| Samantha Ciuffa |
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| A ponte da Estrada Boa Vista, na região dos Sabiás, que faz a divisa entre Bauru e Piratininga, pode cair com nova chuva |
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| Erosão no cruzamento da Rosa Malandrino Mondelli e Marcos de Paula Raphael, região do M. Dota |
Chuvas que alagaram diversos pontos da cidade, veículos ilhados em meio à avenida Nações Unidas e até placa de rua que se arrastou junto à tempestade. Este cenário caótico foi vivido pelos bauruenses entre os meses de janeiro e março deste ano. O agravante é que a prefeitura, a menos de quatro meses do final da atual gestão, ainda não conseguiu recuperar todos os estragos. Para piorar, a temporada de chuvas fortes se aproxima.
Segundo o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, a pasta já realizou cerca de 25 obras de recuperação de vias em Bauru. O prejuízo, claro, foi provocado pelas chuvas intensas do início deste ano. Contudo, ainda restam dois pontos considerados, por ele, alarmantes. Por outro lado, Rodrigues não garante que a cidade ficará imune à época das águas, que deverá chegar em novembro, ou seja, daqui a um mês e meio.
Conforme o JC noticiou na edição do dia 23 de maio deste ano, a cidade possuía, até então, 5 mil buracos, incluindo aqueles originados pelo impacto das chuvas do começo do ano, bem como os derivados do desgaste do asfalto antigo e os abertos - e não tapados - pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para consertar vazamentos.
Na época, a administração municipal já tinha dado indícios, em reportagem do JC, que não tinha estrutura para recuperar os estragos até o início da próxima temporada das águas. Além disso, a única alternativa aventada pela prefeitura esbarrou em entraves burocráticos.
Rodrigues conseguiu a autorização do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para alugar caminhões e incrementar o tapa-buracos com mais seis equipes, três de responsabilidade da prefeitura e três custeadas pelo DAE. Um processo licitatório chegou a acontecer, mas a empresa que ofereceu o melhor preço para ceder o maquinário não apresentou toda a documentação exigida pelo edital e, portanto, não foi habilitada.
O titular de Obras alega que a cidade possui, agora, dois pontos considerados, por ele, alarmantes. Um terceiro, contudo, ainda inspira cuidados. Trata-se da ponte que separa Bauru de Piratininga, localizada na estrada vicinal Elias Miguel Maluf. No início deste ano, a cabeceira do dispositivo cedeu por conta das chuvas. Então, as duas prefeituras fizeram o reparo. Porém, nos últimos meses, o local apresentou quatro afundamentos, que foram consertados. No início de setembro, funcionários da secretaria utilizaram concreto usinado e ferragem para conter o problema, que teria sido provocado pela acomodação do solo sob a ponte.
Rodrigues explica que o rachão, uma espécie de pedra, estava passando pelo vão da cabeceira e caindo dentro do Rio Batalha, assim que os veículos pesados passavam pela ponte. “Tivemos de construir uma proteção embaixo da ponte, com o intuito de evitar outros afundamentos. Aparentemente, o problema foi resolvido e pode ser que a gente nem precise fazer uma recuperação mais ampla na parte de cima da cabeceira. Vamos aguardar”, diz.
EROSÃO PREOCUPA
Entretanto, ainda há a necessidade de recuperação de outros dois pontos críticos na cidade. É o caso da erosão que tomou conta do cruzamento das avenidas Rosa Malandrino Mondelli e Doutor Marcos de Paula Raphael, na região do Núcleo Mary Dota. O próprio secretário de Obras assumiu que restam poucos metros para que o grande buraco tome conta das duas vias que o cercam.
O objetivo, segundo Rodrigues, é tapar o espaço com resíduos da construção civil e construir um sistema de galerias, com o assentamento de tubos, a partir do cruzamento das avenidas. O procedimento serviria para canalizar a água das chuvas e, consequentemente, evitar nova erosão. “Também pretendemos construir um dissipador de energia, que fornece uma saída para a água das chuvas e diminui sua velocidade”, explica.
Ele diz que as obras devem começar na próxima semana, com previsão de término para a metade de dezembro, depois do início da época das chuvas. “Queremos começar a tapar a erosão nesta semana, para iniciar o assentamento dos tubos na próxima. Mas, se tiver chuva, a situação pode complicar para o nosso lado. O que eu posso dizer é que estamos nos empenhando ao máximo para que não tenhamos problemas quando a temporada das águas começar”, observa o secretário.
Outra ponte
O último ponto, por fim, é a ponte da Estrada Rural Boa Vista, na região do Parque dos Sabiás, que também faz a divisa entre Bauru e Piratininga. Com as chuvas do início deste ano, a estrutura afundou e, até agora, não foi recuperada.
“Os motoristas estão usando, mas a situação está precária. Se cair uma chuva forte, a ponte poderá cair e os moradores do bairro não terão acesso à Piratininga, ou melhor, ficarão ilhados. Estamos estudando a possibilidade de colocar uma ponte de madeira”, revela Rodrigues.
A meta é recuperar o local dentro de 60 dias, mas as obras ainda não começaram. Contudo, a Secretaria de Obras enfrenta outro problema: a prefeitura estabeleceu um teto para as horas extras dos servidores, decisão que afetará diretamente a recuperação dos pontos afetados pelas chuvas passadas.
Reunião
No mês passado, Sidnei Rodrigues se reuniu com o chefe de gabinete da Prefeitura de Piratininga, Maurício Firmino da Silva; o assessor de planejamento do município vizinho, Reginaldo Salvadeo; o chefe da conservação de Piratininga, Nilson Batista; o titular da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Chico Maia, além do engenheiro da Emdurb, Aníbal Ramalho.
