Tribuna do Leitor

Paixão política

Darci da Luz ? advogado e membro da ABLetras
| Tempo de leitura: 2 min

É inacreditável e surpreendente como a paixão política doutrina, cega e tira das pessoas o raciocínio lógico da realidade. Petistas, militantes ou simpatizantes do PT, ou do seu ídolo maior, Luiz Inácio Lula da Silva, e também da ex- presidente Dilma, fazem questão de repudiar a posição dos que se manifestam contrários ao seu ídolo (Lula), e favoráveis ao afastamento da presidente Dilma. Tais militantes e simpatizantes têm todo tipo de justificativas e avocam milhares de outros pretextos para imputar que o afastamento do governo foi um “golpe”.

    

Para cada motivo favorável ao afastamento tais simpatizantes têm duas ou três respostas, na ponta de língua, para criticar que o afastamento foi mesmo um “golpe”. A paixão política impede aos militantes ou simpatizantes de raciocinarem, com clareza, sobre atos e fatos utilizados e promovidos pelo seu ídolo, na função que exerce. É claro que alguns apaixonados politicamente o fazem objetivando levar algum tipo de vantagem pessoal, por razões várias. Outros, porque admiram seu ídolo, mesmo que dele não receba qualquer tipo de vantagem. Uma outra corrente o faz com o objetivo de levar alguma vantagem para si ou para outrem.

      

O que as pessoas comuns e de bom senso estranham e não concordam é que esses apaixonados politicamente defendam com “unhas e dentes” e com tamanha veemência os seus ídolos, sem coerência, sem nenhuma razão, viável de aproveitamento, para cada caso específico. É sabido que a presidente afastada cometeu algumas irregularidades na área econômica-financeira, tidas como pedaladas fiscais, ocorridas para que pudesse dar continuidade aos programas sociais (ex. Minha Casa Minha Vida), que estavam em andamento. Houve descontrole das contas públicas; dívidas bancárias; gastando mais do que arrecadava; dólar alto, queda de consumo de bens e serviços; desemprego em patamar nunca visto; e tantas outras mazelas político-administrativas, razões que a levaram ao afastamento.


Os partidários, militantes ou simpatizantes só poderiam contar com a rolagem das pendências, como elas se apresentavam, sem jamais esclarecerem como elas seriam solucionadas, assim como por que não foram resolvidas, antes, que tudo isto viesse ao conhecimento geral? Com o advento da Operação Lava Jato, as delações, investigações e prisões são duramente criticadas pelos apaixonados e militantes petistas.

    

O bom senso propõe o respeito mútuo, pois o contraditório é saudável. Há que se respeitar os que foram ou são favoráveis ao afastamento. Todavia, os militantes e apaixonados politicamente contrários ao afastamento da presidente, que bradam a todo custo “golpe parlamentar” ou “quanto pior melhor”, haveriam de indicar, em tempo hábil, solução aos problemas criados pelos seus ídolos, e por que deixaram chegar onde chegou. Palavras ao vento não bastam; críticas hão que ter consistência. Críticas sem consistência caem no vazio.

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