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Globalização: e se Roma tivesse wi-fi?

Mário Henrique da Luz do Prado
| Tempo de leitura: 2 min

A história encontra no ideal da expansão territorial o maior fenômeno de poder. Temos, sem medo de erro, como um dos melhores exemplos o Império Romano, tido pelos historiadores com o maior império da história, que tinha em sua extensão territorial um dos seus atributos (tendo sido o seu tamanho, após, um dos pilares do seu próprio colapso).

Na Idade Média, a riqueza era medida pela quantidade de terras e - pasmem - a Igreja Católica era a maior dona de terras. Ainda bem que conseguiu esconder todo seu ouro nos porões do Vaticano. As 13 colônias britânicas, após o “Fourth July”, se transformaram no quarto maior país do mundo, indo de um oceano ao outro, divulgando a crença do “destino manifesto”, que pregava que o povo dos Estados Unidos é eleito por Deus para civilizar a América.

Sim, matar os índios, destruir a fauna e a flora eram a vontade de Deus, segundo a crença dos americanos expansionistas. Deu certo. A expansão territorial dos EUA foi um fator decisivo para o seu imperialismo. Inclusive, foi graças ao expansionismo dos EUA que pudemos, todos nós, chorar (menos eu) ao assistir ao filme Titanic. Sim, isso mesmo.

Foi na Califórnia, oposto geográfico das 13 colônias, que surgiu o cinema da forma que conhecemos - a região se tornou a mais rica dos Estados Unidos graças à chamada “corrida do ouro”, no século XIX. Que dizer, então, do movimento sionista? Além de uma disputa religiosa, é, inexoravelmente, uma briga secular pelas terras santas. Afinal, terra é poder. Não é senão num tom subversivo que a “evolução” trouxe um novo imperialismo. A globalização.

A globalização se trata, inexoravelmente, de um fenômeno antidemocrático. O imperialismo que era territorial não foi democrático. O dos dias de hoje, igualmente, não o é. O fenômeno da globalização tem conotação, stricto sensu, ligada ao conceito de abertura de mercados, com quebras de fronteiras. Contudo, analisado lato sensu, o conceito se traduz na invasão ideológica e cultural, que ignora os fenômenos regionais em prol da “padronização” dos padrões de vida direcionados a todos nós, com ênfase no consumo desenfreado e ignorância dos mais básicos valores de convivência e sentimento social. E se Roma tivesse wi-fi? Seria mais que as 13 colônias.


O autor é advogado e colaborador de Opinião

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