Articulistas

Centenário da primeira capela de Bauru

Irineu Azevedo Bastos
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Em 1886, o sitiante Antônio Borges Rodrigues solicitou ao bispo diocesano de São Paulo a necessária autorização para se fundar e erigir uma capela dedicada ao Divino Espírito Santo, no bairro do Bahurú. Em 15 de março de 1888, mediante provisão canonicamente assinada e datada da Câmara Episcopal de São Paulo, o bispo dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho concedeu a requerida licença, desde que fosse construída em lugar alto, livre de umidade, desviada de lugares imundos e de casas particulares, com local para andarem procissões, fundação que deveria ser designada pelo pároco de Espírito Santo da Fortaleza, à qual Bahurú pertencia.


O pároco de Espírito Santo da Fortaleza, município canonicamente anexado a Lençóes, segundo o bispo d. Vicente Zioni, não impediu que a autoridade constituísse a solicitada Comissão de Obras, mediante provisão assinada por delegação do cônego Antônio Guimarães Barroso, sendo assim composta: João Baptista de Carvalho (meu bisavô materno), José Francisco Ribeiro, João Antônio Gonçalves, Joaquim Pedro da Silva e Pedro José Rodrigues.


Em 17 de abril de 1888, a Câmara de Lençóes, à qual o povoado do Bahurú pertencia, pelo seu presidente Faustino Ribeiro da Silva, designou um arruador, Vicente Ribeiro de Faria, para esse bairro (que nunca foi homenageado com um nome de rua em Bauru) e, a 20 de abril do mesmo ano, concedeu a quantia de dez mil réis para a fundação da Capela. Também em 1888, os irmãos Fernando Bastos e José Martiniano Bastos Júnior (meu avô paterno) ergueram um cruzeiro de madeira onde depois seria instalada a Capela, na Praça Municipal, atual Praça Ruy Barbosa.


A capela foi concluída em 27 de julho de 1887 e, cem anos depois, a Paróquia do Divino  Espírito Santo, durante uma missa festiva, comemorou seu centenário na Matriz do Divino Espírito Santo. Era bispo nessa oportunidade d. Aloysio José Leal Penna e pároco monsenhor Almir José Cogiola. Como um dos sucessores da família Bastos, fui convidado a adentrar a Igreja carregando simbolicamente uma cruz tosca lembrando a façanha dos Bastos em 1888. Atrás de mim formou-se um corso conduzido pelo monsenhor Almir e a cruz foi por mim depositada ao lado do altar principal da Matriz. Por ficar defronte à estrada que ligava o povoado a Fortaleza, a região da nova capela começou a atrair o progresso, que antes se verificava na região da atual Baixada do Silvino e da Praça Washington Luiz. Com a ferrovia a partir de 1905, através da Estrada de Ferro Sorocabana e o início da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, o desenvolvimento nessa região acentuou-se.


O autor é bacharel em Direito formado pela ITE, mestre pela Unesp – câmpus de Bauru, membro da Academia Bauruense de Letras  e  colaborador do JC

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