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O Brasil passou pelo gargalo do PT

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 4 min

Se estivesse vivo, Antônio Ermírio de Moraes estaria vendo realizada a sua opinião: “O Brasil precisa passar pelo gargalo do PT”. Chegou ao fim, a rolha espocou, depois daquela firme aderência que chega a deslocar a unha ao forçá-la para sair. É o fim de outro ciclo, que começa bem e termina pelos escândalos. Assim foi com o fim do governo de Getúlio, do governo militar, de Collor e agora do petismo. Cada período começa sob animadoras expectativas de moralização e de melhorias gerais para o país e seu povo. O ciclo petista começou com a comovente história de um retirante nordestino chorando ao exibir o seu diploma de Presidente da República e garantindo que os pobres teriam direito a três refeições diárias. E terminou com mais de 11 milhões de desempregados e o maior escândalo de corrupção de nossa história.


Os ciclos são uma característica da vida. No caso do homem eles acontecem na vida individual e nos grupos sociais, em todos os seus tipos e tamanhos, da família, que é a célula, às organizações sociais civis e empresariais, às nações e aos blocos nacionais. O consultor americano Larry E. Greiner, de Harvard, desenvolveu, em 1998, um modelo de desenvolvimento das organizações em 5 ciclos, cada um caracterizado por uma fase de evolução seguida de um período de crise. Como nas fases da vida humana – infância, adolescência, idade adulta e velhice, cada ciclo organizacional, depois de uma fase de crescimento entra em crise, exigindo novas formas de tratamento para continuar o seu desenvolvimento. Se não houver uma transição adequada para o novo ciclo haverá uma descontinuidade ou retardo no desenvolvimento.


Com as devidas adaptações esse modelo se aplica às nações e blocos de nações como a União Europeia. O que vale observar é que quando cada fase chega ao ponto em que os problemas ameaçam a sua estabilidade, é necessário substituir os métodos e procedimentos que vinham sendo aplicados por outros que sejam adequados ao novo período. Do contrário, será o desastre, como vem acontecendo com o Brasil, que depois de vencer cada período de turbulência precisa recomeçar. Assim foi com o regime militar, iniciado em 1964, que depois do período de desenvolvimento chamado “milagre brasileiro”, terminou em crise e tudo teve que ser recomeçado, depois da restauração do regime democrático. Lula assumiu o governo numa boa fase de desenvolvimento, que prosseguiu com a euforia da “nova classe média”, e foi decaindo no governo Dilma até chegar à crise atual, perdendo muito do que havíamos conquistado em desenvolvimento.


O Brasil chega ao final desse ciclo com vários pontos abaixo da posição que havia conquistado. De líder dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está próximo a ser desclassificado. O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que em 2016 o PIB do Brasil (soma de toda a riqueza produzida pelo país) terá o 2º pior desempenho do Mundo. E essa situação poderia ser mais grave ainda se a agropecuária não tivesse o bom desempenho que teve, apesar das condições adversas. A indústria, que nos países adiantados é o maior contribuinte do PIB, nesse ciclo foi dizimada pela corrupção, cujo símbolo da desgraça é o depenamento da Petrobras.


O pior dessa história é que o mundo também está passando pela fase crítica de final do ciclo da globalização. O cientista político e economista Marcos Troyjo, integrante do Conselho Consultivo do Fórum Econômico Mundial, que se reúne anualmente na Suíça, em Davos, em matéria publicada na Folha, fala do redesenho do mundo, dizendo: “Em 25 anos, deixamos a globalização profunda em direção a um risco de desglobalização”. E aponta como sintomas da mudança uma tendência ao isolacionismo das nações, que ameaça a integração regional e os tratados de livre comércio.


A saída da Inglaterra da União Europeia, chamada de “brexit” é um desses sintomas. Se o Brasil já ficou meio à margem do desenvolvimento tecnológico, mais como usuário do que produtor de tecnologia e escorou sua economia na exportação de commodities (minérios e grãos), como vai fazer agora para retomar o seu desenvolvimento? Como e quando conseguirá recuperar o atraso, considerando a velocidade com que caminha o avanço da tecnologia? E não seria pior ainda, se o ciclo petista continuasse? Mas, para não dizer que estamos excluídos do mundo tecnológico, vamos sair por aí caçando Pokémon.


O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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