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O ideal e o possível

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil precisa urgentemente entrar na rota da recuperação da economia. Pronunciamentos de alguns importantes investidores, tanto nacionais como internacionais, demonstram que gradativamente a confiança vem retomando. As travas de nossa economia são de tamanha grandeza que me parece que a melhor estratégia é optar, no curto prazo, pelo “possível” em vez do “ideal”. O projeto de longo prazo deve continuar e não podemos perder de vista o enfrentamento daquilo que podemos denominar de gargalos que impendem à sustentação de nosso crescimento.


Se o ideal é gerar superávit primário, o possível será reduzir o déficit. Se o ideal é reformar a Previdência Social estabelecendo tetos, novas idades de aposentadoria, entre outras, o possível será fatiar a proposta. Este ano é preciso levar a efeito um mínimo de mudanças que permitam vislumbrar um horizonte melhor, abrindo espaço para uma discussão mais apurada o ano que vem. Este caminho evita “emperrar” a proposta como um todo.


Se o ideal é abrir os cofres para investimentos em infraestrutura, o possível será focar em setores que impactem já o emprego e renda. O ideal seria elevar a oferta de produtos e serviços, derrubando definitivamente a inflação, mas o possível seria o controle dos preços com a aplicação de políticas fiscal, monetária e cambial e ainda criando condições para acordos setoriais. O ideal seria a retomada forte do emprego, mas o possível é estancar o desemprego. O ideal seria levar a efeito as reformas estruturais, entre elas a tributária, administrativa, política e administrativa, mas o possível pode ser a simplificação dos tributos, e o início da discussão de qual modelo de Estado o País deseja.


O ideal seria um Estado que se concentrasse em suas atividades básicas tais como: saúde, educação e segurança, reduzindo seu tamanho, apostando em produtividade, mas o possível é chamar a iniciativa privada para atividades que não são atividades fins do Estado. Enfim, há uma infinidade de ações ideais dentro do que podemos denominar de agenda positiva, mas pelo pouco tempo que temos até as próximas eleições presidenciais, devemos apostar no possível, desde que este possível resgate a confiança dos agentes econômicos, e com isso permita sair desta letargia em que nos encontramos.


O que verdadeiramente interessa no curto prazo é que o equilíbrio macroeconômico seja resgatado e com ele haja convergência no controle econômico. A agonia dos agentes econômicos é de tamanha grandeza que não há tempo a perder. É preciso, sim, um projeto ideal de longo prazo, mas é fundamental que ações de curto prazo, dentro do que é possível, sejam implementadas, já!


O autor é economista e articulista do JC

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