a preparação das aulas, formulação das questões para as provas e a sua correção, o que acarreta sobrecarga no exercício da docência e consequente desgaste físico e mental. Ainda, a visita às famílias dos alunos é atividade própria do assistente social, cuja função é de exigência legal da profissão do Assistente Social, com registro no Conselho Regional do Serviço de Assistência Social.

Comporta registrar, quando ainda em atividade, os então Grupos Escolares recebiam a visita de assistentes sanitárias do Centro de Saúde do Estado. Eram realizados exames de acuidade visual. Os alunos que apresentavam algum problema no teste eram levados ao Centro de Saúde pelas próprias visitadoras, para exames dos médicos oculistas. O mesmo acontecia com exames de fezes, com distribuição de latinhas para os alunos, com explicação para a coleta das fezes, que eram levadas ao Centro de Saúde pelas próprias assistentes sanitárias.

O que se estranha é querer sobrecarregar o professor com atividades de desvio de sua função específica - ministrar aulas. Hoje, a escola do ensino básico necessita de biblioteca, sala de leitura, sala de informática, sala de enfermagem com profissionais habilitados.

O que de fato está precisando a escola primária, a escola do ensino de base, é atenção especial aos seus alunos e aos seus professores.

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