| Fotos: Aceituno Jr. |
| “Estamos abertos ao diálogo com a prefeitura e as modalidades”, destaca Estevan Pegoraro |
| Prefeito Rodrigo Agostinho aguarda nova avaliação da Seplan |
A falta de um acordo da Prefeitura de Bauru com o Esporte Clube Noroeste para o uso do Ginásio Panela de Pressão chegou ao limite. É o que afirma o presidente do Alvirrubro, Estevan Pegoraro, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade. O dirigente assumiu o clube em julho, mas já fazia parte da diretoria anterior, e desde março um novo contrato de aluguel vem sendo discutido, porém sem um desfecho até o momento.
E se uma solução não for encontrada, Pegoraro já adianta que o Noroeste tem data para suspender todas as atividades do Complexo Damião Garcia, incluindo o ginásio: a próxima sexta-feira, dia 16 de setembro. “Não tem o que fazer. Se não conseguirmos ter a receita com o aluguel da Panela, fica difícil de manter. Nesta semana vamos receber a Caravana (da ESPN), então até quinta-feira o Complexo segue aberto, mas se até lá não resolvermos isso, na sexta-feira vamos dar férias coletivas aos 25 funcionários e fechar o Complexo todo, porque não tem como manter sem dinheiro”, relata.
De acordo com o dirigente, nenhuma atividade funcionaria a partir de sexta-feira. Isso inclui o uso da Panela de Pressão pelo Gocil/Bauru Basket e pelo Concilig/Vôlei, a sede da Secretaria Municipal de Esportes (Semel), que fica embaixo das arquibancadas do ginásio, e qualquer outra atividade, como os jogos do Talentos 10 na Taça Paulista, ou o Projeto Noroestel, que atende a centenas de crianças e jovens no campo de treino.
Três meses
O contrato de aluguel que estava vigente desde 2011 venceu em março deste ano. O Noroeste recebia quase R$ 20 mil por mês, e ainda obteve o valor em abril e maio a título de indenização do município. Porém, desde junho o clube não tem recebido nada pelo uso da Panela de Pressão, dinheiro que faz falta ao Norusca.
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Esse valor era direcionado a dívidas trabalhistas, cita Pegoraro. Contudo, um novo acordo com outros credores (também trabalhistas) acrescentou mais R$ 20 mil às despesas do Alvirrubro, que agora tem de pagar R$ 40 mil mensais neste tipo de dívida, porém sem ter a receita do aluguel.
Outro agravante é que, sem dinheiro para honrar as dívidas, o Noroeste não conseguiu pagar os R$ 32 mil de parcelas atrasadas do IPTU junto à prefeitura no último mês, e com isso o município já oficiou a Tel para suspender o repasse de R$ 40 mil/mês, o que inviabilizaria todo o trabalho do Norusca com projetos sociais nas categorias de base.
Soluções
O caminho definitivo para sanar o Noroeste seria a venda do patrimônio para a prefeitura, que poderia assumir o Complexo em troca da dívida do clube, acredita Pegoraro. Neste caso, o Alvirrubro teria como principais despesas apenas os seus funcionários e elenco, enquanto os débitos seriam pagos pelo município aos credores, como forma de pagar o Noroeste pela aquisição da área.
No entanto, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sempre demonstrou interesse em assumir o local, mas sem essa contrapartida. Neste caso, o município arcaria com as despesas corriqueiras do Complexo, mas as dívidas trabalhistas e fiscais continuariam a ser pagas pelo Alvirrubro.
“Eu gostaria de deixar isso encaminhado até o final da minha gestão”, diz o prefeito. Entretanto, a discussão passa pelo Conselho Deliberativo do Noroeste e por setores da prefeitura, como o Jurídico, e portanto o caso só deverá ter uma conclusão já com o novo prefeito, que será eleito em outubro e assume em janeiro de 2017. Em um curto prazo, tanto o presidente noroestino quanto Rodrigo afirmam que a solução, neste momento, seria destravar o aluguel da Panela, o que daria um alívio ao caixa do clube (leia mais abaixo).
Défict
Pegoraro reitera que o Noroeste não é um clube falido, mas pode se tornar inviável financeiramente. "Não se pode dizer que o Noroeste vai falir porque as dívidas do clube somam quase R$ 10 milhões, e o patrimônio que temos é avaliado em R$ 40 milhões. Mas isso não nos garante um retorno no cotidiano, para manter o clube”, explica.
De acordo com o presidente noroestino, a receita mensal hoje é de no máximo R$ 70 mil, sendo que R$ 40 mil é proveniente do repasse da Tel (relativo ao ISS da empresa, através de lei municipal de incentivo ao esporte), enquanto as despesas fixas mensais giram em torno de R$ 60 a R$ 65 mil, entre manutenção do Complexo Damião Garcia e o pagamento de salários e encargos trabalhistas. Porém, somente em dívidas, o clube precisa pagar mais de R$ 90 mil por mês, sendo R$ 40 mil em acordos trabalhistas, R$ 32 mil em parcelas relativas a IPTU atrasado, R$ 10 mil do IPTU atual e pouco mais de R$ 15 mil para o Profut (renegociação de dívidas federais), segundo a direção do clube. (veja mais ao lado).
Novo aluguel
O órgão da prefeitura responsável por avaliar o valor que o município pode pagar pelo aluguel da Panela de Pressão é a Secretaria de Planejamento (Seplan). O levantamento feito recentemente aponta que uma nova locação custaria R$ 15 mil mensais ao Palácio das Cerejeiras, valor veementemente rejeitado pelo Noroeste. “O aluguel anterior era de quase R$ 20 mil, e é o único ginásio desse porte na cidade. A prefeitura alega que o mercado imobiliário desacelerou, mas isso só é verdade de um ano para cá. E nos outros quatro anos? Houve valorização. Sem contar a inflação acumulada no período, só isso já levaria o aluguel para R$ 30 mil por mês, pelo menos”, destaca Estevan Pegoraro.
O prefeito Rodrigo Agostinho disse ao JC que a Seplan está fazendo um novo levantamento do valor a ser pago pelo aluguel do ginásio. “O estudo anterior não considerou algumas áreas do entorno, como o estacionamento. A Seplan ainda está finalizando esse estudo e devemos ter uma resposta em breve”, revela o chefe do Executivo. Neste caso, possivelmente o valor do aluguel será maior do que os R$ 15 mil avaliados anteriormente.
