Tribuna do Leitor

A percussão e o tambor

Maestrina Sonia Berriel
| Tempo de leitura: 3 min

Tambor é o nome genérico atribuído a vários tipos de instrumentos musicais do tipo membranofone, constituídos de uma membrana esticada percutida. Essa membrana pode estar montada em vários suportes.


Os instrumentos de percussão são aqueles que necessitam ser percutidos, impactados, agitados, raspados ou friccionados para que produzam som. Podem ser divididos em 2 grupos principais: os de altura indefinida ao ouvido humano e que são percebidos como ruídos (chocalho, tamborim ) e os de altura definida, que geram uma nota musical correta (tímpano, timbale, marimba, xilofone). Estes últimos são tambores afináveis.


Os instrumentos de percussão são os mais antigos instrumentos musicais e remontam aos primórdios da civilização humana. Seu uso está relacionado a festas, celebrações religiosas e profanas, cerimônias fúnebres, danças e outros eventos.


São encontrados em todas as culturas e em todos os continentes. São, sem dúvida, indispensáveis até os dias de hoje e se fazem presentes. Praticamente em todos os gêneros e estilos musicais. As orquestras usam esses instrumentos em músicas eruditas e a música popular também o faz.


Que seria do nosso samba sem os instrumentos de percussão... E das nossas bandas sem eles cadenciando suas marchas! O conservatório dramático e musical “Dr. Carlos de Campos”, de Tatuí, um dos melhores do Brasil, oferece cursos de percussão sinfônica e popular. São, no mínimo, 8 anos para chegar a receber o certificado de percussionista.


Com esse dado podemos verificar a dificuldade e a importância do estudo desses instrumentos pelas pessoas que querem se tornar percussionistas profissionais. Enquanto um instrumentista estuda seu instrumento, o percussionista aprende e estuda uma variedade enorme deles.


Em Bauru temos um grupo de percussão de grande qualidade: o Muguenkio Bauru Wadaiko Taiko, dirigido com rara competência e com grande amor pelo sr. Shozo Nakamine. Esse grupo utiliza tambores japoneses de variados tamanhos e timbres. Os instrumentistas, todos amadores, se apresentam executando belas e difíceis células ritmicas, com coreografia perfeita, o que indica muito aprendizado, muitos ensaios, disciplina e concentração.


A parceria que o Taiko de Bauru estabeleceu com o grupo profissional japonês “Japan Marvelous” proporcionou intercâmbio para que percussionistas bauruenses desses tambores se aperfeiçoassem no Japão.


Este ano o grupo Muguenkio de Bauru foi contemplado com 3 vagas de estágio no grupo profissional “Japan Marvelous”. Assim sendo, Eduardo Hideki Inoue estagiou lá por 6 meses e agora temos os irmãos Enzo e Yugo Shirosaki Marçal de Souza em estágio e estudo no Japão.


Todos os espetáculos que o Munguekio apresenta em Bauru trazem uma notória evolução técnica, são eventos lindos e com produção bem cuidada!  Isso é também produto, sem dúvida, da atuação da percussionista Jaqueline Yumi Seki, responsável pela direção dos espetáculos que o grupo apresenta.  Ela esteve no Japão por 3 anos. E se profissionalizou no grupo japonês “Taiko Marvelous”.


Nos espetáculos, vemos vários brasileiros tocando esses tambores japoneses. Crianças, adolescentes e adultos conjugados aprendendo e executando esses belos instrumentos de percussão.


Carolina Pompeia Fraga de Almeida se destaca no grupo de brasileiros do Muguenkio. Eu a vejo tocando desde 2006 e a parabenizo por devotar grande amor a essa arte milenar. Se você ainda não os assitiu, não perca! Quando eles se apresentarem, marque presença!  Não é só um espetáculo de tambores da cultura japonesa. É um espetáculo de arte e beleza que contamina a sensibilidade da platéia.


No ritmo emocionante das baquetas do Taiko, percutindo seus inúmeros tipos de tambores, vejo Bauru contemplada com um grupo de notável nível artístico. Parafraseando Rodrigues de Abreu, eu digo: “Cidade de espantos!”


E acrescento: ...que eu amo tanto!

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