O asfalto novo em ruas de terra, inegavelmente, foi a principal vitrine da era Rodrigo Agostinho à frente da Prefeitura de Bauru. Quando as 700 quadras inseridas nos contratos do PAC estiverem pavimentadas – a previsão é de que isso ocorra até dezembro de 2017, restarão apenas 250 sem pavimentação na cidade, de acordo a Secretaria de Obras. O avanço é inegável. Por outro lado, a recuperação e a conservação de vias públicas já asfaltadas se apresentam como grandes desafios para o próximo governo.
Basta dar uma volta pelos bairros ou pelo Centro para constatar: a cidade está tomada por buracos. Recente reportagem do JC revelou que os estragos provocados pelas chuvas do início do ano ainda não foram totalmente consertados, a poucos meses do início da próxima temporada de águas. O DAE, por sua vez, também não dá conta de repor todo o asfalto que corta para reparar os milhares de vazamentos nas redes de água e esgoto.
Falta de dinheiro, de estruturas operacional e de pessoal justificam o gargalo. Para piorar, em meio ao quadro que incluiu o asfalto vencido em mais de 6 mil quadras de Bauru, o Orçamento da Prefeitura para 2017 aponta o congelamento de recursos destinados à operação tapa-buracos e a inexistência de verbas reservadas para o recape. Isso porque a contrapartida ao empréstimo de R$ 38 milhões para viabilizar o PAC Pavimentação – que será pago ao governo federal ao longo dos próximos 20 anos – exigirá o desembolso de mais de R$ 16 milhões da prefeitura em 2017.
Hoje os candidatos apresentam suas propostas para a mobilidade urbana, versando também sobre macroprojetos de infraestrutura e ideias para aprimorar o transporte coletivo urbano, cujo número de usuários tem caído nos últimos anos, na contramão do plano de remodelagem recentemente contratado a peso de ouro pela Emdurb.
Esta é a segunda publicação do Agenda Bauru, que abordará 6 temas e trará caderno especial sobre Desenvolvimento nas próximas edições.
OSMAR BRITO (PCO)
| Samantha Ciuffa |
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O candidato Osmar Brito afirma que a Prefeitura de Bauru errou ao iniciar e, posteriormente, concluir a construção do viaduto sobre a linha férrea, que liga as regiões do Bela Vista e da Vila Falcão. Segundo ele, o município deveria ter transferido os trilhos para fora da área urbana, como em Araraquara.
“No lugar, poderiam ter construído grandes avenidas. Com certeza, a fluência do tráfego estaria bem melhor hoje”.
Ele afirma que somente com verbas do Estado e da União, a administração poderá executar grandes obras de infraestrutura, como o alagamento de vias, por exemplos. Osmar defende que o transporte coletivo urbano seja operado diretamente pelo município ou, como transição, por cooperativas.
“Há uma grande demagogia em torno da Tarifa Zero. Em cima da concessão a empresas privadas que buscam o lucro, isso é inviável, pois exigiria um repasse enorme da prefeitura”.
RAUL (PV)
| Samantha Ciuffa |
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Depois da saúde e da segurança, em alguns bairros o asfalto ainda é a maior reivindicação da população, segundo Raul. Como o número de ruas de terra será relativamente pequeno após o PAC Pavimentação, ele diz que priorizará a gestão da conservação da pavimentação, articulando as ações da Secretaria de Obras e do DAE.
“Dependendo da situação, é muito melhor implantar uma camada de 1 centímetro de asfalto sobre a via do que ficar tapando buracos. Mas não dá para fazer isso em ruas com 15 casos de vazamentos no período de dois anos. Eu fiz o levantamento e existem casos assim, especialmente no Mary Dota e no Nobuji”.
“A cidade foi toda asfaltada, mas o que deveria durar 20 anos está parecendo um queijo suíço. Essa minha proposta não é trabalho para um prefeito só. Mas temos que criar procedimentos para serem seguidos”.
Sobre o transporte coletivo, Raul destaca a necessidade de substituir a frota por veículos movidos a etanol, como já ocorre em 30% dos ônibus urbanos que circulam na capital. Como os cartões que possibilitam a integração de viagens, o candidato não enxerga a necessidade de construções de terminais.
O prefeitável pelo PV diz que as linhas do coletivo precisam chegar aonde se concentram pontos de grande circulação. “É uma grande reclamação. Não tem ônibus que sai do Nova Esperando até a UPA Bela Vista. Temos exemplos concretos de demandas como esta que foram sanadas apenas com um pouco de sensibilidade.”
RENATO PURINI (PMDB)
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Além de zerar em definitivo a demanda por asfalto novo nos quatro anos de seu eventual governo, Renato Purini diz que pretende executar um “robusto” Plano de Recape. O peemedebista garante também que, para evitar danos à pavimentação, o DAE passará a executar reparos nas redes de água e esgoto pelas calçadas.
“Essa é a maior demanda dessa área hoje, já que o Rodrigo [Agostinho] acabou com a maior parte das ruas de terra. Para isso, vamos buscar novas fontes de receita. Contar com o que temos hoje é complicado. Vamos informatizar nossos sistemas, desburocratizar”.
Segundo o candidato, o pagamento de outorgas a partir de Parcerias Público-Privadas (PPPs) é uma alternativa, bem como a securitização (venda) da dívida ativa municipal e a aplicação do IPTU Progressivo no Tempo a imóveis abandonados.
