| Ana Borges/JCNET |
| Integrantes do Movimento Social de Lutas (MSL) ocuparam, no início da manhã desta terça-feira (27), a Prefeitura de Bauru |
A Justiça concedeu à Prefeitura de Bauru, na tarde de hoje, a reintegração de posse do Palácio das Cerejeiras, ocupado por integrantes do Movimento Social de Lutas (MSL), desde a manhã desta terça-feira (27). A liderança dos manifestantes, após reunião com a PM e com um oficial de Justiça, concordou em acatar a decisão e desocupar o prédio.
Os manifestantes devem ter uma reunião na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo, às 11h de sexta-feira (30).
Até o acordo ser fechado, o clima era tenso com mulheres e crianças na porta da Prefeitura de Bauru.
Ocupação
Por volta das 6h de hoje, eles tomaram todo o saguão, no piso térreo. Por essa razão, servidores ficaram do lado de fora. Apenas os responsáveis pela folha de pagamento foram autorizados a entrar no Palácio das Cerejeiras. Os manifestantes estavam acampados em frente ao prédio, desde domingo à noite, para reivindicar moradias.
Este é o segundo ato em menos de um mês. No entanto, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não enxerga solução imediata para o que ele próprio chamou de impasse. Isso, inclusive, teria motivado a ocupação do prédio da prefeitura, uma vez que os manifestantes reivindicam que o Executivo faça intervenção junto à Justiça nas liminares de reintegração de posse de três áreas ocupadas pelo MSL, nos bairros Distrito Industrial 4 e Jardins Marabá e Meire.
Pela manhã, o chefe de gabinete, Arnaldo Ribeiro, e o titular da Secretaria da Agricultura, Chico Maia, conversaram com os líderes do movimento. No entanto, as negociações não avançaram e as discussões foram encerradas.
Reivindicação
| Ana Borges/JCNET |
| Por conta da situação, vários servidores não entraram no Palácio das Cerejeiras para trabalhar |
Conforme o JC veiculou, o líder do movimento, Márcio Rodrigo Alves de Oliveira alega que, nos últimos 20 dias, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Sagra) levantou quatro áreas, pertencentes ao município, que poderiam ser destinadas para instalação de moradias.
“Porém, o prefeito não realizou os trâmites para liberação dessas áreas, conforme havia prometido”, critica.
Já Agostinho argumenta que as áreas identificadas são institucionais, ou seja, não estão propícias para serem loteadas.
“Vamos supor que a prefeitura fosse fazer um assentamento em um desses lugares. Tem que abrir inscrição para a cidade inteira, fazer sorteio e urbanizar a área. A liberação imediata (das áreas) está fora de cogitação”.
Ontem (segunda-feira), o chefe do Executivo manteve contato com o superintendente estadual do Incra, Alexandre Pereira. O intuito foi, em conjunto, levantar alternativas de áreas para possíveis assentamentos humanos em Bauru.
De acordo com Márcio Oliveira, atualmente são em torno de 3 mil famílias do MSL sem residência fixa, espalhadas por sete acampamentos instalados em Bauru. O grupo teme ainda a reintegração de posse dessas áreas.
Reintegrações
Rodrigo adianta que a Justiça já agilizou várias reintegrações de posse, tanto de áreas públicas quanto de particulares, que devem ser cumpridas nos próximos dias.
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| Os manifestantes estavam acampados em frente ao prédio, desde domingo à noite, para reivindicar moradias e nesta manhã ocuparam a sede da Prefeitura em Bauru |