| Aceituno Jr. |
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| João Jabbour, mediador, e a apresentadora Larissa Rosseto com os candidatos à principal cadeira do Palácio das Cerejeiras |
Um debate propositivo e quase desprovido de confrontos diretos. Talvez essa seja a definição mais adequada para o encontro entre os seis candidatos à Prefeitura de Bauru, promovido pela TV Unesp e pelo Jornal da Cidade, na noite do último sábado (17). Os pretensos sucessores à principal cadeira do Palácio das Cerejeiras evitaram trocar críticas e acusações, mas falaram sobre, pelo menos, 17 temas – alguns pautados pela produção do programa e por eleitores que formularam questões.
No recheio das intervenções, metas grandiosas, como hospital municipal, passe livre no transporte público para estudantes e fim das filas por creches. Os prefeitáveis, contudo, tentaram sinalizar estratégias para alavancar as receitas do governo a fim de viabilizar ao menos parte de suas ideias.
Como já noticiado pelo JC, até o início deste mês, a administração não havia conseguido equacionar o Orçamento da Prefeitura para 2017, em função da diferença de R$ 36 milhões entre as estimativas de gastos e expectativas de arrecadação para o próximo ano. A Saúde é a pasta mais impactada pelo aperto financeiro.
Político
Gazzetta (PSD) e Raul (PV) apostaram, sobretudo, no discurso político. O primeiro disse que os 10 partidos que integram sua coligação estão representados nos governos estadual e federal. Além disso, o ambientalista frisou que essas siglas aglutinam 30% da bancada de deputados federais, por meio dos quais o município poderá acessar a emendas parlamentares. Gazzetta alegou que, a partir do ano que vem, a União será obrigada a pagar as indicações desses recursos, dos quais 50% terão que ser dirigidos à área da Saúde.
O candidato do PSD voltou a falar que destravará a cidade nos primeiros 100 dias de seu governo, caso seja eleito. Na mesma linha, Raul garantiu que atualizará a Lei de Zoneamento. Segundo ele, o texto atual, vigente desde 1982, impede o desenvolvimento e a renovação de alvarás de quem já trabalha.
O prefeitável do PV destacou, implicitamente, a presença do PSDB em sua coligação, listando investimentos do governo estadual no município e a boa relação com o deputado Pedro Tobias e o governador Geraldo Alckmin – assim como ele, os dois são médicos -, que ajudaria no diálogo acerca dos gargalos da Saúde.
Parcerias
Renato Purini (PMDB) afirmou que, caso eleito, investirá no desenvolvimento, gerando emprego e renda, e possibilitando a ampliação de recursos para financiar políticas de saúde, educação e assistência.
Maior entusiasta das Parcerias Público-Privada (PPPs) no debate, o candidato apoiado pelo prefeito Rodrigo Agostinho garantiu que as outorgas onerosas pagas pelas empresas que tocarão esses projetos impulsionarão as receitas municipais.
Reorganização
Henrique Almirates (PRB) tentou desconstruir os discursos de Raul e Gazzetta, alegando que Geraldo Alckmin, por exemplo, com quem já trabalhou como secretário adjunto do Desenvolvimento Social, ajuda as prefeituras independentemente dos partidos que as comandam.
O candidato enfatizou que combaterá o excessivo número de cargos de confiança no governo e disse que ampliará em 248% a arrecadação resultante da cobrança de dívidas junto ao fisco municipal. Para ele, no entanto, o maior desafio do próximo prefeito será “reorganizar” a casa.
Pela esquerda
O Maria Flor Di Piero (PSOL), por sua vez, defendeu o que chamou de “políticas fiscais progressistas”, citando auditorias das contas públicas, cobrança de grandes devedores, implementação do IPTU Progressivo no Tempo para combater a especulação imobiliária e aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).
Osmar Brito (PCO), por sua vez, disse que a política de cortes de gastos proposta pelo governo Michel Temer inviabilizará investimentos e melhorias do serviço público.
Não é bem assim...
Ao longo do debate, os candidatos expuseram algumas informações equivocadas ou imprecisas. Maria Flor, por exemplo, ao defender o horário de funcionamento estendido das escolas de educação infantil em tempo integral, afirmou que as unidades municipais atendem crianças até as 16h. Na verdade, estão abertas até as 17h.
Raul alegou que a Fundação Regional de Saúde contrate médicos para todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Hoje, ela atua em duas das quatro. O candidato alegou que, dessa forma, a remuneração dos profissionais não é contabilizada na folha de pagamento da Prefeitura. Contudo, recente decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta o contrário.
Gazzetta disse que o impasse em torno do tratamento de esgoto em Bauru está praticamente equacionado, mas não mencionou os problemas na execução da obra da estação nem as divergências em torno do projeto executivo que podem encarecer e até paralisar os trabalhos.
Sobre o mesmo assunto, Henrique Almirates afirmou que os R$ 20 milhões em reajustes já solicitados pela empresa que constrói a estação seriam suficientes para construir casas populares, sanar o déficit de vagas escolares ou comprar remédios. O dinheiro, no entanto, é carimbado, do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE).
Renato Purini destacou as obras de instalação de interceptores e a retirada do esgoto da área urbana da cidade, sem mencionar, porém, que o Rio Bauru continua recebendo dejetos domésticos porque o contrato com a empresa que executaria o serviço foi rompido antes da conclusão dos trabalhos.
TV Unesp e JC avaliam o debate
| Aceituno Jr. |
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| Diretora da TV Unesp, Ana Sílvia destacou a parceria |
Diretora da TV Unesp, Ana Sílvia Médola destacou o sucesso da parceria com o JC na realização do debate. “Iniciamos a parceria na eleição de 2012 e é muito bem sucedida porque une o veículo de maior alcance da região a uma emissora educativa, de uma universidade pública, ambos com o dever de contribuir com a democracia”. Ela considera que o debate é uma ferramenta importante para que a comunidade possa comparar propostas e identificar recorrências, alternativas e novidades nas ideias apresentadas pelos candidatos.
Ricardo Polettini, diretor de Jornalismo da TV Unesp, ressalta a gama de assuntos abordados no programa. “Proporcionou ao eleitor oportunidade de ver como os candidatos se posicionam em relação a determinados temas, colocados de ‘supetão’. Nenhum deles teve acesso prévio às questões lançadas”.
João Jabbour, diretor de redação do JC, mediador do debate, destacou o ineditismo da transmissão multimídia em 10 plataformas diferentes, “desde os meios tradicionais, como TV, rádio (Unesp FM) e, hoje, aqui pelo impresso, até todos os canais possíveis pela Internet – os sites das emissoras e do JC, e redes sociais como Facebook (páginas do JC e da TV Unesp) e Youtube, onde o debate segue sendo assistido sob demanda, com excelente audiência, para ninguém dizer que desconhece os candidatos”.
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| Polettini, diretor de Jornalismo da TV, elogiou gama de temas |


