“Fome oculta” nada tem a ver com gula ou a tentativa de escondê-la. É um problema de saúde. Pouco conhecido - 94% das pessoas disseram desconhecê-lo, segundo pesquisa da empresa de soluções nutricionais Centrum -, o fenômeno é causado pela carência silenciosa de vitaminas e minerais, causado por uma dieta fraca em nutrientes.
“O problema traz alterações importantes, como sistema imunológico deficiente, cansaço, falta de concentração e diminuição de produtividade. E pode se manter silencioso por uma vida inteira”, explica Andréa Ramalho, professora titular do Instituto de Nutrição da UFRJ e autora do livro “Fome oculta: diagnóstico, tratamento e prevenção”.
Um dos sintomas é sentir fome mesmo estando satisfeito, o que pode ser confundido, por exemplo, com ansiedade, explica o doutor em Nutrição e professor da Universidade de São Paulo (USP), Antonio Herbert Lancha Junior.
“Ao longo de décadas, essa deficiência pode influenciar a estatura da população”, diz o especialista. “Cronicamente, a falta de vitamina A pode prejudicar a adaptação à penumbra, já a vitamina D pode comprometer o depósito de cálcio no tecido ósseo.”
Democrático, o problema atinge homens e mulheres, de faixas etárias e situações socioeconômicas diversas. “Mesmo com informação, muitos alegam que não se alimentam bem por causa da vida corrida, com pouco tempo para cozinhar”, diz Andrea.
Entre os grupos mais vulneráveis estão gestantes, lactantes, pré-escolares, adolescentes e idosos. O tratamento é feito com um plano alimentar.
“É preciso corrigir as falhas na alimentação e avaliar a necessidade de suplementos, além de diminuir o excesso de alimentos danosos.”
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