Polícia

Gangorra no crime: roubo cresce, mas homicídio despenca em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Seguindo a tendência das demais regiões do Estado de São Paulo, Bauru registrou uma queda do número de homicídios dolosos - quando há intenção de matar -, nos primeiros oito meses deste ano, se comparado com o mesmo período de 2015. Em contrapartida, os roubos aumentaram na cidade. Os dados atualizados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), na última sexta-feira.
De janeiro a agosto deste ano, Bauru registrou 14 homicídios dolosos, um declive de 30%, se comparado com o mesmo período de 2015, quando foram contabilizados 20 assassinatos. 
Quanto aos roubos, a cidade foi cenário de 1.002 crimes desse tipo, nos últimos oito meses. Houve um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado, momento em que foram registrados 865 roubos.
Delegado seccional de Bauru, Luiz Roberto Saúd Bertozzo argumenta que diversos fatores levam à criminalidade. Diante disso, ele atribui a queda de assassinatos ao aperfeiçoamento do trabalho policial e à sazonalidade. “Entre março e abril deste ano, tivemos oito homicídios dolosos, contra três crimes desse tipo, no mesmo período do ano passado”, reforça. 
Bertozzo acredita, ainda, que o esclarecimento e as prisões decretadas nesses oito casos, no início deste ano, tenham contribuído bastante para a prevenção desse tipo de crime.
Já o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, defende que a corporação dá atenção especial às ocorrências de brigas, principalmente, entre facções criminosas. “O nosso objetivo com isso é evitar que se chegue à violência extrema”, frisa.
Ainda segundo ele, a PM procura agir rapidamente, quando há denúncias de brigas, além de contar com a ajuda da comunidade. “Homicídio é um crime que preocupa e a intervenção rápida surte um efeito didático na criminalidade”, diz.
Roubos
Em relação ao aumento dos roubos em Bauru, o delegado seccional argumenta que o padrão de desvio - 16% - não é algo incomum, porém, não deixa de ser indesejável. “Os roubos mais comuns são de celulares ou pequenas importâncias. Pode ser que muitos criminosos migraram do furto para o roubo”, teoriza Bertozzo.
Inclusive, a quantidade de furtos, em geral, caiu 0,3% nos últimos oito meses, se comparado com o mesmo período do ano anterior. Já os furtos de veículos tiveram queda de 8%.
O tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, por sua vez, constata que o crime de oportunidade ainda persiste. “As pessoas se colocam em risco, ao andarem com os celulares em mãos. Elas também têm de tomar medidas de segurança”, alerta.
O fator econômico, segundo Kitazume, pode ter influenciado o aumento. “Ultimamente, muitos dos que prendemos não tinham fichas criminais. Eram pessoas que, diante da crise, perderam o emprego e se viram desesperadas”, finaliza o comandante.  

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