Bairros

Bauru quer diversificar espécies de árvores para "driblar" pragas

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Siraricito, como o da quadra 11 da Octavio Pinheiro Brisolla (foto acima), é uma das árvores recomendadas; já o plantio da chapéu de sol (abaixo), como a que tem na quadra 12 da rua Saint Martin, deve ser evitado

Durante muitas décadas, o plantio de árvores na zona urbana de Bauru se restringiu a poucas espécies que foram “moda” durante determinadas épocas. Canelinha, oiti, resedá, fícus, chapéu de sol e sibipiruna são alguns dos exemplos. O problema é que isso facilita a ação de pragas, justamente pela falta de diversidade. O tema ganha ainda mais destaque nesta quarta-feira (21), quando é celebrado o Dia da Árvore.

Para tentar reverter o quadro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) vem buscando, nos últimos anos, orientar o plantio de espécies diferentes. Mirindiba rosa, aldrago, siraricito, ipê branco e ipê amarelo estão entre as árvores que entraram com força no rol de indicações.

Engenheiro agrônomo da Semma, Luiz Fernando Nogueira Silva detalha o problema da falta de diversidade. “Durante muito tempo, não houve grande variedade nas espécies plantadas na cidade. Em alguns bairros, a concentração é mais nítida, como a sibipiruna no Núcleo Gasparini, o chapéu de sol no Jardim Bela Vista e na Vila Falcão, e o oiti na zona sul. Só que isso favorece a ocorrência de pragas, pela falta de diversidade, porque se plantou muitas árvores iguais na mesma região”, pontua.

Espécies vetadas

Algumas espécies, inclusive, são vetadas pela pasta quando é solicitado, no Habite-se, o plantio na calçada, em frente ao imóvel. “Não aceitamos fícus, chapéu de sol, resedá e falsa murta, por exemplo. Além disso, há espécies que já são proibidas mesmo, como eucalipto e pinheiro. Outras não estão vetadas, como oiti e canelinha, mas não recomendamos porque o risco de pragas é alto. A maioria das canelinhas que existem em Bauru já sofrem com as brocas, que são lagartas brancas”, explica Silva. “O oiti é uma boa árvore urbana, mas é uma potencial candidata a ter pragas, porque foi plantada em excesso no passado”, completa.

Por outro lado, a Semma vem recomendando espécies até então pouco comuns na zona urbana de Bauru. “Mirindiba rosa, aldrago, siraricito e os ipês branco e amarelo são boas opções, indicados atualmente para o plantio na cidade. São árvores de pequeno a médio porte, adequadas para estar nas calçadas”, reitera Silva.

“No entanto, é importante que as pessoas plantem as árvores em um espaço bom na calçada. Não pode ser um canteiro muito apertado e, depois, sempre estejam atentas a eventuais pragas. É importante que, além de plantar, a população sempre observe a saúde das árvores”, conclui.

Festa Anual

A Semma dá continuidade hoje à Festa Anual das Árvores, que, neste ano, é celebrada em três locais. Entre segunda-feira (19) e terça-feira (20), foram plantadas 250 árvores nativas e frutíferas na praça ao lado do Ecoponto do Rasi. Hoje, às 9h, o Bosque da Comunidade receberá o plantio de mudas nativas, com o auxílio de 50 crianças do Colégio Sciens. Amanhã, também às 9h, técnicos da Semma farão o plantio na avenida Nações Norte, na área do futuro Parque do Castelo.

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