Para o transporte coletivo, Purini diz que rediscutirá com as empresas concessionárias possibilidades de melhorar a qualidade dos serviços e da frota.
“Talvez colocar a reavaliação da planilha de custos na pauta seja outra possibilidade. Se o serviço for de qualidade, talvez o valor da tarifa passe a ser considerado justo. Vamos estimular o uso dos circulares. Até porque, quanto mais gente utilizando, menor serão os impactos no custo da passagem”.
Purini enxerga ainda a avenida Rodrigues Alves como um grande terminal de integração “a céu aberto” para o transporte coletivo.
“Já existe projeto para isso. Consta no nosso plano buscar recursos para tirá-lo do papel”.
GAZZETTA (PSD)
| Malavolta Jr. |
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O candidato acredita que com a regionalização da gestão, a partir da criação de subprefeituras com equipes de trabalho e maquinários próprios, os serviços de conservação e reparo das vias públicas serão executados de forma mais eficiente e barata.
Para recuperar o asfalto vencido e viabilizar obras de interligações na cidade e de destravamento do trânsito em trechos com tráfego complicado, contudo, Gazzetta aposta em ações políticas para captar recursos a partir de emendas parlamentares e na elaboração de projetos de qualidade que possam ser submetidos a editais de outras instâncias governamentais.
“De fato, faltou recuperar o asfalto vencido e são muitos desafios colocados, como a duplicação da via que dá acesso ao Mary Dota. Vamos acessar todas as possibilidades de verbas e pensar no desenvolvimento regional. Temos poucos deputados que nos representam de forma ativa. Vamos exercer pressão política e liderar esse movimento de prefeitos para que os governos percebam a região com outros olhos”.
Gazzetta destaca também a necessidade de captar recursos para as obras de macrodrenagem da Nações Unidas. Em valores atuais, o custo estimado das intervenções é de R$ 240 milhões.
Sobre o transporte coletivo, o candidato do PSD diz que estenderá a gratuidade do serviço para idosos com 60 anos ou mais. Hoje, a idade mínima é de 65 anos. Posteriormente, cogita viabilizar o Passe Livre para estudantes.
“Para a próxima licitação de concessão, temos que discutir a qualidade, o uso de combustíveis não fósseis e reavaliar itinerários. Talvez não seja eu o próximo a fazer essa transição, mas quero deixar um novo modelo”.
HENRIQUE ALMIRATES (PRB)
| Aceituno Jr. |
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Resolver 25% da demanda por asfalto a cada ano de sua gestão, cuidando também das vias que dependem de recape. Esta é a meta de Henrique Almirates caso seja eleito. Para isso, diz que, sob seu comando, o município executará as obras necessárias com mais eficiência e rigor com o dinheiro público, impulsionando ainda as receitas da administração, a partir de medidas de aprimoramento de cobranças da dívida ativa de grandes devedores junto à Prefeitura de Bauru.
“Sabemos como fazer e apostamos também na recuperação da economia. Vamos ainda ter mais carinho com a Usina de Asfalto. Não podemos aceitar é continuar vivendo na cidade dos buracos”.
Almirates explica que seu programa para mobilidade contempla desde o pedestre até o transporte de massas. “Vamos começar pelas pessoas. Pedestre vai ser respeitado. Precisamos adequar as faixas e trabalhar forte na conscientização. Em várias cidades, já é assim: as pessoas pisam nas faixas e os motoristas param”.
O candidato do PRB aposta ainda na expansão de ciclovias e em obras de interligação entre bairros. Para o transporte coletivo, Almirates defende a construção de terminais urbanos. “Vamos acabar com a baldeação na Rodrigues Alves. O usuário dos circulares terá segurança”. Segundo ele, uma nova Rodoviária será erguida, de preferência na região Norte de Bauru, e o prédio atual servirá como um dos terminais para circulares.
O candidato sugere que recorrerá a PPPs para viabilizar essas obras. Paralelamente, sugere a reorganização das linhas do transporte coletivo.
“Se há linhas deficitárias, vamos operá-las com veículos menores e realocar os maiores para os trajetos com maior demanda, especialmente em horários de pico”. Ele pretende pavimentar os caminhos para, futuramente, viabilizar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
MARIA FLOR DI PIERO (PSOL)
| Malavolta Jr. |
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Caso seja eleita, Maria Flor diz que vai priorizar a pavimentação sustentável e permeável nas vias públicas, com o intuito de combater o problema crônico de inundações em alguns pontos da cidade.
“Não é só uma questão de minimizar os buracos, que, em sua grande parte, são causados pela rede velha do DAE”.
A candidata defende que o transporte público seja operado diretamente pela Prefeitura de Bauru. Segundo ela, sem a busca pelo lucro das concessionárias, será possível construir progressivamente políticas públicas que culminem no conceito da Tarifa Zero.
“Não dá para fazer da noite para o dia. A gente propõe ideias boas para a população, mas que exigem planejamento para a execução”.
Flor sugere que o fim da cobrança seja implantado, inicialmente, aos finais de semana. Depois, a prefeitura assumiria a execução dos serviços nas linhas de maior movimento.
“Não proponho a quebra, mas a revisão dos contratos. Para termos uma boa cidade, precisamos reinventá-la. Não dá para acharmos que estamos eternamente presos e amarrados a essa situação. Vamos enfrentar as discussões necessárias, sempre dialogando. As empresas precisam entender que também são responsáveis pelo município”.
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