O intuito foi, justamente, discutir soluções para os problemas estruturais das duas pontes que separam ambas as cidades. Os espaços ficaram prejudicados por conta das chuvas que caíram no começo deste ano.
| Divulgação |
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| Concreto usinado e ferragem foram usados na ponte que separa Bauru de Piratininga, localizada na estrada vicinal Elias Miguel Maluf |
Restrição de horas extras piora quadro
| Quioshi Goto/JC Imagens |
| Agostinho adianta que não há previsão para afrouxar o limite |
Depois de extrapolar o limite de horas extras por meses seguidos, a Secretaria Municipal de Obras voltou a ser orientada a reduzir o volume de serviços além da jornada dos trabalhadores. Esta restrição, imposta desde junho, já vem representando problemas para que a pasta consiga dar conta das inúmeras demandas de Bauru, que precisa se preparar para a temporada de chuvas que se aproxima.
Entre os serviços de manutenção que ficaram comprometidos – como já ocorreu de maneira mais acentuada nos primeiros meses do ano - estão tapa-buracos, terraplanagem de ruas de terra erodidas e limpeza de bocas de lobo. Como medida para minimizar o impacto do corte, a secretaria municipal de Obras passou a contar com maior número de reeducandos para realizar parte dos trabalhos.
Titular da pasta, Sidnei Rodrigues conta que, há três meses, recebeu a orientação para não ultrapassar o limite de 4 mil horas extras mensais. Em julho, chegou ao patamar de 4,2 mil, quando foi advertido novamente.
O secretário municipal da Administração, Célio Bucceroni, garante que o teto de 3 mil horas, estabelecido por decreto desde outubro do ano passado, não foi alterado. Na ocasião, o corte foi imposto a diversos setores da prefeitura após estouro de gastos com pessoal. Porém, com os estragos provocados pelas chuvas intensas do início do ano, a Obras acabou sendo autorizada a liberar a realização de horas extras. Segundo Rodrigues, a pasta havia conseguido se manter dentro da meta inicial até janeiro de 2016.
Mas, de fevereiro a maio, quando diversos serviços emergenciais tiveram de ser realizados, oscilou entre 5 mil a 6 mil horas, aproximando-se do volume que vinha sendo pago até setembro do ano passado. “Em junho, fui informado de que teria de baixar para 4 mil e temos concentrado esforços para não extrapolar o limite. Com o tempo seco, ajuda muito”, observa, salientando que pretende respeitar este patamar até o final da gestão Rodrigo Agostinho.
Cronograma ‘apertado’
Por este motivo, terraplanagens de ruas de terra, por exemplo, só estão sendo realizadas dentro da jornada normal dos servidores. “Estamos com o cronograma bem apertado porque tivemos de nos adequar a esta nova realidade. Nossa prioridade, agora, tem sido os serviços mais emergenciais no sistema de galerias”, pontua o secretário de Obras.
Ele conta que, para não comprometer completamente o desentupimento de bueiros, a pasta recebeu o reforço de 22 reeducandos do sistema prisional de Bauru, cuja hora trabalhada é significativamente mais barata do que a hora extra realizada pelos funcionários municipais, que possuem mão de obra mais especializada. “É claro que o ideal seria contratar mais servidores, mas é algo inviável neste momento. Então, encontramos nos reeducandos uma solução provisória”, pondera.
No início do ano, a secretaria contava com apenas oito homens e, agora, são 30, sendo que 10 trabalham exclusivamente na limpeza das bocas de lobo. “Em 15 dias úteis, conseguimos fazer 26 manutenções. Mas o ideal, na verdade, seria ter o dobro desta capacidade”, revela Sidnei Rodrigues.
Sem previsão
Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, não há previsão para afrouxamento dos limites de gastos com horas extras até o final de sua gestão. Ele salienta que o corte segue como estratégia fundamental para manter o percentual de gastos com pessoal dentro do teto exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de 51,3% da Receita Corrente Líquida (RCL) do poder público municipal.
“Claro que temos situações excepcionais, como foi na Secretaria de Obras nos primeiros meses do ano, que nos levou a flexibilizar o limite. Mas, neste caso específico, é algo que já foi normalizado. Agora, a regra segue bem rigorosa e novos cortes, inclusive em outras secretarias, poderão ser determinados caso a arrecadação municipal continuar caindo”, adianta.
O temor do chefe do Executivo é respaldado pelas análises do secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia. “Continuamos com o mesmo nível de queda na arrecadação que tivemos de janeiro a março. O aumento vem ficando em torno de 5% em relação ao ano passado, o que sequer repõe o índice de inflação”, completa.
| Quioshi Goto/JC Imagens |
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| Sidnei avalia que situação dos buracos está ‘controlada’ |
Tapa-buracos
Sidnei Rodrigues afirma que grande parte da demanda por tapa-buracos, que havia ficado represada no início do ano, já foi solucionada. Ele garante que, atualmente, o tempo de resposta da secretaria gira em torno de uma a duas semanas.
“É o intervalo médio em que conseguimos atender as reclamações registradas pelos moradores. No começo do ano, chegou a dois, três meses. Não estamos mais fazendo este trabalho aos sábados, mas avaliamos que a situação está controlada”, afirma, ressaltando que os servidores seguem com autorização para realizar horas extras dentro de limites preestabelecidos em alguns dias da semana.


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