Polícia

Funcionário é acusado de estuprar aluno de 7 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um funcionário de uma escola estadual de Bauru foi acusado de estuprar e ameaçar um aluno de sete anos de idade dentro do banheiro da unidade. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que ouviu o suspeito, nesta sexta-feira (16). Ele nega a acusação e segue em liberdade.

Os nomes do garoto e de seus familiares, assim como da unidade escolar, foram preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A identidade do homem também não será divulgada, uma vez que ele responde em liberdade.

A família informou à reportagem que o Instituto Médico Legal (IML) constatou lesões no ânus da criança. O laudo, contudo, ainda não foi divulgado e só deverá chegar às mãos das autoridades policiais na próxima semana. 

O menino relatou aos pais que foi estuprado pelo funcionário há cerca de um mês e também na manhã da última quinta-feira. “Ele mudou completamente o comportamento. Não brinca mais com a gente como brincava. E está, desde ontem, com o joelho todo machucado”, comenta a mãe. 

O pai conta que, há cerca de 30 dias, o filho reclamou de dores na barriga e acabou evacuando antes de chegar ao banheiro. “Estávamos em casa, já no início da noite. Junto com as fezes, tinha sangue e uma gosma na cueca, que tinha cheiro de esperma. Fiquei sem acreditar, mas insisti para que ele me contasse o que tinha acontecido”, relembra.

A criança chegou a admitir que havia sido abusada sexualmente, mas, logo em seguida, negou o que havia dito. “Então, achei que pudesse ser verme. Dei remédio e aquela história acabou passando”, detalha. Mas, depois de voltar da escola na última quinta-feira, o aluno voltou a reclamar de dores, desta vez, em suas partes íntimas. 

Os pais relatam que o menino revelou o que havia ocorrido depois de muita insistência. “Ele estava apavorado, mas acabou contando para a mãe. Disse o nome do funcionário e deu detalhes de toda a história”, afirma o pai.

Ameaças

A mãe conta que o estupro aconteceu pouco antes do intervalo de aula. Os alunos teriam ido ao banheiro para lavar as mãos e a vítima era a última da fila. Quando as demais crianças saíram, o agressor, que estaria atrás da porta, teria segurado o garoto e se trancado com ele no banheiro. 

“O funcionário disse que, se meu filho contasse alguma coisa para alguém e ele fosse preso, iria matar uma pessoa da família. Depois, tampou a boca do meu filho, o colocou de quatro, abaixou sua calça e o estuprou. É uma covardia o que ele sofreu. Ele só não contou antes porque ficou com muito medo”, pontua, dizendo que a criança revelou ter sido estuprada há cerca de 30 dias.

Os pais acionaram a PM e registraram boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ). Na tarde de ontem, depois que o menino foi submetido a exame no IML, foram até a escola na tentativa de encontrar o funcionário.

“Ficamos revoltados. Queríamos acertar as contas com ele, mas ele não estava”, diz a mãe. A unidade acionou a PM e, pouco tempo depois, o funcionário foi até o local, sendo encaminhado à CPJ, onde prestou depoimento.

Acusado nega

À reportagem, o homem acusado de estupro negou ter violentado ou tido qualquer contato próximo com a criança. Alegou ainda, que existem câmeras de monitoramento direcionadas para a porta do banheiro, que podem comprovar que ele não esteve no local com o aluno.

“Eu não entrei ali. Tive um dia normal de trabalho e não tenho ideia do motivo que levou esta criança a contar esta história. Não é um menino que dá trabalho e nunca precisei dar bronca pesada nele, algo que pudesse levá-lo a tentar se vingar de mim. Mas estou tranquilo, com a certeza de que as investigações irão mostrar que tudo o que ele disse não é verdade”, completa.

Secretaria da Educação do Estado tira o acusado do contato com o público

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou, no final da tarde de ontem, que o funcionário já está afastado do contato com o público preventivamente. Neste primeiro momento, ele atuará somente em serviços administrativos da escola. 

Ainda de acordo com a assessoria, a partir de segunda-feira, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) fará ampla apuração sobre o caso, ouvindo todos os envolvidos, inclusive a direção da escola e demais funcionários. 
Caso a denúncia for confirmada, a Secretaria da Educação do Estado afirma que irá afastar o acusado de todas as suas funções. 

 

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