O JC trouxe, semana passada, matéria abordando o uso excessivo do cheque especial. Com a renda em queda, muita gente passou a contar com este limite para complementar sua renda. Aí mora o perigo.
Modalidade cara
A primeira questão a considerar é que esta é uma modalidade cara. As taxas de juros variam entre 8% e 13% ao mês. Só para dar a dimensão destas taxas, se anualizarmos estamos falando de 151,82% a 333,45%. Um absurdo. Os bancos justificam esta prática devido à elevada inadimplência (fico na dúvida, o que veio primeiro: os juros altos ou a inadimplência?) e que é uma modalidade de espera, ou seja, precisam deixar recursos provisionados para uso sem data prevista.
Modalidade de fácil uso, aí mora o perigo
A facilidade de seu uso talvez seja a maior indutora de seu uso. Basta passar o cartão de débito ou emitir um cheque, que, dentro do limite, o banco cobre o saque. Gera o que chamamos de "zona de conforto".
Se é cara, o uso tem ser racional
Aqui o grande desafio: uso racional. O limite do cheque especial deve auxiliar para socorrer em emergências. Imagine uma viagem e ocorre, por exemplo, algum problema no carro. Às vezes pega a pessoa desprevenida. Assim, o limite do cheque especial pode contornar o problema. O uso racional indica que deve ser uma alternativa para poucos dias.
Há opções mais baratas
Muita gente fala: "eu preciso do limite para suportar meus gastos". Aí pergunto: "quantos dias você deixa o limite sem uso?" Na maioria das vezes o uso é quase os 30 dias do mês, portanto, a pessoa já não tem limite algum. Venda um bem ou mude de modalidade. O crédito consignado é melhor opção para substituir o cheque especial. Até o crédito pessoal é mais barato. Imagine R$ 10 mil de limite com uso o mês todo. Vamos estimar uma taxa de juros de 10% ao mês. Vamos analisar sem o IOF. Juros do cheque especial: R$ 1 mil. Se conseguir um empréstimo de R$ 10 mil a taxa de 5% ao mês em 18 parcelas, pagará por mês R$ 855,46, ou seja, menos do que os juros atualmente pagos. Com uma enorme diferença: no cheque especial paga-se R$ 1 mil de juros e continua devendo R$ 10 mil, nesta modalidade proposta, paga-se R$ 855,46 e depois de 18 meses a dívida zerou. É matemático.
Agenda positiva
O governo de Michel Temer anunciou pacote de medidas na área de infraestrutura. Na prática, tornou mais atrativas as privatizações pensadas pelo governo anterior. Este é um primeiro caminho, mas é preciso avançar. O ajuste fiscal é um importante instrumento para garantir a retomada da confiança dos agentes econômicos. O limitador de gastos talvez seja um dos principais pilares do ajuste. O Congresso precisa estar alinhado com o Executivo Federal, caso contrário o retardamento da retomada do crescimento poderá ser superior ao que o mercado projeta. Muito diálogo e capacidade de articulação serão as tônicas daqui para frente.
Câmaras Setoriais
Michel Temer deve optar por um modelo muito utilizado no início dos anos 1990: Câmaras Setoriais. É um modelo em que os setores que geram riquezas na economia são chamados para auxiliar na retomada do crescimento e discutirem questões envolvendo custos e outras variáveis que impactam a economia. Aprecio a lei de mercado, portanto, uma visão liberal, mas há momentos em que é preciso induzir a economia. Isso dá maior velocidade visando alcançar os resultados necessários. Vale lembrar que o mercado brasileiro tem como característica muita concentração nos principais setores, portanto, está longe de praticar à velha e conhecida lei da oferta e procura.
Mude já, mude para melhor!
A semana passada tive uma experiência nada agradável com alguém que no mínimo imaginava ser colega: um gesto pequeno de minha parte, um pedido de ajuda profissional dentro de algo bem razoável, gerou uma resposta no mínimo desrespeitosa, sem motivo algum. Isso me fez pensar no quanto algumas pessoas estão intolerantes e o quanto estas pessoas não estão nem aí para o convívio em sociedade. Por capricho elevam o tom em assuntos que um simples não poderia ser o melhor caminho. Será que as pessoas estão individualistas demais? Será que amizades de anos não são importantes? Será que não pensam que ali na frente talvez precisem de ajuda e poderão ter uma resposta na mesma proporção de seu ato? Não quero acreditar que perdemos o respeito no trato com as pessoas. Talvez alguns precisem de ajuda. Sempre é tempo para mudar. Mude já, mude para melhor!